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Distrito Federal

Pacientes oncológicos do DF aguardam resposta sobre tratamento no SUS

Pacientes que eram atendidos por parceria entre a SES-DF e a Oncoclínicas ainda não sabem como ficarão os tratamentos após fim do contrato

24/07/2026 06:53, atualizado 24/07/2026 06:54
Carla Sena/Arte Metrópoles
Pacientes oncológicos do DF aguardam resposta sobre tratamento no SUS

Nesta sexta-feira (24/7) chega ao fim o contrato entre a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e a Oncoclínicas para o atendimento de pacientes oncológicos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Embora a pasta tenha informado que os tratamentos em andamento não serão interrompidos (veja a nota da SES-DF ao final da matéria), pacientes com câncer afirmam ao Metrópoles que seguem sem receber informações concretas sobre onde continuarão as sessões de quimioterapia e imunoterapia nas próximas semanas.

É o caso de Ana Maria de Fátima Gregório da Silva (imagem abaixo). Na data em que o contrato chega ao fim, ela completa 62 anos. Esse ano, o aniversário vem acompanhado pela incerteza sobre o tratamento contra um câncer de mama diagnosticado em janeiro deste ano.

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Ana Maria de Fátima Gregório da Silva iniciou o tratamento em junho e, por enquanto, fez duas sessões de um total de seis
Ana Maria de Fátima Gregório da Silva foi diagnosticada com câncer de mama em janeiro
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Ana Maria de Fátima Gregório da Silva foi diagnosticada com câncer de mama em janeiro

Arquivo pessoal
Ana Maria de Fátima Gregório da Silva iniciou o tratamento em junho e, por enquanto, fez duas sessões de um total de seis
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Ana Maria de Fátima Gregório da Silva iniciou o tratamento em junho e, por enquanto, fez duas sessões de um total de seis

Arquivo pessoal

Após a consulta inicial no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), Ana Maria recebeu a indicação de seis sessões de quimioterapia, realizadas a cada 21 dias, além da imunoterapia. A previsão era começar o tratamento ainda em abril, mas a primeira aplicação só ocorreu em 15 de junho.

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Até agora, ela conseguiu fazer apenas duas sessões. A próxima está prevista para segunda-feira (27/7), mas ela ainda não sabe onde será atendida.

Depois da quimioterapia, Ana Maria deverá passar por cirurgia e, posteriormente, iniciar a radioterapia. Também estava previsto um retorno ao mastologista em setembro, mas, devido ao atraso, a paciente não sabe como ficará o acompanhamento.

Apreensão dos pacientes

O caso Gleice Porfírio, de 34 anos, foi noticiado pelo Metrópoles. Ela divide a rotina entre sessões de radioterapia no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e de quimioterapia na unidade da Oncoclínicas do Gama.

Diagnosticada com câncer de colo de útero, ela passou a viver dias de apreensão após ser informada, pela própria clínica, de que o contrato entre a Oncoclínicas e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) se encerra na sexta-feira (24/7), pouco depois da 3ª sessão de Gleice, de um total previsto de seis sessões para a finalização do tratamento.

“Quem está enfrentando um câncer sabe que cada sessão é fundamental. A interrupção ou o atraso da quimioterapia pode comprometer todo o tratamento e diminuir as chances de cura. É desesperador viver essa incerteza. O câncer não espera”, afirma.

Caso semelhante ocorre com Sandra Cristina, que trata um câncer de mama. Ela iniciou o acompanhamento após encaminhamento do Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O protocolo prevê 16 sessões de quimioterapia. Ela havia concluído cinco aplicações quando recebeu a notícia sobre o encerramento do contrato.

Segundo Sandra, os pacientes foram reinseridos na regulação da Secretaria de Saúde para redistribuição das vagas. Em apenas sete dias, ela avançou 83 posições na fila, mas, até esta quinta-feira (23/7), ainda ocupava a posição 208. A próxima sessão deveria ocorrer na terça-feira (28/7).


Entenda o caso

  • A Oncoclínicas e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) têm um contrato para tratamento de pacientes oncológicos da rede pública;
  • A empresa informou os pacientes da rede pública de Saúde a finalização do contrato de prestação de serviços a partir de 24 de julho e, consequentemente, o fim dos tratamentos realizados nas unidades da Oncoclínicas no DF;
  • A SES-DF confirmou o encerramento do contrato. De acordo com a pasta, a Oncoclínicas afirmou não ter interesse na renovação contratual por questões internas;
  • A Saúde do DF explicou que o governo o está finalizando um novo edital de credenciamento para contratação de prestadores do serviço;
  • Diante da situação, os pacientes oncológicos relatam apreensão sem informações sobre a continuidade dos tratamentos, que envolvem quimioterapia e radioterapia;
  • A SES-DF afirmou que os tratamentos em andamento não serão interrompidos, entretanto, os pacientes ainda não têm informações e relataram ao Metrópoles que voltaram à regulação.

A técnica em nutrição Jucélia Monteiro, de 48 anos, também vive a mesma apreensão. Autista e com hipersensibilidade sensorial, ela passou cerca de dez meses investigando dores que inicialmente acreditava estarem relacionadas à fibromialgia ou à prática de exercícios físicos. Após diversos exames feitos na rede particular, recebeu o diagnóstico de carcinoma inflamatório de mama grau 3.

Os exames particulares foram levados à mastologista da Unidade Básica de Saúde (UBS), que a encaminhou para a oncologia. O tratamento começou na Oncoclínicas, onde foram prescritas oito sessões de quimioterapia.

Ela realizou apenas duas aplicações. A terceira está prevista para 31 de julho. Na última sexta-feira (18/7), recebeu apenas uma mensagem por WhatsApp informando sobre o encerramento do contrato. Nesta quinta-feira (23/7), ocupava a posição 247 na fila da regulação.

Confira o comunicado emitido pela Oncoclínicas que as pacientes receberam:

A clínica emitiu comunicado informando que o contrato e, consequentemente, os serviços serão finalizados em 24/7

Sem previsão de atendimento, ela afirma que pretende recorrer à Justiça para garantir a continuidade do tratamento.

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A auxiliar administrativa Camila Araújo, de 27 anos, também teme a interrupção do protocolo.

Ela descobriu um caroço na mama após sair da academia. Em um primeiro momento, acreditou tratar-se da mesma inflamação que havia apresentado em 2023 e chegou a se automedicar. Como o nódulo persistiu e surgiram dores, procurou uma unidade de saúde.

Com histórico de câncer de mama na família, fez a biópsia pela rede particular e recebeu o diagnóstico em 10/4 deste ano.

A primeira consulta na Oncoclínicas ocorreu em 28 de maio. O protocolo prevê 12 sessões semanais de quimioterapia, seguidas por outras quatro aplicações mensais. Na semana passada, recebeu a mensagem informando que toda a documentação seria devolvida à regulação da SES-DF.

“Meu medo é o tratamento parar e o tumor evoluir. Eu tento ser alegre, esquecer que sou doente e motivar outras pessoas. Mas agora fica essa insegurança”, confessou.

O que diz a Secretaria de Saúde

A Secretaria de Saúde informou que nenhum paciente da Oncoclínicas ficará sem atendimento.

“A pasta entrará em contato com esses pacientes para informá-los dos detalhes para continuidade do tratamento”, declararam.

A SES afirmou ainda que a empresa informou não ter interesse na renovação contratual por questões internas e que o governo está finalizando um novo edital de credenciamento para contratação de prestadores do serviço.

Apesar da garantia, pacientes ouvidos pela reportagem afirmam que continuam sem receber informações sobre como os tratamentos continuarão após o encerramento do contrato.