Pacientes dormem no chão por falta de leitos no Hospital de Base
Prática descumpre normas da Anvisa e do Coren-DF sobre acomodação adequada e uso de macas para garantir higiene e segurança dos paciente
atualizado
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Um vídeo obtido pelo Metrópoles mostra ao menos dois pacientes deitados no chão, cobertos por lençóis, e outro aguardando atendimento em uma cadeira de rodas no Hospital de Base do Distrito Federal, no dia 1º de abril, em meio à falta de leitos e à superlotação da unidade.
O vídeo foi registrado por uma colaboradora do hospital, que afirma ter encontrado a situação ao chegar para o plantão.
“É uma cena muito triste. Há um déficit enorme de materiais, precisamos de macas e cadeiras de rodas”, disse.
Procurado, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) confirmou que as imagens correspondem à data citada e atribuiu o cenário à alta demanda. “As imagens mencionadas referem-se ao dia 1º de abril, período em que o pronto-socorro do Hospital de Base do Distrito Federal registrava 214 pacientes internados no dia”, relatou a nota.
O órgão acrescentou que, após tomar conhecimento da situação, houve intervenção das equipes. “Assim que os gestores tomaram conhecimento da situação, os pacientes foram prontamente acolhidos e direcionados para assistência adequada, conforme os protocolos estabelecidos”, declarou.
Ainda segundo o IgesDF, há monitoramento constante da assistência. “O hospital mantém monitoramento contínuo dos fluxos assistenciais, com atuação permanente das equipes para garantir a reorganização dos espaços e a segurança dos pacientes”, finalizou.
Risco de infecções
Deitar pacientes no chão de hospitais contraria normas sanitárias e protocolos básicos de segurança do paciente. Diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) estabelecem critérios rigorosos de higiene, controle de infecções e assistência adequada, que não incluem esse tipo de prática.
O contato direto com o chão hospitalar aumenta o risco de infecções e de agravamento do quadro clínico. Ambientes hospitalares exigem superfícies com alto padrão sanitário, como pisos impermeáveis, resistentes e de fácil desinfecção, justamente para reduzir a contaminação.
