Paciente fica das 5h às 19h em jejum à espera de cirurgia no HBDF

Paciente teve de esperar 1 ano para ter sua cirurgia marcada, e quase um ano para receber um remédio. No dia, procedimento foi cancelado

atualizado

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Hugo Barreto/Metropóles @hugobarretophoto
Fachada do Hospital de Base do Distrito Federal, com ambulãncia na frente de porta da emergência
1 de 1 Fachada do Hospital de Base do Distrito Federal, com ambulãncia na frente de porta da emergência - Foto: Hugo Barreto/Metropóles @hugobarretophoto

Uma paciente teve uma cirurgia desmarcada de última de hora e sem explicações prévias após esperar mais de sete horas no centro cirúrgico do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Além disso, ela ficou das 5h às 19h em jejum.

A auxiliar de serviços gerais Jacqueline da Silva Costa, 42 anos, estava agendada para realizar o procedimento de um pterígio do olho esquerdo, às 13h dessa terça-feira (31/3). Pterígio é quando uma espécie de “carne ocular” avança sobre a córnea. A paciente passou por três cirurgias anteriormente no olho direito, uma delas para retirar um câncer no olho.

O agendamento, inclusive, foi confirmado em contato com a paciente, via WhatsApp, na segunda-feira (30/3). Na mensagem ainda foi repassada as instruções para o procedimento, como o tempo de jejum e o horário de chegada prévia.

A paciente teve de esperar desde 2024 para ter a sua cirurgia marcada, e quase um ano para receber um remédio necessário para usar por um ano antes da liberação da cirurgia, que também não foi avisada para Jacqueline. “Eu tive de esperar a medicação. Disseram que me ligaram três vezes para avisar que a cirurgia foi liberada, mas não recebi nenhuma ligação.

Longa espera para cirurgia

No dia da cirurgia, a paciente iniciou jejum às 5h30, conforme ficha médica preenchida. Além disso, a paciente chegou ao local por volta das 12h e saiu às 19h.

“Está faltando comprometimento, mas foi uma falta de respeito e um descaso comigo e com outros pacientes que também estavam lá. Os pacientes da manhã foram atendidos à tarde e os da tarde ficaram a Deus dará”.

Contudo, enquanto aguardava ser chamada, a equipe do centro cirúrgico do hospital encaminhou uma outra paciente na frente dela, sem explicação, o que acabou por ocasionar uma longa espera de sete horas até receber uma informação a respeito da cirurgia.

A resposta, no entanto, pegou a paciente de surpresa: a cirurgia havia sido cancelada. A justificativa dada foi de que o anestesista não poderia passar do horário dele, visto que ele estava de plantão e, caso acompanhasse a cirurgia, ultrapassaria as 12h de trabalho.

A paciente recebeu uma mensagem do hospital que lamentou a longa espera informando que a cirurgia será remarcada, mas sem previsão de data. “Boa tarde, Jacqueline! Sentimos pelo ocorrido de longa espera. Nós estamos organizando a questão do seu reagendamento pois temos que aguardar a confirmação da quantidade de vagas com anestesistas durante a semana. Assim que me confirmarem entro em contato com a senhora informando a nova data”.

Em novo encaminhamento, o médico alegou que o procedimento não foi feito na data e horário previstos porque a cirurgia anterior extrapolou o tempo.

“Quando chega uma pessoa em estado pior, é atendida por prioridade, mas por que eu também não mereço ser atendida?”, indagou a paciente.

Em meio às dores no olho e triste com o descaso do Hospital de Base, a mulher ainda não possui data para que a sua cirurgia seja marcada. “Eu só quero que eles tenham comprometimento e respeito comigo”, concluiu.

O outro lado

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) informou que a suspensão do procedimento oftalmológico ocorreu em razão do prolongamento de uma cirurgia anterior de alta complexidade, situação que impactou a programação do centro cirúrgico.

“A decisão de suspender a cirurgia subsequente seguiu rigorosamente critérios técnicos e normas de segurança assistencial, incluindo o cumprimento da carga horária das equipes, não sendo possível a continuidade do atendimento nas condições apresentadas”, disse o Iges.

O IgesDF informou que realizou tentativas de contato para reagendamento do procedimento para o dia 3 de abril, sem retorno da paciente até o momento. “Reforçamos que o IgesDF que permanece à disposição para remarcar a cirurgia com a maior brevidade possível, garantindo a continuidade do cuidado com segurança”, concluiu.

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