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Distrito Federal

Orelha derretida e mão atrofiada: trabalhador atacado e queimado na rua relembra pesadelo

Suspeito, que é morador de rua, atacou Gustavo com tíner após ser confrontado por furto de uma bisnaga de mel

22/08/2026 04:35
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Orelha derretida e mão atrofiada: trabalhador atacado e queimado na rua relembra pesadelo

Com a orelha derretida, o tronco coberto por faixas — incluindo braços, mãos e axilas — e marcas vermelhas nas pernas, Gustavo Vitor Coimbra, 31 anos, ainda se recupera das quatro cirurgias as quais foi submetido após ter 40% do corpo incendiado com thinner. O ataque ocorreu em 14 de julho, na Asa Sul, depois que ele tentou impedir o furto de uma bisnaga de mel do quiosque onde trabalhava.


Naquele dia, o expediente havia terminado como de costume. Gustavo trabalhava para um casal de idosos na Asa Sul. Durante o dia, vendia produtos no quiosque do homem e, após o fechamento, ainda ajudava no salão de beleza da mulher. Ele também costumava levar os patrões para casa no carro do casal.

Por volta das 20h, depois de concluir as tarefas, Gustavo se despediu dos chefes e seguiu para o ponto de ônibus. No caminho, no entanto, enquanto passava por um beco, foi atingido por uma paulada na cabeça. Ele caiu e o agressor jogou tíner sobre seu corpo e, em seguida, acendeu um isqueiro.

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Gustavo perdeu 14 quilos enquanto permaneceu sedado durante o tratamento das queimaduras. Ele também ficou com feridas que ainda precisam cicatrizar
O trabalhador passou por quatro cirurgias durante os cerca de 26 dias em que ficou internado no Hran
Marcas dos enxertos de pele podem ser vistas nas pernas de Gustavo. Um dos enxertos não cicatrizou como esperado e pode exigir uma nova cirurgia.
Gustavo Vitor Coimbra, de 31 anos, ainda se recupera das queimaduras que atingiram 40% do corpo após o ataque com thinner, em 14 de julho, na Asa Sul
Braços, mãos e axilas de Gustavo permanecem cobertos por faixas durante a recuperação. As queimaduras também afetaram a força das mãos
Aviso de Imagens Fortes
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Gustavo perdeu 14 quilos enquanto permaneceu sedado durante o tratamento das queimaduras. Ele também ficou com feridas que ainda precisam cicatrizar
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Gustavo perdeu 14 quilos enquanto permaneceu sedado durante o tratamento das queimaduras. Ele também ficou com feridas que ainda precisam cicatrizar

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O trabalhador passou por quatro cirurgias durante os cerca de 26 dias em que ficou internado no Hran
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O trabalhador passou por quatro cirurgias durante os cerca de 26 dias em que ficou internado no Hran

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Marcas dos enxertos de pele podem ser vistas nas pernas de Gustavo. Um dos enxertos não cicatrizou como esperado e pode exigir uma nova cirurgia.
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Marcas dos enxertos de pele podem ser vistas nas pernas de Gustavo. Um dos enxertos não cicatrizou como esperado e pode exigir uma nova cirurgia.

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Gustavo Vitor Coimbra, de 31 anos, ainda se recupera das queimaduras que atingiram 40% do corpo após o ataque com thinner, em 14 de julho, na Asa Sul
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Gustavo Vitor Coimbra, de 31 anos, ainda se recupera das queimaduras que atingiram 40% do corpo após o ataque com thinner, em 14 de julho, na Asa Sul

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Braços, mãos e axilas de Gustavo permanecem cobertos por faixas durante a recuperação. As queimaduras também afetaram a força das mãos
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Braços, mãos e axilas de Gustavo permanecem cobertos por faixas durante a recuperação. As queimaduras também afetaram a força das mãos

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Gustavo relata dificuldades para retomar a rotina após o ataque. Sem poder trabalhar, ele afirma gastar mais de R$ 1,2 mil por mês com pomadas, medicamentos, curativos e transporte
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Gustavo relata dificuldades para retomar a rotina após o ataque. Sem poder trabalhar, ele afirma gastar mais de R$ 1,2 mil por mês com pomadas, medicamentos, curativos e transporte

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O homem, porém, conhecia Gustavo. Mais cedo naquele dia, segundo o trabalhador, ele havia entrado no quiosque, pegado uma bisnaga de mel e saído sem pagar. Gustavo foi atrás dele e pediu para que devolvesse o produto.

“Quem trabalha com venda sabe que todo dia tem uma conferência das mercadorias, e aqueles R$ 38 do produto seriam descontados de meu bolso”, relatou ao Metrópoles.

As chamas tomaram o corpo da vítima. O homem conta que saiu correndo em busca de ajuda e que pessoas que estavam em um restaurante próximo tentaram socorrê-lo.

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“Eu saí correndo pela principal. Era um fogo que não apagava. Lembro de muitas pessoas tentando ajudar, mas não conseguiam. Jogar água piorava, fazia o fogo aumentar ainda mais”, lembra.

O suspeito ainda teria fugido e levando a mochila de Gustavo. “Dentro dela tinha minha identidade, minha roupa, e R$ 142 do meu expediente”.

Ele foi preso preventivamente em 31 de julho, pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul).

Quatro cirurgias

O trabalhador foi levado ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde ficou internado por cerca de 26 dias. Durante o período, passou por quatro cirurgias e perdeu 14 quilos enquanto permanecia sedado.

“Eu perdi tudo, menos a vida”, resume. As marcas deixadas pelas queimaduras também afetaram a autoestima do trabalhador.

“Eu não me vejo mais como eu era, porque eu não sou mais o mesmo. Fico pensando em arrumar um emprego, em conhecer alguém, em ter um relacionamento. Como é que eu vou chegar para uma pessoa desse jeito? Eu tenho vergonha”, disse.

Um dos enxertos não cicatrizou como esperado e pode exigir uma nova cirurgia. “Minhas costas estão abertas, tudo na carne viva. Ainda falta uma. Eles estão vendo se vai fechar por ela mesma. Se não fechar, vou ter que fazer outro enxerto.”

Segundo o cirurgião plástico da Unidade de Queimados do Hran Brenner Dolis queimaduras profundas podem exigir o desbridamento, procedimento para retirar os tecidos destruídos, e posteriormente o enxerto de pele. “Esse tecido desvitalizado não consegue se recuperar, dificulta a cicatrização e pode favorecer infecções”, explica.

Ele afirma que, após a retirada do tecido queimado, a equipe avalia se a ferida conseguirá cicatrizar sozinha. Nas queimaduras mais profundas, porém, geralmente é necessário retirar uma camada de pele saudável de outra região do corpo do paciente e transferi-la para cobrir a área lesionada.

As mãos também perderam força, e os médicos alertaram para o risco de atrofia. A vítima afirma, ainda, que não consegue mais pegar peso e teme não conseguir voltar a trabalhar.

“Eu não consigo pegar peso. A mão perdeu a força. Os médicos falaram que ela pode atrofiar se eu não mexer. Eu fico pensando: como é que eu vou trabalhar desse jeito? Eu me tornei inválido.”

Brenner explica que a reabilitação começa ainda durante o tratamento das queimaduras e envolve uma equipe multiprofissional. São feitos exercícios e mobilizações para preservar os movimentos e reduzir o risco de retrações das cicatrizes. “O objetivo não é apenas a sobrevivência, mas também recuperar função, autonomia, aparência corporal e qualidade de vida.”

Segundo o especialista, nem sempre é possível tratar toda a área queimada em uma única cirurgia. Os procedimentos podem ser divididos em etapas por causa da extensão e da profundidade das lesões, além das condições clínicas do paciente. Também podem ser necessários novos enxertos quando uma área não cicatriza ou não apresenta integração adequada.

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Custos do tratamento

Sem poder trabalhar, Gustavo também enfrenta dificuldades para custear a recuperação. Uma das pomadas usadas no tratamento custa cerca de R$ 30 e dura apenas dois dias. Além disso, ele precisa ir duas vezes por semana a uma unidade de saúde para fazer curativos e tomar banho. Como ainda tem feridas abertas e não pode ficar exposto ao sol ou à poeira, precisa usar Uber.

Segundo ele, os gastos com o tratamento passam de R$ 1,2 mil por mês, sem contar outros medicamentos e despesas. O trabalhador recebe Bolsa Família, mas afirma que o benefício não é suficiente para cobrir os custos da recuperação.

“É muito gasto. Eu recebo o Bolsa Família, mas não dá para pagar tudo. Tem a pomada, tem os remédios, tem o Uber para ir fazer os curativos. Eu estou sem trabalhar e não tenho de onde tirar.”