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Distrito Federal

Operação contra agiotagem no DF, GO e TO bloqueia R$ 10 milhões.

Segundo a PCDF, o grupo movimentou a quantia em cerca de seis meses. Os principais alvos da organização eram feirantes e pequenos empresário

11/09/2026 11:37
Reprodução
homem sem camisa sentado ao lado de dinheiro

A organização criminosa especializada em agiotagem e extorsão de dinheiro contra feirantes do Distrito Federal, Goiás e Tocantins, movimentou cerca de R$ 10 milhões em apenas seis meses, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), determinou o bloqueio da quantia da conta dos investigados.

Veja vídeo

O grupo é alvo da segunda fase de uma operação que investiga empréstimos com cobrança de juros exorbitantes e ameaças às vítimas que não conseguiam quitar as dívidas.

De acordo com o coordenador da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), delegado Rogério Rezende, o grupo se aproximavam dos comerciantes através de três mulheres que circulavam pelas feiras distribuindo cartões com ofertas de empréstimos. 

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Os valores variavam de mil, dois mil reais até 30 mil reais. São valores pequenos e eram direcionados basicamente aos feirantes”, explicou o coordenador da Corpatri.

Segundo a PCDF, depois de conseguir o dinheiro, os comerciantes eram submetidos a cobranças de juros diários. O delegado classificou o método como uma modalidade conhecida no meio da agiotagem como “pinga-pinga”.

A cobrança chegava de R$ 100 ou R$ 200 por dia. O delegado citou ainda a cobrança de juros de 20% como exemplo da prática investigada.

Contas bloqueadas

Durante a operação, a PCDF conseguiu bloquear 17 contas bancárias utilizadas pelo grupo. Três eram vinculadas a pessoas jurídicas e as demais estavam em nome de pessoas físicas.

Segundo o delegado, parte das contas era usada para movimentar e ocultar o dinheiro obtido com os crimes. Havia contas dos próprios investigados, de familiares e de terceiros.

São contas que eram utilizadas para lavagem de dinheiro, porque tinham que justificar esse valor. Contas de terceiros, contas de familiares de membros da organização e contas também dos próprios membros da organização criminosa”, afirmou.

Além do bloqueio das contas, a Justiça expediu 12 mandados de prisão preventiva, desses 11 foram cumpridos. Os investigados têm idades variadas, entre 20 e 50 anos. De acordo com o delegado, vários deles foram ouvidos pela Corpatri após as prisões e admitiram, que participaram do esquema, porém no passado.

Entre os presos, está Adailton Fernandes de Oliveira, que aparece sentado em um sofá, sem camisa, gabando-se de estar ao lado do que ele mesmo chamou de uma “serra de dinheiro”. (Veja vídeo acima)

Investigações

A investigação contra o grupo brasileiro começou após a morte de um feirante da Feira dos Goianos. Segundo Rogério Rezende, o homem havia pegado emprestado aproximadamente R$ 5 mil com os criminosos. Em meio à pressão pelas cobranças, ele morreu. Depois, a dívida teria sido direcionada à filha, que passou a sofrer ameaças e procurou a polícia.

Ainda segundo o delegado, a filha o feirante passou a ser alvo de cobranças e ameaças graves.

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“Essa família recebia inclusive fotos da casa, fotos de momentos do convívio familiar deles. Então eles acabaram mudando de residência com medo dessas ameaças. Recebiam áudios também onde as pessoas ameaçavam eles, demonstrando que sabiam do dia a dia da família”, relatou Rogério.

Quando as cobranças, que geralmente eram feitas pelas mulheres integrantes do grupo, não surtiam efeito, a organização recorria a integrantes armados. Entre os presos está um segundo-sargento reformado da Polícia Militar de Goiás (PMGO), apontado pela investigação como integrante do esquema.

Foragida

Uma das investigadas, identificada como Maria Luiza da Silva Araujo Lopes, continua foragida.

“Ela era uma das pessoas que cobrava, que praticava as ameaças. E ela inclusive foi flagrada junto com o policial militar reformado preso fazendo essas ameaças”, afirmou.