“O mundo está cheio de predadores”, diz tia de menina morta no DF

A despedida ficou marcada por choros, e o desejo de justiça pela morte da menina de 13 anos que levou um tiro na cabeça

atualizado

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Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
cemitério (1)
1 de 1 cemitério (1) - Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

Familiares e amigos se reuniram no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, nesta quinta-feira (6/11), para se despedir de Allany Fernanda, jovem de 13 anos que morreu baleada na cabeça.

A menina foi velada com caixão fechado em uma despedida marcada por lágrimas, dor e um desejo presente em todos: justiça.

A família usava uma camiseta com a foto de Allany junto a uma mensagem que dizia: “A dor da saudade é eterna. Você foi embora cedo demais, mas seu amor ficará para sempre em nós.”

Allany morava com a tia Paula Cristine. Em conversa com o Metrópoles, ela relembrou a rotina e o carinho que as duas cultivavam uma pela outra. Na noite anterior ao crime, as duas conversaram pelo telefone e Allany a chamou para visitar o túmulo do tio no cemitério.

“A todo momento ela ligava para mim falando ‘tia, eu te amo’. Quando foi no domingo, que ela não me deu notícia, meu coração começou a apertar e pensei que alguma coisa de errado tinha acontecido”, contou.

Com a voz embargada e com lágrimas escorrendo, ela externou seu sentimento de revolta com o crime cometido com sua sobrinha.

“O mundo tá cheio de predadores. E ela foi só mais uma vítima de pessoas covardes que fizeram isso com ela. Espero que tenha justiça”, contou.

A tia afirmou ainda que Allany era gentil e bondosa com todos. “Ela era uma menina muito feliz e queria ver todo mundo feliz do lado dela. Não tinha maldade com nada e nem com ninguém. Para ela, todo mundo era bom e tinham um coração bom também”, destaca a tia.

A mesma alegria citada por Paula, é relembrada por Cristiano Alves, presidente da Quadrilha de Bamboleá, grupo do qual a jovem participava. “O tempo todo ela era brincalhona e se preocupava com os outros. Era muito dedicada, esforçada e carinhosa. E sempre levava alegria a todos. Nós [grupo] agora ficamos de coração partido. Vai deixar saudades”, desabafou.

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Enquanto Cristiano Alves, presidente da Quadrilha Bamboleá, ressalta que sua alegria será relembrada por todo o grupo
A tia de Allany, Paula Cristine, relata a saudade que a jovem irá deixar
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A tia de Allany, Paula Cristine, relata a saudade que a jovem irá deixar

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Enquanto Cristiano Alves, presidente da Quadrilha Bamboleá, ressalta que sua alegria será relembrada por todo o grupo
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Enquanto Cristiano Alves, presidente da Quadrilha Bamboleá, ressalta que sua alegria será relembrada por todo o grupo

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O velório

Na capela, choros e cânticos de igreja, juntamente de um violão sendo tocado, ecoavam pelo salão enquanto amigos e família se despediam da jovem.

Enquanto alguns permaneciam dentro da capela, outros entravam, mas saíam de imediato do salão chorando.

Daqueles que saíram, a maioria eram jovens que buscavam consolo e conforto ao lado de seus pais, buscando entender “como” e “porquê” essa barbárie ocorreu.

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Ao entrar na salão, a maioria saía rapidamente e volta para fora buscando consolo com os pais
Momento em que o caixão foi colocado no transporte para seguir ao sepultamento, gerou fortes emoções
Ao longo da trajetória a cova, o silêncio tomou conta a maioria do caminho
Jovens menores de idade, colegas de Allany, compareceram ao velório
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Jovens menores de idade, colegas de Allany, compareceram ao velório

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Ao entrar na salão, a maioria saía rapidamente e volta para fora buscando consolo com os pais
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Ao entrar na salão, a maioria saía rapidamente e volta para fora buscando consolo com os pais

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Momento em que o caixão foi colocado no transporte para seguir ao sepultamento, gerou fortes emoções
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Momento em que o caixão foi colocado no transporte para seguir ao sepultamento, gerou fortes emoções

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Ao longo da trajetória a cova, o silêncio tomou conta a maioria do caminho
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Ao longo da trajetória a cova, o silêncio tomou conta a maioria do caminho

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Sepultamento

No momento da saída da capela, silêncio e dor.

O silêncio, que iniciou a trajetória do momento do sepultamento, foi interrompido brevemente por um bate-boca dos familiares da jovem com a presença de convidados indesejados.

Apesar da leve discussão, a situação se apaziguou e o silêncio retomou ao longo do caminho até a cova do caixão.

No local do sepultamento, um último desabafo da mãe da jovem foi feito. “Acabaram com a nossa a família. Todo preço que esse menino tiver que pagar, ele vai pagar na Justiça”, disse a mãe de Allany.

Enquanto o caixão descia, os acompanhantes puxaram uma oração seguida de outros cânticos da igreja ao som da melodia do violão.

Por fim, um grito de guerra da Quadrilha Bamboleá simbolizou a última memória da jovem acompanhada de uma salva de palmas e balões brancos sendo soltos.

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Momento ficou marcado por orações e cânticos antes do caixão descer
Os familiares perto do caixão, se despediam em prantos da jovem
No fim, balões brancos foram soltos ao céu como uma última homenagem
No local do sepultamento, familiares e amigos se preparavam para o último adeus
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No local do sepultamento, familiares e amigos se preparavam para o último adeus

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Momento ficou marcado por orações e cânticos antes do caixão descer
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Momento ficou marcado por orações e cânticos antes do caixão descer

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Os familiares perto do caixão, se despediam em prantos da jovem
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Os familiares perto do caixão, se despediam em prantos da jovem

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No fim, balões brancos foram soltos ao céu como uma última homenagem
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No fim, balões brancos foram soltos ao céu como uma última homenagem

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O caso

O suspeito de matar Allany é Carlos Eduardo Pessoa Tavares, de 20 anos. Ele foi preso em flagrante e segue detido pode decisão judicial. Ela estava na casa dele quando a menina foi atingida com um tiro na cabeça. Inicialmente, a polícia informou que o rapaz namorava com Allany há poucos dias. No entanto, nesta quarta-feira (5/11), em um novo depoimento para a polícia Carlos negou relacionamento com a jovem e confessou que matou Allany mas disse que foi um tiro acidental. Segundo o advogado Allany e Carlos estavam na casa do rapaz com um grupo de amigos quando a arma disparou acidentalmente e acertou a jovem na cabeça. Ela morreu no hospital após perder massa encefálica.

 

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