As bolsas-salário de 2,4 mil adolescentes e jovens adultos participantes do programa Jovem Candango estão atrasados pelo segundo mês consecutivo. A Secretaria de Juventude, que coordena a iniciativa, e a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), responsável pelo repasse financeiro, reconhecem o problema e colocam a culpa na ordem do governador Ibaneis Rocha (MDB) de revisar todos os contratos firmados durante a gestão anterior.

A auxiliar de escritório recém-formada Jeniffer Alexandre Oliveira, 18 anos, é uma das beneficiárias que estão sem receber. A bolsa mensal de R$ 612 a que ela tem direito atrasou oito dias em fevereiro. Este mês, ela deveria ter recebido na terça (12/3), mas até esta quinta (14) os recuso não havia sido repassado.

“Uso esse dinheiro para ajudar minha família, foi minha primeira oportunidade de emprego. Só fico chateada que, quando eu ligo, não dão satisfação”, reclama. Ela mora com a mãe e os irmãos no Recanto das Emas, onde também trabalha, e uma vez por semana participa de um curso de qualificação no Teatro Dulcina, no Conic. O dinheiro auxilia na locomoção.

A contratação de Jeniffer foi gerenciada pela Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi), que cuida de metade dos atendidos pelo Jovem Candango, com foco nos moradores da parte Sul do DF. A diretora da entidade, Aline Ferreira, atribuiu os atrasos a “problemas burocráticos e operacionais”. “Com a troca de gestão nas secretarias, os novos gestores não estão tão céleres. Eles não nos falaram nada sobre falta de recursos”, explicou.

Responsável pela execução dos contratos da outra metade dos inscritos, em especial os moradores da parte norte do DF, as Obras Sociais Jerônimo Candinho (OSJC) também confirmaram a dificuldade de pagamento e corroboraram a falta de repasses da Sejus para subsidiar o programa.

Léo Bijos, secretário da Juventude, justificou a demora nos pagamentos pela alta demanda no início de governo e ainda prometeu evoluir o programa após o momento ruim. “Não é que existe algo errado, mas é preciso revisar tudo por ordem do governador. Temos proposta para reformulação, mas só é possível fazer isso a partir do momento que tivermos nossa Suag [Subsecretaria de Administração Geral]. A previsão é semana que vem”, detalhou.

O secretário quer ainda uma mudança de foco da iniciativa. Uma ideia é inserir as pessoas cadastradas também em empresas da iniciativa privada.

Atualmente, o programa atende à faixa etária de 14 a 18 anos e foca em candidatos enquadrados em situação de vulnerabilidade social. Os rapazes e moças costumam ser encaminhados para funções auxiliares em repartições públicas com a promessa de facilitação da entrada no mercado de trabalho.