Yakuza Nutella: jovens do DF criam "gangue" uniformizada para dar "rolê"
Inspirados em anime, jovens uniformizados se juntam para comer pizza e tomar refrigerante sem quebrar nenhuma regra e prometem ações sociais

A Praça do Relógio, no coração de Taguatinga, passou a servir de palco para o encontro de um grupo de jovens vestido com uniformes negros e com símbolos orientais desenhados nas mangas. Quem costuma passar pelo local em determinado dia da semana pode se sentir no meio das gravações de um live-action de anime japonês ou, então, presenciando a chegada de uma nova e temida organização juvenil.
De agasalhos pretos e postura imponente, dezenas de adolescentes andam em formação. No entanto, em vez de correntes, socos ingleses ou encaradas ameaçadoras, os jovens carregam embalagens de pizza quentinhas e garrafas de refrigerantes dois litros.

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Ver todasTrata-se da versão candanga da Tokyo Manji Gang (Toman), inspirada no popular mangá e anime Tokyo Revengers. Mas calma: a versão de Taguatinga está bem longe de dominar o submundo do crime organizado.
Veja imagens:
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesViolência zero
Na obra original criada pelo autor Ken Wakui, a Toman nasce como um grupo de seis amigos focados na lealdade e na honra, embora, com o tempo, o enredo exija viagens no tempo do protagonista Takemichi para salvar a gangue de se transformar em um império criminoso.
Já a Toman do Distrito Federal decidiu pular a parte do crime e ir direto para o que interessa: o “rolê” pacífico e a gastronomia comunitária. Com mais de 1.130 seguidores no Instagram, a página oficial do grupo estampa um aviso em caixa alta na biografia: “Contra a violência”.
A lealdade aos companheiros, que no anime servia para vencer brigas de rua contra gangues rivais como a Black Dragon. No DF, serve para ninguém ficar sem fatia de pizza na hora de dividir a conta.
Organização juvenil
A semelhança visual com a Toman japonesa impressiona. Os integrantes se apresentam devidamente uniformizados, com divisões bem estabelecidas que remetem à estrutura militarizada do grupo fictício:
1ª Divisão: responsável pelo reconhecimento de campo (descobrir qual pizzaria tem a borda recheada grátis).
2ª Divisão: focada na estratégia e estilo (inspirada em Takashi Mitsuya, encarregada de manter as jaquetas limpas e sem manchas de molho).
3ª e 4ª Divisões: linha de frente dos rolês pela cidade e engajamento nas redes sociais.
5ª Divisão: Disciplina interna (garantir que ninguém jogue lixo no chão da praça).
Ações sociais
Se na ficção a Toman precisava de intervenções temporais para não ser corrompida por figuras manipuladoras como Tetta Kisaki, a gangue de Taguatinga já traçou um caminho ético desde o início. Segundo os administradores do perfil, o grupo está organizando uma série de ações sociais e arrecadações de doações para a comunidade local.
Enquanto os planos sociais saem do papel, o grupo segue batendo ponto nos pontos turísticos e comerciais da cidade e “dando rolês”, provando que é possível expressar a paixão pela cultura pop japonesa, manter a pose de “gangue durona” e, ao mesmo tempo, ser o pesadelo apenas das pizzarias com buffet liberado.







