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Quem era o homem atraído para a morte em cachoeira do DF. Namorada é suspeita
Identificação da vítima reforça suspeitas de ligação com o tráfico e possível emboscada. Namorada da vítima é alvo de busca e apreensão
atualizado
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O homem encontrado morto na Cachoeira do Josué, em dezembro do ano passado, em Brazlândia, é Álvaro Lemos, 19 anos. Ele teria envolvimento com o tráfico de drogas na região do Assentamento 26 de Setembro. A identificação da vítima adiciona uma nova camada de tensão ao caso que, desde o início, já era cercado de mistério.
Inicialmente tratado como um afogamento acidental, a suspeita, agora, é de uma possível emboscada, uma “casinha” no jargão criminal, que pode ter levado o jovem a um destino fatal.
Na manhã desta quinta-feira (16/4), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia), cumpriu três mandados de busca e apreensão em Corumbá de Goiás, Ceilândia e no 26 de Setembro. A operação integra as investigações sobre a morte, ocorrida em 7 de dezembro de 2025.
Versão contraditória
De acordo com relatos iniciais, apresentados pela namorada da vítima e por outros envolvidos, Álvaro teria se afogado após entrar na água de forma espontânea, sem qualquer intercorrência.
Mas, com o avanço das investigações, essa versão começou a ruir. Inconsistências nos depoimentos e contradições nos detalhes levantaram suspeitas de que o caso poderia não se tratar de um acidente.
O laudo cadavérico confirmou que a causa da morte foi asfixia por afogamento. No entanto, também revelou a presença de escoriações no rosto e na nuca de Álvaro — marcas que não condizem com a narrativa apresentada.
Ferimentos suspeitos
Segundo os investigados, o jovem não sofreu quedas ou impactos antes de entrar na água. Ainda assim, testemunhas afirmam que ele foi visto com vida, já ferido, às margens da cachoeira, pouco antes do afogamento.
Os indícios reforçam a suspeita de que algo tenha ocorrido antes da entrada na água. No centro da investigação está a namorada de Álvaro. A polícia trabalha com a hipótese de que o jovem tenha sido atraído até o local sob um pretexto — possivelmente para uma emboscada.
A motivação pode estar ligada a disputas no tráfico de entorpecentes, já que tanto a vítima quanto outros envolvidos possuem ligação com as atividades ilícitas na região.
Namorada investigada
Além da namorada, outra mulher e dois adolescentes também são investigados. A apuração envolvendo os menores está sob responsabilidade da Delegacia da Criança e do Adolescente II (DCA II).
Após a morte, a namorada de Álvaro adotou atitudes consideradas suspeitas pelos investigadores: abandonou o emprego, mudou-se para um local desconhecido e trocou seus aparelhos telefônicos.
Essas ações reforçaram a necessidade de aprofundamento das investigações, segundo a PCDF. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados aos investigados, com foco na coleta de provas materiais — especialmente dispositivos eletrônicos.
A análise desses conteúdos pode ser decisiva para esclarecer a dinâmica dos fatos e confirmar se o jovem foi vítima de uma armadilha.
