Na Mira

A “casinha” mortal: amor, traição e sangue em cachoeira do DF

Investigação da 18ª DP (Brazlândia) aponta contradições na versão de afogamento e levanta suspeita de emboscada ligada ao tráfico de drogas

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
policiais às margens de cachoeira do DF
1 de 1 policiais às margens de cachoeira do DF - Foto: Material cedido ao Metrópoles

Um passeio a uma cachoeira de Brazlândia envolto em mistério terminou em morte, silêncio e uma teia de suspeitas que, agora, desafia a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O que parecia um acidente relacionado a afogamento fatal pode esconder algo muito mais sombrio: uma possível emboscada, cuidadosamente arquitetada.

Na manhã desta quinta-feira (16/4), equipes da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia) cumpriram três mandados de busca e apreensão nas regiões de Corumbá de Goiás, Ceilândia e na região do Assentamento 26 de Setembro. A operação faz parte das investigações sobre a morte de um homem, ocorrida em 7 de dezembro de 2025, na Cachoeira do Josué, em Brazlândia.

No início, a história parecia simples. A namorada da vítima e outras pessoas presentes afirmaram que o homem teria se afogado de forma acidental após entrar na água espontaneamente. Mas, durante a investigação, algo não fechava e os relatos se contradiziam.

Depoimentos controversos

Com o avanço das diligências, surgiram inconsistências relevantes nos depoimentos. As versões apresentadas passaram a se chocar, levantando dúvidas sobre o que realmente aconteceu naquele dia.

O laudo cadavérico confirmou que a causa da morte foi asfixia por afogamento. No entanto, revelou também um detalhe crucial: escoriações no rosto e na região da nuca da vítima.

Lesões que, segundo os investigadores, não condizem com a narrativa inicial. De acordo com os envolvidos, o homem teria entrado na água sem qualquer queda, impacto ou agressão. Para aumentar o mistério, há relatos de que a vítima foi vista ainda com vida, já machucada, às margens da cachoeira, momentos antes do suposto afogamento.

A “casinha”

Nos bastidores da investigação, ganha força a hipótese de que o encontro na cachoeira não foi casual. A polícia trabalha com a possibilidade de que o homem tenha sido atraído ao local sob um pretexto, uma possível “casinha”, como é conhecida no meio criminal.

A motivação envolveria disputas relacionadas ao tráfico de entorpecentes. Todos os envolvidos possuem, segundo as investigações, ligação com atividades ilícitas, especialmente na região do 26 de Setembro, o que reforça a suspeita de que o crime possa ter sido premeditado.

A conduta da namorada da vítima após o ocorrido chamou a atenção dos investigadores. Pouco tempo depois da morte, ela abandonou o emprego, mudou-se para um local incerto e desconhecido e trocou seus aparelhos telefônicos.

Atitudes suspeitas

Atitudes consideradas atípicas intensificaram as suspeitas e motivaram novas diligências. Além da namorada da vítima, outra mulher e dois adolescentes também são investigados. No caso dos menores, a apuração está sob responsabilidade da Delegacia da Criança e do Adolescente II (DCA II).

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados às investigadas, com foco na coleta de provas materiais, especialmente dispositivos eletrônicos, como celulares.

A expectativa é que mensagens, registros e dados armazenados ajudem a reconstruir a dinâmica dos fatos e esclarecer se houve, de fato, uma armadilha mortal.

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