PCDF desmascara influenciador do Tigrinho que usava notas de R$ 100 para vender ilusões
PCDF desarticula esquema de "Jogo do Tigrinho" que movimentou R$ 11 milhões e tinha o influenciador Roberth Lucas como vitrine da ostentação

Cercado por maços de notas de R$ 100 dentro de uma banheira de hidromassagem, Roberth Lucas, de 24 anos, prometia a seus milhares de seguidores o que chamava de uma “forma de ganhar dinheiro”. O jovem de Brazlândia, que se apresentava nas redes sociais como um mentor avesso aos “vendedores de sonhos” da internet, virou o alvo central de uma investigação que revelou o submundo de fraudes digitais e ostentação fabricada. Tudo girava em torno do famigerado “Jogo do Tigrinho”.
“Eu não quero te deixar milionário, quero só te ajudar a ganhar dinheiro”, afirmava Roberth, em seus vídeos, tentando transmitir uma imagem de pragmatismo enquanto exibia viagens para resorts de luxo e compras em lojas de grife, pagas sempre em espécie. Na manhã desta quarta-feira (6/5), porém, a narrativa de sucesso ruiu.

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Ver todasA Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia), deflagrou uma operação interestadual para desmantelar um sofisticado esquema criminoso baseado no chamado “Jogo do Tigrinho”. A ação resultou no pedido de bloqueio de R$ 11 milhões e no cumprimento de mandados de busca e apreensão em sete unidades da Federação: Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Maranhão, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia.
Farsa da “conta demo”
Segundo as investigações, a rotina de sonhos exibida por Roberth e a namorada, Eduarda Cavalcante, 21, era sustentada por uma engenharia de engano. O casal utilizava “contas demo” (demonstração) fornecidas pelas plataformas de apostas. Nessas contas, os ganhos são programados para serem astronômicos, criando a falsa percepção de que é fácil lucrar.
Ao clicarem nos links fornecidos pelo casal, as vítimas eram direcionadas a plataformas manipuladas onde o algoritmo garantia a perda do capital investido. Enquanto os seguidores acumulavam prejuízos, o casal lucrava por meio de comissões sobre as perdas e o recrutamento de novos usuários.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA investigação revelou que o grupo operava como uma organização criminosa estruturada, com divisão clara de tarefas. Para dificultar o rastreamento, utilizavam tecnologia avançada, como servidores proxy para ocultar identidades e o uso de CPFs de terceiros para movimentar o dinheiro.
Movimentação milionária
O patrimônio ostentado em destinos paradisíacos e passeios de lancha foi considerado totalmente incompatível com a realidade dos investigados. Roberth, que afirmava ser apenas estudante, não possuía registros de ocupação formal.
O volume financeiro do grupo impressiona os investigadores: estima-se que R$ 11 milhões tenham sido lavados pelos suspeitos. Um dos integrantes da organização chegava a movimentar uma média diária de R$ 48 mil.
Diante das evidências, a Justiça determinou o bloqueio imediato das contas dos envolvidos. Os alvos da operação poderão responder por crimes de organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro. A PCDF continua a análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos e não descarta novas prisões, reforçando que a população pode colaborar com denúncias anônimas pelos canais oficiais.




