Na Mira

Pastor que usava óleo ungido para aliciar fiéis na igreja é condenado

O pastor enviava áudios solicitando detalhes íntimos e fazendo pedidos inapropriados, como que a vítima mostrasse a cor de sua roupa íntima

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
homem sendo preso
1 de 1 homem sendo preso - Foto: Material cedido ao Metrópoles

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), por intermédio da 2ª Vara Criminal de Valparaíso, proferiu a sentença condenatória contra Gilvan Gonçalves dos Santos, de 55 anos. O réu, que atuava como pastor evangélico no município, foi condenado a 17 anos de reclusão em regime inicialmente fechado por um dos crimes de estupro de vulnerável cometidos contra frequentadoras de sua congregação.

A decisão judicial, publicada no dia 2 de março de 2026, é o desdobramento de um processo que teve sua audiência de instrução iniciada em setembro do ano passado e concluída em 19 de fevereiro deste ano. Gilvan está custodiado desde 16 de julho de 2025, após ser localizado por agentes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) escondido na residência de um fiel, no bairro Jardim Ingá.

As investigações conduzidas pela DEAM revelaram um comportamento predatório e recorrente por parte do acusado. Segundo o inquérito, Gilvan utilizava-se da posição de autoridade religiosa para se aproximar de adolescentes vulneráveis.

O caso

O caso recente: a condenação atual refere-se ao abuso contra uma adolescente que frequentava a igreja há poucos meses. O réu enviava áudios de teor sugestivo, solicitando detalhes íntimos e fazendo pedidos inapropriados, como que a vítima mostrasse a cor de sua roupa íntima. Sob o pretexto religioso, ele chegou a pedir que a jovem aplicasse “óleo ungido” em seu corpo e a convidou para buscar chocolates em sua residência.

Histórico em 2023: o pastor também é investigado por trocar mensagens de cunho sexual com uma menor de idade portadora de Síndrome de Down, caso que ainda segue em apuração.

Escândalo de 2020: relatórios do sistema policial apontam que, em 2020, o réu já havia se envolvido em episódios de assédio. Na época, uma jovem denunciou as investidas de Gilvan compartilhando capturas de tela das mensagens enviadas por ele, o que gerou um esvaziamento na congregação que ele liderava.

Investigação e Prisão Preventiva

A prisão preventiva foi decretada após a mãe de uma das vítimas procurar a delegacia e apresentar as provas digitais colhidas no aparelho celular da filha. Com base nos relatos e no histórico de crimes semelhantes, a autoridade policial representou pela busca, apreensão e prisão do autor.

“A condenação é referente a apenas um dos processos que Gilvan responde. A pena total pode ser significativamente ampliada à medida que as demais ações penais, que tratam de outras vítimas e circunstâncias, avançarem no Poder Judiciário”, informaram fontes ligadas ao caso.

O réu permanece detido no sistema prisional do estado. A defesa ainda pode recorrer da sentença, mas a gravidade dos fatos e a reiteração criminosa fundamentaram a manutenção da prisão para a garantia da ordem pública. O caso segue sob acompanhamento da rede de proteção à criança e ao adolescente de Valparaíso de Goiás.

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