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Papo mole e esbarrão: como agia bando que furtava celulares em ônibus
Modus operandi do grupo foi identificado em ao menos oito furtos dentro de ônibus em Samambaia (DF), segundo a Polícia Civil
atualizado
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Um grupo que atuava dentro de ônibus no Distrito Federal utilizava conversas, distrações e esbarrões estratégicos para furtar celulares sem que as vítimas percebessem. O modo de agir, segundo a Polícia Civil do DF (PCDF), foi identificado durante investigação da 26ª Delegacia de Polícia, que resultou na deflagração de uma operação nessa terça-feira (9/6).
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Samambaia (DF). As apurações indicam que a organização criminosa tinha pelo menos oito integrantes, dos quais cinco já foram identificados.
A dinâmica dos crimes se repetia em horários de maior movimento, quando os ônibus estavam lotados e o contato entre passageiros era constante. Nesse contexto, os suspeitos se espalhavam pelo coletivo e agiam de forma coordenada: enquanto um iniciava conversas, fazia perguntas ou provocava esbarrões aparentemente casuais, outro aproveitava o momento de distração da vítima para subtrair o celular sem ser notado.
Em vídeo obtido pelo Metrópoles, gravado em setembro do ano passado, é possível ver que os suspeitos se posicionavam na parte frontal dos ônibus, no espaço entre a catraca e a primeira porta, próximo à área destinada a cadeirantes. Em vez de se deslocarem para o fundo do veículo, permaneciam nesse ponto estratégico, onde há maior circulação de passageiros durante o embarque e desembarque, facilitando a aproximação das vítimas e a execução dos furtos.
Havia ainda uma estrutura hierárquica: um homem de 58 anos seria o responsável por coordenar as atividades, com apoio de duas mulheres, de 47 e 33 anos, além de outros dois homens, de 47 e 32 anos. Na maioria dos casos, o furto só era percebido depois que a vítima desembarcava ou tentava usar o aparelho, quando os suspeitos já haviam deixado o local.
Para os investigadores, a atuação era contínua e voltada principalmente ao furto de celulares, que se tornou a principal fonte de renda do grupo. Há ainda indícios de que a quadrilha contava com receptadores responsáveis por repassar os aparelhos e uma rede de apoio destinada a auxiliar integrantes já presos ou investigados.
Investigação
Até o momento, a PCDF conseguiu relacionar o grupo a pelo menos oito furtos em ônibus, todos em Samambaia (DF), mas o número pode ser muito maior. A polícia também apura a possível atuação fora do Distrito Federal, com registros em cidades como Anápolis (GO) e São Paulo (SP).
Uma das investigadas já havia sido presa em 2019, na capital paulista, quando foi flagrada com cerca de 30 celulares de origem criminosa.
Durante a operação, os policiais apreenderam diversos aparelhos e equipamentos eletrônicos que, segundo a investigação, teriam relação com os furtos. O material será analisado para identificar novas vítimas, rastrear o destino dos celulares e localizar possíveis outros integrantes da rede.
Os suspeitos vão responder por furto qualificado e organização criminosa. A soma das penas pode chegar a 18 anos de prisão, sem prejuízo de novas acusações que possam surgir ao longo das investigações.