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Paciente vai amputar parte das nádegas e acusa hospital de negligência

Segundo a família, o paciente foi vítima de descaso durante a internação no Hospital de Base do DF

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1 de 1 Pacientes - Metrópoles - Foto: Material cedido ao Metrópoles

O autônomo José Marques Barbosa (foto em destaque), 62 anos, precisa passar por uma cirurgia para retirar parte das nádegas. Segundo a família, o paciente terá que ser submetido à amputação porque teria ficado deitado por muito tempo na mesma posição enquanto estava internado no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF).

Para os familiares, José Marques foi vítima de negligência médica e diversas falhas no atendimento durante a internação. “A família está desesperada. A gente deixou meu pai no Base achando que iam cuidar e tratar dele. Só que não fizeram nada. Foi um descaso. Meu pai está com um porção de problemas. Houve negligência”, pontuou o autônomo Ilton Costa Marques, de 37, filho de José Marques.

O paciente conseguiu ser transferido para o Hospital Regional de Sobradinho (HRS) após intervenção do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). No entanto, o estado de saúde de Barbosa é considerado gravíssimo.

Segundo o relato do filho, José Marques foi internado em estado grave no Hospital de Base em 20 de janeiro de 2026, após ter sido atropelado por uma moto. Inicialmente, o diagnóstico apontou um traumatismo craniano. Em 3 de fevereiro, mesmo ainda se recuperando de fraturas, na clavícula e em três costelas, ele recebeu alta. “Mas o médico não passou nenhum tipo de remédio para dor, para nada. Só passou um calmante para meu pai dormir”, contou Ilton.

Nova internação

No dia seguinte, o paciente passou mal e foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Riacho Fundo II. De acordo com o filho, foram feitos exames e o diagnóstico constatou plaquetas baixíssimas no sangue e pneumonia. Aproximadamente 80% do pulmão estaria comprometido.

A UPA preferiu transferir José para o Base. Chegando ao hospital, a família teria sido informada de que o prontuário do paciente não havia sido localizado. “Meu pai chegou no Base 23h40 da noite. Meu pai só foi atendido, internado novamente porque a gente arrochou o médico quase 14h do dia seguinte”, lembrou o autônomo. Segundo Ilton, José ficou internado em um Unidade de Cuidado Intensivo (UCI).

Por meio de nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pela gestão do Hospital de Base, informou que “durante a internação, [o paciente] realizou exames, incluindo tomografia de crânio de controle, sem evidência de piora e sem indicação cirúrgica. Recebeu alta em 3 de fevereiro, sem sinais clínicos ou laboratoriais de infecção urinária ou respiratória”.

O IgesDF confirmou que o paciente retornou em 4 de fevereiro para tratamento com antibióticos e negou que o houve perda do prontuário na ocasião. “Foram identificados dois registros cadastrais, sem prejuízo à assistência”. O instituto também afirmou que o “paciente recebeu acompanhamento e tratamento conforme avaliação médica durante todo o período em que esteve sob cuidados da unidade”.

Já a Secretaria de Saúde do DF informou que o paciente, que está internado no Hospital de Sobradinho desde 24 de fevereiro, permanece sob cuidados intensivos, com prioridade para estabilização do quadro clínico. Sobre o procedimento de amputação, revelou que a necessidade será avaliada posteriormente pelas equipes médicas das especialidades envolvidas.

“O acesso estava preto”

José Marques foi, então, intubado. Na sequência, o paciente contraiu uma bactéria agressiva. “Meu pai não estava recebendo os cuidados. A gente chegava para visitar e ele estava podre de fedor. E a gente não podia tocar nele. Todo dia, meu pai estava sangrando pela boca. A gente reclamava. E diziam que iriam limpá-lo”, relatou.

A família, então, notou um acesso na perna de José. “O acesso estava preto. Tipo de sangue parado por dias. A gente relatava e sempre diziam que iriam cuidar disso e limpar”, completou. Em busca de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a família buscou apoio do MPDFT. Desta forma, José conseguiu um leito no HRS.

“No Hospital Regional de Sobradinho meu pai está recebendo todos os cuidados”, afirmou Ilton. Mas o diagnóstico é alarmante. Além da necessidade de retirada de parte das nádegas, José precisa de uma cirurgia de reconstrução do rosto por conta de lesões do atropelamento. “A face do meu pai está quebrada desde o acidente. E não falaram nada no Base”, criticou.

Gravíssimo

José segue infectado pela bactéria, além de ter pulmão, rins, fígado e outros órgãos comprometidos. “O estado de saúde do meu pai é gravíssimo”, lamentou. O paciente também passa por diálise todos os dias.

“Meu pai ficou todos esses dias no Base sem os cuidados necessários. Não estavam dando banho nele. A parte do pé do meu pai ficou preta, pela forma como estava deitado. Ele vai perder um parte das nádegas porque ficou muito tempo deitado na cama”, desabafou.

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