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Hermeto é alvo de busca em operação contra desvio na Educação. Veja vídeo
O MPDFT, com apoio da PCDF, deflagrou operação para investigar suposto esquema de desvio de dinheiro público na Secretaria de Educação
atualizado
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O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) deflagrou a Operação Blackboard para investigar suposto esquema de desvio de dinheiro público na Secretaria de Educação do DF, nesta quinta-feira (12/3). Mais de R$ 46 milhões teriam sido desviados, segundo a apuração. O líder do governo na Câmara Legislativa do DF (CLDF), deputado distrital Hermeto (foto abaixo), do MDB, é alvo de busca.
As buscas foram cumpridas na Secretaria de Educação do DF, na CLDF e em endereços ligados ao deputado Hermeto. Em nota, Hermeto afirmou que não tem gestão sobre os contratos da Educação e está à disposição para prestar informações. (Veja nota completa ao final da matéria)
A locação de uma escola da rede pública de ensino no Setor de Motéis motivou a investigação. Segundo o Gaeco, o imóvel teria sido supostamente alugado por meio de dispensa ilegal de licitação e superfaturamento do contrato. O aluguel do local teria ocorrido para abrigar o Centro de Ensino Fundamental 01 (CEF 01) da Candangolândia e a sede da Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Núcleo Bandeirante (DF). O colégio em que os alunos estudavam estaria em condições precárias e foi fechado para reforma.
De acordo com o MPDFT, parte expressiva dos recursos supostamente desviados para a locação do novo imóvel por valor superior ao da reforma da escola original seria proveniente de emendas parlamentares de Hermeto.
A Candangolândia, região administrativa em que estão os imóveis, é base eleitoral de Hermeto e já teve o parlamentar como administrador.
Segundo o MPDFT, o esquema foi desmascarado pelo tempo: passados mais de cinco anos, o mesmo imóvel público seria alvo de um contrato de reforma firmado em 2025, no valor de aproximadamente R$ 12 milhões. O Poder Público teria gasto mais de R$ 19 milhões em aluguéis por um prédio que poderia ter sido reformado por valor inferior — e ainda hoje o edifício original permanece de pé e, tem tese, em obras.
De acordo com o Gaeco, o imóvel locado pela Secretaria de Educação pertencia à empresa Saída Sul Hospedagens Ltda. — a mesma pessoa jurídica que opera o A2 Motel. Segundo as investigações, o sócio-administrador do empreendimento, Carlos Eduardo Coelho Ferreira, residente em São Paulo, seria beneficiário direto do suposto esquema.
O Gaeco apontou ainda que Hermeto teve supostamente “papel decisivo na articulação do esquema”. De acordo com os investigadores, o parlamentar teria intermediado o contato direto com o então Secretário de Educação João Pedro Ferraz dos Passos para supostamente garantir a assinatura do contrato fraudulento. Além disso, conforme a diligência do MPDFT, o deputado teria exercido influência determinante para que o processo administrativo avançasse a despeito das supostas irregularidades, como toda uma articulação absolutamente indevida.
Para viabilizar a mudança do imóvel, de acordo com o Gaeco, Ana Maria Alves da Silva, então coordenadora Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante, teria supostamente deflagrado o processo administrativo com a falsa alegação de que o prédio público original estava em condições precárias e condenado à demolição, sem nenhum laudo técnico que comprovasse tal situação. O MPDFT afirmou que outros servidores da Secretaria de Estado de Educação teriam supostamente endossado a narrativa e dado continuidade ao procedimento ilegal – eles estão sendo investigados.
A apuração foi liderada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da Polícia Civil (PCDF).
Além disso, segundo o MPDFT, Hermeto teria supostamente direcionado emendas parlamentares milionárias via Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) para a Associação de Apoio à DRE do Núcleo Bandeirante, entidade ligada à investigada Ana Maria Alves. Ao todo, a associação recebeu mais de R$ 27 milhões em verbas públicas destinadas à melhoria das escolas da rede.
A ação apura crimes praticados contra a educação do Distrito Federal, entre os quais corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, peculato, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As medidas cautelares foram autorizadas pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), em razão da prerrogativa de foro de um dos investigados.
Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, no estado de São Paulo, em Goiás e no Tocantins.
Os agentes da PCDF saíram da sede da Secretaria de Educação com várias bolsas de materiais apreendidos, por volta das 8h10.
Segundo o MPDFT, as prestações de contas revelaram graves irregularidades: notas fiscais suspeitas e calçadas, orçamentos de empresas sem atividade econômica compatível com os serviços contratados e valores superfaturados.
A operação contou com o apoio, ainda, dos Gaecos dos Ministérios Públicos do Estado de Goiás (MPGO), do Estado do Tocantins (MPTO) e do Estado de São Paulo (MPSP).
Blackboard
A expressão Blackboard — que em inglês significa “quadro-negro” — foi escolhida como referência direta ao objeto central da investigação: o desvio de recursos públicos destinados à educação.
Outro lado
Em nota, a Secretaria de Educação informou que o processo tramita sob regime de sigilo e que a Pasta segue à disposição das autoridades.
“A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal informa que o processo em referência tramita sob regime de sigilo, em observância às normas legais aplicáveis e à necessidade de preservação da integridade das apurações em curso.
Não obstante a natureza sigilosa dos autos, a Pasta permanece integralmente à disposição das autoridades competentes, colocando-se pronta para fornecer todas as informações e esclarecimentos que se fizerem necessários, com o propósito de colaborar de forma plena e institucional com os órgãos policiais e judiciais responsáveis pela condução das investigações e pela adequada elucidação dos fatos.”
O deputado Hermeto informou em nota que não tem gestão sobre os contratos da Educação e está à disposição para prestar informações.
“Não possuo qualquer gestão ou participação em contratos administrativos da Secretaria de Educação, que são de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo. Os recursos destinados por meu mandato ao PDAF ao longo de sete anos foram aplicados em melhorias e manutenção de mais de 60 escolas públicas em todo o Distrito Federal. É importante destacar que o PDAF não pode ser utilizado para pagamento de aluguel, portanto nenhum centavo desses recursos foi destinado a essa finalidade. Confio nas instituições e permaneço à disposição para quaisquer esclarecimentos”, afirmou em nota.



























