Na Mira

“Não quero morrer”: vítimas de extorsão eram torturadas no Entorno. Veja vídeo

Quadrilha liderada por advogada e PM de Goiás atuava com agiotagem e extorsão. Vítimas eram torturadas e ameaçadas com arma

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 vitima-torturada - Foto: Imagem cedida ao Metrópoles

Após as novas prisões de um grupo que torturava e extorquia vítimas, liderado por uma advogada e um policial militar de Goiás, a coluna Na Mira teve acesso a novas imagens. Em uma delas é possível ver uma das vítimas suplicando para não ser agredido e morrer. 

Assista:

As imagens mostram a vítima dentro de um carro, com os criminosos mandando que ela descesse. O homem chora, diz que é trabalhador e que vai resolver. Os investigados fazem ele se agachar e apontam a arma para o rosto dele. A vítima suplica: “Eu não quero morrer, tenho dois filhos”.

Operação Mão de Ferro

Os dois foragidos foram presos nessa quarta-feira (15/4), por policiais civis do Grupo de Investigação de Homicídios de Luziânia (GO). A dupla, que fazia parte da quadrilha da advogada Tatiane Meireles e do policial militar Hebert Póvoa — denominada “Firma” —, atuava diretamente na arrecadação de valores provenientes das extorsões.

Eles eram responsáveis pelo recolhimento dos montantes e pelo repasse imediato ao líder do grupo, que se apresentava como “Pablo”. Foi apurado que a organização criminosa movimentava semanalmente valores estimados entre R$ 50 mil e R$ 90 mil, oriundos das cobranças ilícitas realizadas contra as vítimas.

Com a prisão desses dois últimos integrantes, a Operação Mão de Ferro totaliza nove pessoas presas vinculadas à organização criminosa, além do bloqueio judicial de valores que somam milhões de reais nas contas dos investigados.

“Vai gritar igual putinha”

Além do homem que implorou para viver, outras pessoas foram vítimas da organização criminosa. Outro vídeo obtido pelo Metrópoles mostra o homem sendo espancado (vídeo acima) com um pedaço de madeira: “Você não tem o costume de não pagar? Essa é a postura que a gente espera de um homem? Você acha que o meu dinheiro vem como?”.

As imagens são angustiantes. O homem se levanta e outro criminoso fala: “Senta”. Quando ele já está sentado, o criminoso aponta a arma para a vítima e diz: “O primeiro [tiro] vai ser no joelho. Você vai gritar igual putinha. Vai cagar, vai mijar”.

Prisão da advogada e do policial militar

O casal — Tatiane Meireles e Hebert Póvoa — foi preso em novembro do ano passado pela 5ª Delegacia Regional de Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal. Além deles, outros quatro policiais militares de Luziânia também foram capturados.

Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava como uma organização criminosa estruturada em um esquema de agiotagem, lavagem de dinheiro e extorsão. Na época, os agentes recolheram diversas armas e cerca de R$ 10 mil em espécie.

Em março, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspendeu a inscrição da advogada Tatiane Meireles. A OAB-GO disse que se trata de uma suspensão preventiva pelo prazo de 90 dias.


Mais detalhes:

  • De acordo com a PCGO, Tatiane Meireles, além de oferecer suporte jurídico para “blindar” a quadrilha, teria participado diretamente das cobranças, agindo com violência;
  • Em uma gravação, uma das vítimas — que é agredida e torturada — estava agachada no chão, resmungando de dor, chorando e sussurrando “Aí”;
  • Em outro vídeo obtido pelo Metrópoles, o casal aparece agradecendo e pedindo que o dinheiro, fruto das cobranças violentas, fosse “multiplicado”;
  • Tatiane conduz a reza enquanto o sargento acompanha em silêncio com as mãos sobre o montante: “Pedimos ao Pai amado que nós possamos multiplicar esse dinheiro”.

Imagens das prisões:

“Não quero morrer”: vítimas de extorsão eram torturadas no Entorno - destaque galeria
5 imagens
PM e advogada que foram presos em novembro de 2025
Os dois foragidos que foram presos
A vítima chorando enquanto é ameaçado e torturado
Outra vítima espancada
Hebert e Tatiane
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Hebert e Tatiane

PM e advogada que foram presos em novembro de 2025
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PM e advogada que foram presos em novembro de 2025

Reprodução / Redes sociais
Os dois foragidos que foram presos
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Os dois foragidos que foram presos

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A vítima chorando enquanto é ameaçado e torturado
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A vítima chorando enquanto é ameaçado e torturado

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Outra vítima espancada
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Outra vítima espancada

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A coluna Na Mira tenta localizar a defesa dos envolvidos citados. O espaço segue aberto para manifestações.

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