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Motoboy acusa PMs do DF de agressão: “A gente vai te exterminar”

Carlos da Silva, 25 anos, conta que foi abordado por uma equipe da PMDF após fazer uma entrega no Condomínio Total Ville, em Santa Maria

atualizado 31/12/2021 15:53

homem sentado com mão no rostoReprodução/Arquivo Pessoal

Um motoboy acusa policiais militares de agressão após fazer uma entrega de pizza na noite dessa quinta-feira (30/12). Segundo Carlos Diego da Silva Sousa, 25 anos, ele deixava o Condomínio Total Ville, em Santa Maria, em direção ao centro da cidade, quando foi abordado por uma van oficial da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) com sete militares.

De acordo com o entregador, ele trafegava na velocidade da via no momento em que os militares mandaram-no parar no acostamento. Ao descer da moto, com as mãos na cabeça, Carlos conta que levou um chute de um dos militares para permanecer de pernas abertas.

Em seguida, levou um soco nas costas. “Vieram para cima de mim, para bater, mesmo. Eu não entendi aquilo, aquela abordagem fora do padrão. Mandaram eu colocar a mão na cabeça, abaixar a cabeça, ficar caladinho. ‘Se gritar, a gente vai te exterminar’, disseram”, lembra o motoboy.

Veja o resultado das agressões:

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O motoboy gravou um trecho da abordagem. No áudio, é possível ouvir um dos militares pedindo para o entregador “respeitar a p* da polícia”, antes de liberá-lo.

Ouça:

Atordoado, o motoboy voltou para casa, também em Santa Maria, para pedir ajuda. Familiares chamaram uma ambulância da equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Confira no vídeo abaixo:

Na mesma noite, Carlos e alguns parentes tentaram identificaram os PMs envolvidos nas agressões no 26º Batalhão da Polícia Militar, em Santa Maria. Sem sucesso, seguiram para a 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria).

O motoboy passou a madrugada no Hospital Regional de Santa Maria por causa de dores nas costas.

Decepção

Eles me trataram como se eu fosse um vagabundo. Foi uma total decepção para mim”, lamenta o entregador. Desde 2017, Carlos estuda para realizar o sonho de se tornar policial militar do DF.

“Comecei a estudar por incentivo do meu irmão, que é policial militar em Mato Grosso. Sempre assisti aos vídeos motivacionais. Isso começou a dar certo desde que eu passei para uma vaga de policial temporário em Goiás”, relembra. “Não é porque isso aconteceu comigo que eu vou desistir”, explica.

O que diz a PMDF

Em nota, a PMDF informou ao Metrópoles que o motoboy deve comparecer à Corregedoria da corporação, munido das provas da materialidade das agressões, a fim de formalizar a denúncia. Após esse procedimento, todas as medidas cabíveis ao caso serão tomadas. Mais tarde, a corporação acrescentou o seguinte texto:

Os policiais militares que atenderam a ocorrência negam com veemência que, em momento algum, agrediram o motoboy. Ao contrário do que afirma o motoboy, o local da abordagem é bastante iluminado e bem movimentado. Os policiais relataram na ocorrência que o motoboy foi abordado por fazer uma ultrapassagem pela direita, no acostamento. Segundo o relato dos policiais, o motoboy estava alterado e pedindo para não ser abordado porque era trabalhador e estava atrasado para fazer uma entrega.

Os militares pediram para ele aguardar o preenchimento do auto de infração. O motoboy disse que não aguardaria porque a esposa ou o filho estaria passando mal. Os policiais explicaram que, caso ele tentasse se evadir do local, ele seria algemado para evitar a fuga. Depois de concluído o auto de infração, o motoboy foi liberado. Quase duas horas depois, os policiais que fizeram a abordagem souberam que o motoboy estava no 26º Batalhão alegando ter sido agredido pelos policiais. O motoboy disse que procurou atendimento do Samu e da 33ª Delegacia de Polícia.

Diante das denúncias, os próprios policiais orientaram o motoboy para procurar a Corregedoria da Polícia Militar“.

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