Na Mira

Jovem acusa coronel da FAB de xingá-la de “orangotango” em bar no DF

Episódio de injúria racial teria ocorrido por volta das 20h30 de quinta-feira (14/7), em bar localizado na 201 Sul

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A estudante de enfermagem Ellen Pereira da Silva, 23 anos, usou as redes sociais (veja vídeo abaixo) para denunciar que teria sido vítima de injúria racial em um bar localizado na 201 Sul. Segundo o relato da jovem, o autor das ofensas é o coronel aviador da Força Aérea Brasileira (FAB) Mauro Rogério Gomes Pessanha (foto em destaque). Ellen conta que o oficial se aproximou dela e de um amigo, na noite dessa quinta-feira (14/7), e xingou os dois de “chimpanzé” e “orangotango”. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abriu investigação sobre o caso.

A universitária conta que, por volta das 20h30, pouco depois de chegar ao estabelecimento, viu outra jovem sentada sozinha em uma mesa próxima à sua. Nesse instante, o militar começou a importuná-la. “Vimos ela super sem graça e chamamos para se sentar conosco”, disse.

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Crime imprescritível é aquele que não prescreve, ou seja, que será julgado independentemente do tempo em que ocorreu. No caso do racismo, a Constituição Federal de 1988 determina que, além de ser imprescritível, é inafiançável
O racismo está previsto na Lei 7.716/1989 e ocorre quando pessoas de um determinado grupo são discriminadas de uma forma geral. A pena prevista é de até 5 anos de reclusão
Segundo o advogado Newton Valeriano, “quando uma pessoa dona de um estabelecimento coloca uma placa informando "aqui não entra negro, ou não entra judeu", essa pessoa está cometendo discriminação contra todo um grupo e, dessa forma, responderá pela Lei do Racismo”
Ainda segundo o especialista, “no caso da injúria racial, prevista no Código Penal, a pena é reclusão de 1 a 3 anos, mais multa. Nesses casos, estão ofensas direcionadas a uma pessoa devido à cor e raça. Chamar uma pessoa de macaco, por exemplo, se enquadra neste crime”
Em situações como intolerância racial e religiosa, a vítima deve procurar as autoridades e narrar a situação. “Se o caso tiver sido filmado, é importante levar as imagens. Se não, a presença de uma testemunha é importante”, afirmou Valeriano
No Brasil, os termos racismo e injúria racial são utilizados para explicar crimes relacionados à intolerância contra raças. Apenas o primeiro é considerado imprescritível
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No Brasil, os termos racismo e injúria racial são utilizados para explicar crimes relacionados à intolerância contra raças. Apenas o primeiro é considerado imprescritível

Ilya Sereda / EyeEm
Crime imprescritível é aquele que não prescreve, ou seja, que será julgado independentemente do tempo em que ocorreu. No caso do racismo, a Constituição Federal de 1988 determina que, além de ser imprescritível, é inafiançável
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Crime imprescritível é aquele que não prescreve, ou seja, que será julgado independentemente do tempo em que ocorreu. No caso do racismo, a Constituição Federal de 1988 determina que, além de ser imprescritível, é inafiançável

Xavier Lorenzo
O racismo está previsto na Lei 7.716/1989 e ocorre quando pessoas de um determinado grupo são discriminadas de uma forma geral. A pena prevista é de até 5 anos de reclusão
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O racismo está previsto na Lei 7.716/1989 e ocorre quando pessoas de um determinado grupo são discriminadas de uma forma geral. A pena prevista é de até 5 anos de reclusão

Vladimir Vladimirov
Segundo o advogado Newton Valeriano, “quando uma pessoa dona de um estabelecimento coloca uma placa informando "aqui não entra negro, ou não entra judeu", essa pessoa está cometendo discriminação contra todo um grupo e, dessa forma, responderá pela Lei do Racismo”
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Segundo o advogado Newton Valeriano, “quando uma pessoa dona de um estabelecimento coloca uma placa informando "aqui não entra negro, ou não entra judeu", essa pessoa está cometendo discriminação contra todo um grupo e, dessa forma, responderá pela Lei do Racismo”

Dimitri Otis
Ainda segundo o especialista, “no caso da injúria racial, prevista no Código Penal, a pena é reclusão de 1 a 3 anos, mais multa. Nesses casos, estão ofensas direcionadas a uma pessoa devido à cor e raça. Chamar uma pessoa de macaco, por exemplo, se enquadra neste crime”
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Ainda segundo o especialista, “no caso da injúria racial, prevista no Código Penal, a pena é reclusão de 1 a 3 anos, mais multa. Nesses casos, estão ofensas direcionadas a uma pessoa devido à cor e raça. Chamar uma pessoa de macaco, por exemplo, se enquadra neste crime”

Aja Koska
Em situações como intolerância racial e religiosa, a vítima deve procurar as autoridades e narrar a situação. “Se o caso tiver sido filmado, é importante levar as imagens. Se não, a presença de uma testemunha é importante”, afirmou Valeriano
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Em situações como intolerância racial e religiosa, a vítima deve procurar as autoridades e narrar a situação. “Se o caso tiver sido filmado, é importante levar as imagens. Se não, a presença de uma testemunha é importante”, afirmou Valeriano

FilippoBacci
No caso do racismo, qualquer pessoa pode denunciar, independentemente de ter ou não sofrido a situação. Para isso, basta procurar uma delegacia e relatar o caso. Se for de injúria racial, no entanto, é necessário que a vítima procure pessoalmente as autoridades
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No caso do racismo, qualquer pessoa pode denunciar, independentemente de ter ou não sofrido a situação. Para isso, basta procurar uma delegacia e relatar o caso. Se for de injúria racial, no entanto, é necessário que a vítima procure pessoalmente as autoridades

LordHenriVoton
Além disso, a vítima também pode pedir uma reparação de danos morais na Justiça
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Além disso, a vítima também pode pedir uma reparação de danos morais na Justiça

LumiNola
Recentemente, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o crime de injúria racial é uma espécie de racismo e, portanto, é imprescritível. Os ministros chegaram ao posicionamento após analisarem o caso de uma idosa que chamou uma frentista de “negrinha nojenta, ignorante e atrevida”
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Recentemente, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o crime de injúria racial é uma espécie de racismo e, portanto, é imprescritível. Os ministros chegaram ao posicionamento após analisarem o caso de uma idosa que chamou uma frentista de “negrinha nojenta, ignorante e atrevida”

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Plenário do Senado Federal
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Plenário do Senado Federal

Waldemir Barreto/Agência Senado

Em seguida, o coronel se aproximou de Ellen e de seu amigo e começou a insultá-los. “Ele disse que era macho-alfa e, quando via uma fêmea sozinha, tinha de ir lá. Disse que tinha estudo e nós, não; que era coronel, que tinha influência na política, e que, para ele, éramos dois chimpanzés, dois orangotangos”, detalha.

“Quando eu tentei fingir que não estava ouvindo e virar de costas, ele ficou insistindo para que escutássemos”. Ela afirma que chamou um garçom para afastar o homem, mas o funcionário teria rido. No entanto, pouco tempo depois, um segurança retirou o coronel do ambiente. Ellen ainda relata que o militar fez gestos obscenos com mão antes de ir embora do bar.

“Cheguei em casa e refleti muito sobre. Passei a noite toda acordada, pensando no que eu poderia ter feito ou falado. O meu amigo também. A gente passa por situações assim constantemente. Além de sermos negros, ele é gay”, conta.

Veja o relato completo:

https://www.youtube.com/watch?v=mrIOYEJO4eU

O outro lado

O Metrópoles procurou Mauro Pessanha, que também é secretário de Finanças da Executiva Nacional do PTB. Por telefone, ele negou ter feito comentários racistas durante a interação que teve com os dois jovens no bar. “Passei 15 minutos no bar ontem, a convite de um amigo, e saí para outro local. Estávamos conversando e eu falei, em algum momento: ‘vocês têm raciocínio lento de orangotango?’. As duas pessoas são mais brancas do que eu, que sou negro”, argumentou.

O militar alega não ter acontecido “nada de mais” durante a conversa e resolveu sair de perto da mesa quando viu Ellen gravando. “Eu vi maldade ali”, disse.

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