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Homem cego e irmão são agredidos durante discussão por marmita extra
Segundo os relatos, as agressões teriam começado quando a dupla tentou comprar uma marmita extra no restaurante comunitário de Arniqueira
atualizado
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Dois homens, identificados como André Soares (foto em destaque) e Alexandre Soares, foram espancados por vigilantes dentro do Restaurante Comunitário de Arniqueira (DF). A agressão ocorreu na sexta-feira (3/4). Uma das vítimas é deficiente visual. Segundo os relatos, a confusão começou após a tentativa de compra de uma marmita extra.
Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), responsável pela gestão dos restaurantes comunitários do DF, lamentou o ocorrido e disse não compactuar com a conduta dos vigilantes, que estavam em fase de testes e foram desligados após a ocorrência.
A vítima, que é assessor de vendas e tem visão monocular (enxerga de apenas um olho), disse que ele e o irmão haviam feito as marmitas deles e, quando estavam indo ao caixa para pegar outra marmita — essa para a mãe —, foram abordados por um funcionário e teriam sido impedidos de realizar a compra. O restaurante tem uma quantidade limitada de refeições por CPF.
Ao ser barrada, a vítima se aproximou para questionar, momento em que outros vigilantes apareceram e começaram a espancar os irmãos.
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Os dois foram atacados, mas o assessor de vendas sofreu lesões mais aparentes, com socos, chutes e um objeto não identificado. O único olho com visão ficou sangrando, e o rosto do homem ficou todo ensanguentado.
A Sedes-DF contestou a versão dos irmãos dizendo que eles teriam agredido os funcionários, “quando foram orientados pelos vigilantes sobre o limite de duas marmitas por CPF e encaminhados à saída” ao retornarem à fila pela terceira vez para adquirir as marmitas.
“Imediatamente, os colaboradores da unidade acionaram o batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), bem como o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), que atenderam prontamente ao chamado”.
A coluna Na Mira conversou com a irmão das vítimas, Alinete Soares, que disse que a dupla vai todos os dias ao restaurante comunitário. “Não entendo o que aconteceu, por que agrediram os dois. O André inclusive está fazendo tratamento no Hospital de Barretos após a descoberta de um coágulo. Ele não podia ter nenhum impacto no olho”, ressaltou a parente. Ela disse que, do olho que André enxerga, ele tem apenas 30% da visão. “Isso foi uma tentativa de homicídio”, reforçou Alinete.
O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Segundo a 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), o caso é investigado como vias de fato, lesão corporal e injúria.




