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Grupo faz campana na porta da Colmeia para pegar falsa milionária da porrada
Do lado de fora, um grupo de pessoas inflamadas aguardava a saída da suspeita, todos com o mesmo objetivo: “Ter uma conversa” com ela
atualizado
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A soltura da estelionatária Otaciane Teixeira Coelho, 31 anos, após nove dias de prisão no Presídio Feminino do Distrito Federal (PFDF), no Gama, foi marcada por tensão, revolta e um esquema incomum de segurança. Do lado de fora da unidade prisional, um grupo de pessoas inflamadas aguardava a saída da suspeita, todos com o mesmo objetivo: “Ter uma conversa” com a mulher, apontada como responsável por um dos maiores golpes recentes na região.
A coluna Na Mira apurou que boa parte dos presentes era formada por vítimas diretas da investigada. Ao todo, mais de 160 pessoas teriam sido enganadas pelo esquema criminoso. O clima era de indignação e desejo de justiça imediata.
Diante do risco de confronto, a direção do presídio adotou uma medida extraordinária: autorizou que o veículo responsável por retirar a golpista se aproximasse diretamente do portão de entrada da unidade — algo fora do protocolo habitual. A estratégia permitiu que Otaciane deixasse a unidade prisional sem contato com o grupo que a aguardava.
Veja imagens da estelionatária:
Apreensão de pistola
Coincidência ou não, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) prendeu um homem nas proximidades do presídio portando uma pistola municiada. Segundo apuração da coluna, entre as vítimas da estelionatária há também policiais, o que aumenta ainda mais a gravidade e o potencial de risco da situação.
Otaciane Teixeira Coelho é investigada como integrante de um grupo criminoso especializado no chamado “golpe da falsa herança”, que tinha como alvo principal fiéis de igrejas evangélicas no Distrito Federal. A investigação está a cargo da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina).
De acordo com a Polícia Civil, a mulher costumava se apresentar como milionária e prometia doações vultosas, supostamente oriundas de heranças ou valores judiciais bloqueados. Para liberar os recursos, exigia pagamentos antecipados de taxas e tributos inexistentes — uma prática clássica de fraude.
Maior golpista
Considerada a maior golpista do Pará, Otaciane já havia sido presa em 2021 por crimes semelhantes. Na ocasião, ela se passava por herdeira de uma fortuna estimada em R$ 40 milhões. A coluna Na Mira também apurou que a suspeita responde a processos relacionados a golpes envolvendo a aquisição de aeronaves, esquema que teria gerado um lucro ilícito de cerca de R$ 15 milhões.
Otaciane, outras três mulheres e um homem foram presos em 14 de abril, durante a Operação Heres Ficta. O grupo deve responder por organização criminosa, estelionato, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro.
As investigações apontam que o esquema utilizava empresas de fachada e contas de terceiros para movimentar e ocultar os valores obtidos ilegalmente — prática típica de lavagem de capitais.
Alerta às vítimas
A Polícia Civil orienta que possíveis vítimas procurem uma delegacia para registrar ocorrência e reforça o alerta: é fundamental desconfiar de promessas de dinheiro fácil ou de doações condicionadas a pagamentos antecipados.
A coluna tenta contato com a defesa de Otaciane Teixeira. O espaço segue aberto para manifestações.






