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Ginecologista preso por estupro: sobe para 23 o número de denúncias
Investigações indicam 10 vítimas em Goiânia e 13 em Senador Canedo, com registros desde 2017
atualizado
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Subiu para 23 o número de vítimas que denunciam o médico ginecologista Marcelo Arantes e Silva por estupro de vulnerável, segundo a Polícia Civil de Goiás (PCGO). Os casos envolvem pacientes atendidas em consultórios e clínicas onde ele atuava, com relatos de exames de toque sem indicação médica e atos libidinosos sem consentimento.
Do total, 10 vítimas são de Goiânia e 13 de Senador Canedo. Os primeiros registros de ocorrência datam de 2017, em Senador Canedo, e um novo caso foi registrado em 2020, na Delegacia da Mulher em Goiânia. Em um dos episódios, o Ministério Público já apresentou denúncia à Justiça.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil cumpriu, nesta quinta-feira (24/4), mandado de prisão preventiva contra o médico, em Goiânia. Ele foi encaminhado ao presídio de Senador Canedo.
A corporação informou que outras possíveis vítimas ainda podem procurar as delegacias para registrar ocorrência. O inquérito segue em andamento.
Por nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial. O órgão destacou que denúncias relacionadas à conduta ética de profissionais são apuradas e tramitam sob sigilo, conforme o Código de Processo Ético-Profissional Médico.
Entenda dinâmica do crime
De acordo com a delegada Amanda Menuci, da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deam), o médico seguia um padrão de comportamento para se aproximar das vítimas:
- Inicialmente, ele buscava conquistar a confiança das pacientes durante as consultas.
- Com o tempo, os atendimentos passavam a incluir atitudes consideradas abusivas. Entre os relatos estão toques físicos sem consentimento e perguntas invasivas sobre a vida íntima das mulheres.
- As investigações apontam que o ginecologista realizava exames sem o uso de luvas e fazia comentários de cunho sexual durante os procedimentos.
- Em alguns casos, ele teria questionado as pacientes se estavam sentindo prazer naquele momento.
Por que o crime é tratado como estupro de vulnerável
A tipificação foi adotada porque o caso vai além de violação sexual mediante fraude, já que os fatos ocorreram em contexto de vulnerabilidade das pacientes durante atendimento médico.
“Naquele local, no ambiente clínico onde elas eram colocadas, estavam em completo estado de vulnerabilidade, incapazes de oferecer resistência, até pela posição física em que ficavam. A posição ginecológica, com as pernas abertas, muitas vezes até presas”, explicou Menuci durante coletiva.
Ela também destacou o aspecto psicológico da relação médico-paciente, em que as vítimas estavam sob autoridade do profissional e em desvantagem técnica em relação ao que ocorria.
Segundo a corporação, uma das vítimas relatou ter sido abusada mais de uma vez, com prática de sexo oral durante atendimento. Em uma das situações, mesmo ao retornar ao consultório acompanhada da filha, na tentativa de se sentir mais segura e evitar novas ocorrências, o comportamento criminoso teria se repetido.
“Ele não se intimidou com a presença de outra pessoa e voltou a praticar atos libidinosos, aumentando ainda mais o desconforto da paciente”, afirmou a delegada Amanda Menuci, da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deam).
O outro lado
A defesa do médico Marcelo Arantes disse, por meio de nota, que teme que o cliente seja vítima de julgamento e condenação antecipados junto à opinião pública.
“A superexposição pode gerar juízo antecipado de culpabilidade e pressionar indevidamente a formação da convicção antes da análise das provas. A presunção de inocência exige que conclusões ocorram apenas ao final da apuração formal”.
“Em um estado de direito, a culpa só se estabelece com o trânsito em julgado de uma sentença condenatória”, complementa a nota.






