Na Mira

Fraude de R$ 11 milhões: grupo abre contas falsas e desvia dinheiro

Operação da Polícia Civil do DF desarticulou um grupo criminoso suspeito de aplicar uma sofisticada fraude milionária com uso de “laranjas”

atualizado

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Prisão - Metrópoles
1 de 1 Prisão - Metrópoles - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A operação Vitruvio, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), desarticulou nesta sexta-feira (8/5) uma fraude milionária com uso de “laranjas”. Segundo as investigações, a organização criminosa criava perfis financeiros falsos para obter crédito e desviar bens. Mais de R$ 11 milhões foram bloqueados. 

Segundo a 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), responsável pela investigação, a organização criminosa atuava há mais de cinco anos manipulando identidades financeiras de vítimas. Os investigadores também apreenderam veículos usados pelo grupo.

Recrutamento e ocultação

As investigações apontam que a quadrilha recrutava pessoas de baixa renda, fornecia os documentos falsificados — especialmente comprovantes de renda e residência — e induzia essas vítimas a abrir contas e contratar consórcios.

O esquema operava com uma estratégia sofisticada: ele se autoalimentava. Os investigados utilizavam as contas bancárias em nome dos “laranjas” para obter empréstimos, cujos valores eram utilizados para ofertar lances em consórcios vinculados a outros “laranjas”. Esse procedimento criava um ciclo contínuo de fraude e ampliação do lucro.

Após a liberação das cartas de crédito, os criminosos comprava veículos e rapidamente os revendiam com deságio. Enquanto isso, paravam de pagar as parcelas do financiamento. As dívidas permaneciam em nome dos contratantes formais e os verdadeiros beneficiários do esquema permaneciam ocultos.

Padrão criminoso

A investigação contou com apoio fundamental da Unidade de Segurança Institucional que auxiliou na identificação do padrão criminoso e no fornecimento de dados estratégicos usados pelo grupo.

A estrutura da quadrilha revelava um núcleo familiar fortemente interligado. Duas irmãs constam como as principais integrantes da organização, além da participação de seus atuais companheiros e também ex-companheiros. Segundo a PCDF, o vínculo familiar evidencia um alto grau de confiança interna entre os envolvidos e uma divisão coordenada de funções.

Outro traço apontado pela investigação é que no grupo há predominância de homens com idades que variam entre 20 e 60 anos. Eles são distribuídos em diferentes níveis de atuação dentro do esquema.

Busca e apreensão no DF e Entorno

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas cidades do DF e Entorno, entre elas, Ceilândia (DF), Taguatinga (DF), Guará (DF), Vicente Pires (DF) e Águas Lindas de Goiás (GO).

Também foram expedidos mandados de prisão contra investigados identificados pelas iniciais K.C.B. (37 anos), R.F.S. (33 anos), L.A.R.N. (29 anos), L.S.F. (39 anos) e L.M. (31 anos).

Bloqueio de R$ 11 milhões

A ação resultou na apreensão de vários veículos comprados por meio dos golpes e usados ou revendidos pela organização criminosa. Os carros vão permanecer à disposição da Justiça e poderão ser alienados para ressarcimento parcial do prejuízo causado às vítimas, caso haja decisão judicial.

Também forma apreendidas armas de fogo usadas pelos integrantes do grupo. A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 11 milhões em contas vinculadas ao grupo, atingindo dezenas de contas bancárias utilizadas na fraude.

Operação Vitruvio

O nome da operação faz referência ao “Homem Vitruviano”, famoso desenho do pintor Leonardo da Vinci.

Associado a um símbolo da perfeição, o nome faz alusão à estratégia dos criminosos de transformar pessoas vulneráveis em “clientes ideais” para aprovação de crédito junto a instituições financeiras.

A operação contou com o apoio do Departamento de Operações Especiais (DOE) e do Departamento de Trânsito do DF (Detran/DF).

Os investigados vão responder pelos crimes de estelionato (art. 171 do Código Penal), organização criminosa (Lei nº 12.850/2013) e lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998). Se somadas, as penas ultrapassam 20 anos de reclusão, a depender da participação individual de cada integrante.

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