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Na Mira

FAB x PM: sargento que esfaqueou major em briga de trânsito é solto

Juiz que soltou sargento da FAB divergiu de magistrado que manteve prisão e classificou agressão como ato de “audácia e crueldade”

04/10/2025 02:10, atualizado 04/10/2025 13:09
Imagem cedida ao Metrópoles
Sargento da FAB que esfaqueou major da PM em briga de trânsito é solto

O sargento da Força Aérea Brasileira (FAB) Pedro Luiz Souza Pinto, acusado de golpear com ao menos sete facadas o major da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Renato Moreira Martins, em uma discussão de trânsito, foi solto após recurso da defesa em 25 de setembro. Ele havia tido a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada em 9 de setembro.

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“Evidente periculosidade social”

Antes de Pedro ganhar liberdade, o juiz da Vara Criminal de Alexânia, Fernando Augusto Chacha de Rezende, havia mantido a prisão preventiva do sargento, por considerar que o crime foi cometido com “audácia e crueldade”. Ainda segundo o magistrado, a liberdade dele representava risco à ordem pública e demonstrava “evidente periculosidade social”.

No entanto, a defesa recorreu, e o relator do caso na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás, juiz Hamilton Gomes Carneiro, entendeu que a agressão não se tratava de rixa antiga, mas de um desentendimento de trânsito. Com esse argumento, determinou a libertação do militar.

Veja trecho da audiência:

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Entenda o caso:

  • A briga ocorreu em 7 de setembro, na BR-060, em Alexânia (GO), no Entorno do Distrito Federal.
  • O episódio terminou com o major ferido no abdômen, no tórax, nas mãos e na perna.
  • A gravidade dos ferimentos forçou a transferência do major de um hospital em Alexânia para Brasília.
  • O caso foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia de Águas Lindas como lesão corporal grave.

Veja imagens: 

FAB x PM: sargento que esfaqueou major em briga de trânsito é solto - destaque galeria
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Panturrilha esfaqueada
Costas da vítima
Barriga do major
Os dedos cortados do major da PMDF
Termo de apreensão que menciona faca
Major hospitalizado
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Major hospitalizado

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Panturrilha esfaqueada
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Panturrilha esfaqueada

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Costas da vítima
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Costas da vítima

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Barriga do major
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Barriga do major

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Os dedos cortados do major da PMDF
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Os dedos cortados do major da PMDF

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Termo de apreensão que menciona faca
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Termo de apreensão que menciona faca

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Faca que o militar da FAB usou para esfaquear o major da PM
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Faca que o militar da FAB usou para esfaquear o major da PM

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Mulher e filho viram major da PM ser esfaqueado por sargento da FAB
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Mulher e filho viram major da PM ser esfaqueado por sargento da FAB

Reprodução / @recantoalerta_oficial
Pedro Luiz Souza Pinto
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Pedro Luiz Souza Pinto

Reprodução / Redes sociais

A versão da defesa

A advogada Patrícia Zapponi, que representa o sargento, procurou a coluna Na Mira para esclarecer pontos sobre o caso. Ela afirmou que, na época do crime, nem Pedro nem sua esposa, Ana Bárbara Caliman Souza da Silva Pinto, foram ouvidos formalmente pela polícia.

Segundo Zapponi, Ana chegou a relatar no processo que a família voltava de um aniversário em Anápolis (GO) com a filha de 2 anos quando um veículo começou a fechar o carro de Pedro, forçando-o a parar. O condutor, segundo ela, gritava e gesticulava.

Ana afirmou que, ao sair do carro, o marido foi agredido e arrastado para o gramado. Ela disse que pediu calma e socorro da janela do veículo. Em seguida, o outro motorista se identificou como policial, e Pedro respondeu que era sargento da Aeronáutica.

De acordo com a esposa, a faca só foi usada para tentar que o marido fosse solto, já que estava sendo agredido. Uma testemunha teria retirado a arma e guardado em outro veículo, mas, depois, a esposa do major a pegou novamente. Ana ainda relatou ter temido que o policial e o filho matassem seu marido.

A defesa também alegou que documentos de Pedro teriam sido recolhidos pela esposa do major e nunca devolvidos.

Questionada sobre o motivo de Pedro portar uma faca, a advogada afirmou que o militar carregava um canivete por ser integrante da equipe de salvamento da Aeronáutica. “Se precisar cortar um cinto de segurança, ele está preparado. Além disso, tem uma filha pequena, e pode ser necessário usá-lo em situações simples, como cortar uma fruta”, disse.

A defesa do sargento da FAB afirmou que Pedro foi impedido de prestar depoimento à polícia, mas Zapponi conseguiu que ele fosse ouvido depois, já preso.

Veja o que o sargento disse em depoimento: 

Leia, na íntegra, a nota da defesa do sargento da FAB:

Na qualidade de sua defensora e em seu nome, o Sargento da Força Aérea Brasileira, Pedro Luiz Souza Pinto, apresentamos esta nota para contextualizar os fatos relacionados ao incidente de 07 de setembro de 2025, na BR-060, em Alexânia, que resultou em uma agressão e sua prisão. É crucial esclarecer a dinâmica dos eventos, conforme detalhado nos autos do processo nº 5723889-21.2025.8.09.0011, que contradiz algumas narrativas iniciais.

As provas e depoimentos colhidos no Inquérito Policial demonstram que o Sargento Pedro Luiz, acompanhado de sua esposa e filha, foi vítima de uma agressão brutal e injusta. Após um desentendimento no trânsito, ele foi imobilizado ao solo pelo Major Renato Moreira Martins com uma técnica de jiu-jítsu (“esgana galo” ou “mata-leão”) e, simultaneamente, agredido com socos na nuca e cotoveladas pelo filho do Major.

Conforme seu próprio depoimento, em situação de iminente perigo e sentindo que perdia a consciência, o Sargento Pedro utilizou um canivete que portava para se desvencilhar da agressão. Ele agiu sem a intenção de matar, mas sim para repelir a agressão e proteger sua vida e a de sua família, que presenciou a cena de dentro do veículo. Cessada a agressão, o Sargento Pedro também cessou sua reação.

Importante ressaltar que o Relatório Final da Polícia Civil, embora detalhe as condutas de todas as partes, não procedeu ao indiciamento do Sargento Pedro Luiz Souza Pinto, encaminhando o caso ao Ministério Público para avaliação diante de um quadro de “mútuas agressões”. Esta conclusão da autoridade policial reflete a complexidade do incidente e a participação ativa de múltiplos envolvidos, apoiando a tese de legítima defesa.

Reiteramos o compromisso com a verdade e solicitamos que a cobertura midiática reflita a totalidade dos fatos e as circunstâncias da legítima defesa, contribuindo para uma compreensão justa e imparcial do ocorrido.