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Exclusivo: polícia conclui inquérito e descobre quem incendiou casa de praia de Rueda

Duas diaristas e dois seguranças foram indiciados. A suspeita da polícia é de que haja um mandante, mas nenhum acusado detalhou o ocorrido

atualizado

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Breno Ezaki/Metrópoles e Material cedido ao Metrópoles
Rueda
1 de 1 Rueda - Foto: Breno Ezaki/Metrópoles e Material cedido ao Metrópoles

Após dois anos de investigação, a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) descobriu quem são os autores do incêndio criminoso que destruiu parcialmente as casas de veraneio de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e da irmã dele, Emília Rueda, tesoureira da sigla. O que parecia ser um ataque político, envolto em mistério, revelou-se, na verdade, uma trama articulada por um grupo com laços familiares e profissionais estreitos.

Duas diaristas e dois seguranças foram indiciados. A suspeita da polícia é de que haja um mandante, mas nenhum dos acusados detalhou como ocorreu o crime e quem o teria encomendado. O inquérito e todas as investigações foram conduzidas pelo delegado Ney Luiz Rodrigues.

Todos os indiciados possuem algum tipo de relação familiar. O incêndio, ocorrido na Praia de Toquinho, em 11 de março de 2024, não deixou rastros de arrombamento em uma das residências, a primeira pista de que o “inimigo” estava mais próximo do que se imaginava.

Rueda estava em Miami, nos Estados Unidos, quando recebeu a notícia de que os dois imóveis da família, que ficam lado a lado, haviam sido incendiados simultaneamente no condomínio da praia de Toquinho, próximo a Porto de Galinhas.

Foram indiciadas as diaristas Maria das Dores dos Santos Maciel, que trabalhava em uma casa a 50 metros das residências destruídas pelo fogo, e Maria Valéria dos Santos, que cuidava da casa de Emília Rueda e tinha acesso a todas as chaves do imóvel. Dois seguranças também foram indiciados: José Pereira Gomes, marido de Maria das Dores, e Aluísio Ângelo da Silva, colega de José.

A descoberta do crime

Logo após o incêndio, a delegacia responsável determinou uma série de diligências. Equipes do Instituto de Criminalística e do grupo especializado em papiloscopia, conhecido como Rastreamento Técnico de Revelação de Impressões Ocultas (Rastro), foram enviadas ao local.

Os peritos constataram pontos fundamentais, como o fato de os incêndios terem ocorrido praticamente ao mesmo tempo nas duas casas. Dentro dos imóveis também havia múltiplos focos de fogo, indicando ação criminosa coordenada.

A casa de Maria Emília não apresentava sinais de arrombamento, ao contrário do imóvel de Antônio Rueda. Esse último detalhe se tornaria decisivo para direcionar a investigação.

Os investigadores passaram a mapear quem tinha acesso às residências e quem trabalhava no entorno do condomínio. Foi nesse levantamento que surgiu o nome de Maria Valéria, funcionária da casa de Maria Emília.

Ela trabalhava como faxineira na residência e possuía as chaves do imóvel, o que explicava por que a casa não havia sido arrombada.


Os indiciados

 José Pereira Gomes: coordenador e executor do crime

  • Apontado como peça central, José Pereira estava de plantão como segurança na Usina Petribu na noite do crime. No entanto, o sinal do telefone funcional da empresa, que deveria estar fixo na usina, foi captado pela antena que cobre o condomínio Toquinho no exato momento do incêndio.
  • A prova: registros mostram que ele realizou seis ligações para sua esposa durante o crime e tentou apagar o histórico do aparelho para ocultar o rastro. Além disso, um comprovante de Pix para um posto de combustíveis na data do fato reforça a tese de compra de um líquido inflamável usado no incêndio.

Maria das Dores dos Santos Maciel: a informante

  • Esposa de José Pereira, ela trabalha como diarista em uma casa a menos de 50 metros das residências incendiadas.
  • A participação: a polícia acredita que ela prestou auxílio direto, repassando informações em tempo real. Em depoimento, ela mentiu ao dizer que só soube do incêndio dois dias depois pela TV. A investigação provou que ela recebeu diversas ligações do marido no momento das chamas.

Aluisio Angelo da Silva: o especialista em incêndios

  • Colega de José Pereira, Aluísio tentou criar um álibi dizendo que estava de folga em um vilarejo chamado Paudalho. A escala de serviço e o sinal de seu celular pessoal o desmentiram, colocando-o dentro do condomínio no horário do crime.
  • A Polícia Civil descobriu que Aluísio possui 20 boletins de ocorrência registrados por ele mesmo sobre incêndios em plantações de cana-de-açúcar em seu antigo emprego. Para os investigadores, isso demonstra um modus operandi especializado em provocar grandes incêndios.

Maria Valéria dos Santos: a chave do imóvel

  • Funcionária de confiança de Emília Rueda e cunhada de José Pereira, Maria Valéria detinha as chaves da casa.
  • A perícia técnica confirmou que a casa de Emília Rueda não foi arrombada, ao contrário da de Antônio. Isso aponta que Valéria facilitou a entrada dos executores, permitindo que o fogo fosse iniciado por dentro sem deixar sinais de violência na estrutura.

Contradições nos depoimentos

Durante os depoimentos iniciais, inconsistências começaram a aparecer. Maria das Dores, a diarista que trabalhava em uma casa a menos de 50 metros das residências incendiadas, disse à polícia que só soube do incêndio dois dias depois pela televisão.

No entanto, ela omitiu inicialmente que trabalhava praticamente ao lado das casas incendiadas e afirmou que havia estado no condomínio apenas dias antes do incêndio. Depois, mudou sua versão e disse ter estado no local na véspera do crime. As divergências chamaram a atenção da polícia.

Um dos elementos mais importantes da investigação veio da análise de dados telefônicos. A polícia identificou diversas ligações feitas a partir de uma linha telefônica pertencente à Usina Petribu, utilizada pelos seguranças do condomínio da empresa.

O aparelho deveria permanecer apenas dentro do condomínio Petribu, mas o rastreamento de antenas revelou que o telefone estava na área do Condomínio Toquinho, exatamente onde ocorreu o incêndio.

Naquela noite, quem estava com o aparelho era José Pereira Gomes, que trabalhava como segurança. Os registros mostraram algo suspeito: seis ligações feitas para Maria das Dores, esposa dele, e os horários coincidiam com o momento do incêndio. Quando os policiais analisaram o telefone funcional, perceberam que parte do histórico de chamadas havia sido apagada.

A Polícia Civil de Pernambuco concluiu que o incêndio foi cometido por um grupo organizado de pessoas interligadas por vínculos familiares e profissionais. A perícia reforçou essa conclusão ao identificar múltiplos focos de fogo iniciados simultaneamente, o que indica a atuação de mais de um executor dentro das casas.

Os suspeitos foram formalmente indiciados por incêndio criminoso qualificado e associação criminosa, após a polícia entender que houve planejamento, divisão de tarefas e tentativa de ocultação de provas.

Segundo Rueda, apesar da identificação dos suspeitos, a investigação ainda precisa apontar quem seria o mandante e a motivação para o crime: “”Eu acredito muito na Justiça e tenho certeza de que o mandante do crime será apontado pelas autoridades policiais”, disse.

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