Ex-funcionário desvia R$ 1 milhão de atacadista e paga de patrão em baladas
Com rastro de estelionatso que começou contra o próprio pai, Leonardo Siqueira Alves usou a extrema confiança de empresários para dar golpe

A farsa montada pelo brasiliense Leonardo Siqueira Alves, 26 anos, teve seu marco zero em julho de 2026, após um suposto e dramático desaparecimento a caminho de São Paulo ter mobilizado as autoridades da capital paulista e do DF. Alegando que viajava para negociar a venda de um automóvel, o jovem permaneceu desaparecido por cinco dias, levantando o temor de parentes e amigos.
A aparente tragédia, contudo, ruiu rapidamente com sua localização pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF): o sumiço nada mais era do que uma manobra calculada para encobrir um rastro de traições financeiras e golpes que haviam começado na intimidade da própria família.
Na madrugada de 18 de julho de 2026, poucos dias após Leonardo ser localizado com vida pela PCDF, o pai dele, o aposentado Gabriel Alves dos Santos, compareceu à delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência estarrecedor contra o filho.
Economias da vida
Gabriel revelou aos investigadores que havia confiado a Leonardo a gestão de todas as economias de uma vida, fruto de verbas de aposentadoria e da venda de um imóvel familiar, totalizando aproximadamente R$ 1 milhão aplicados em contas no Brasil e no exterior.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO pai explicou que os valores foram investidos em nome do próprio filho para que ele realizasse as movimentações e aplicações financeiras necessárias. No entanto, em março daquele ano, Leonardo passou a realizar diversas retiradas desautorizadas das consultorias de investimento.
Um consultor financeiro entrou em contato com Gabriel e informou a sangria de R$ 63.812,46 de uma das contas. Ao ser questionado, o jovem prometeu explicações, mas parou de responder, vendeu um automóvel do pai e simulou o próprio desaparecimento.
Veja imagens:
Histórico de golpes
Mesmo carregando esse histórico de estelionato e a investigação aberta pelo pai, Leonardo conseguiu uma cartada inacreditável no mercado de trabalho da capital. Um respeitado empresário do Distrito Federal, amigo da família, e dono de uma rede de mercados atacadistas, resolveu dar uma oportunidade ao jovem e o empregou em uma de suas empresas.
Ao longo de seis anos, o empresário confiou plenamente no funcionário, chegando a conceder senhas e acesso total às contas bancárias da empresa, além de treiná-lo pessoalmente para movimentar grandes quantias e controlar todo o fluxo de caixa.
Os desfalques, porém, não demoraram a aparecer. Aproveitando-se dos acessos, Leonardo passou a realizar uma série de transferências bancárias para contas de pessoas ligadas a ele e para empresas pertencentes a amigos dele, como uma loja de veículos da região.
Rotina incompatível
Mesmo recebendo um salário mensal de cerca de R$ 5 mil, Leonardo passou a ostentar uma rotina incompatível com seus rendimentos, circulando com uma frota de veículos de alto luxo que incluía uma Range Rover Velar, um Audi e outros três automóveis de alto valor.
Além disso, o jovem virou figura constante em festas exclusivas, bancando a noitada dos amigos com combos de bebidas que chegavam a R$ 900. As apurações indicam ainda que Leonardo usava o dinheiro das contas da empresa para emprestar a juros, atuando como agiota e faturando alto sobre o capital desviado.
Ao descobrir as inconsistências financeiras, o empresário demitiu o funcionário e iniciou um pente-fino rigoroso nas contas corporativas, identificando desvios que podem passar de R$ 1 milhão. O caso deu origem a um novo inquérito instaurado na 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul, para apurar mais essa ação criminosa do golpista.
Extrema confiança
Paralelamente, a audácia do estelionatário atingiu outro grupo empresarial. Há cerca de seis anos, Leonardo havia sido contratado por outro empresário do Distrito Federal para atuar como seu assessor pessoal. Por ser sobrinho do sócio do empresário, Leonardo gozava de extrema confiança e mantinha livre acesso às contas bancárias pessoais e empresariais do chefe, gerenciando recebimentos, pagamentos e possuindo inclusive procuração pública para representar a empresa perante órgãos públicos.
O golpe decisivo contra este empresário ocorreu durante uma ausência de oito meses do chefe, entre 29 de fevereiro e 25 de outubro de 2024. Nesse período, aproveitando que as contas do empresário estavam bloqueadas, Leonardo começou a se apropriar do dinheiro em espécie enviado por outro sócio para custear as despesas operacionais. Além de ficar com parte dos valores em dinheiro vivo, Leonardo passou a realizar sucessivas transferências da conta jurídica da empresa para sua própria conta física, acumulando um desfalque de aproximadamente R$ 1 milhão.
A coluna Na Mira procurou Leonardo, para se pronunciar sobre as acusações, mas o suspeito não havia respondido aos questionamentos da reportagem até a última atualização deste texto.














