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Na Mira

Estelionatário dá "golpe do balcão" em PM dentro de revendedora de veículos

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura a atuação de um suposto estelionatário envolvido no chamado “golpe de balcão”, modalidade criminosa que utiliza a fachada, a estrutura física e a credibilidade de lojas de veículos seminovos para enganar clientes.

25/08/2026 20:25
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Renault Kwid branco

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura a atuação de um suposto estelionatário envolvido no chamado “golpe de balcão”, modalidade criminosa que utiliza a fachada, a estrutura física e a credibilidade de lojas de veículos seminovos para enganar clientes.

O caso mais recente envolveu um policial militar do DF, o cabo Marcelo Braga Silva Araújo, que amargou um prejuízo de R$ 25 mil e ficou sem o seu automóvel após negociá-lo dentro de uma revendedora estabelecida no Núcleo Bandeirante. A ocorrência teve início em 15 de abril deste ano, quando o policial militar deixou seu veículo, um Renault Kwid Zen, ano 2022, consignado para venda no pátio da loja.

Durante o período em que o automóvel permaneceu no estabelecimento, a vítima foi atendida pela recepção e apresentada a um homem identificado como Gabriel Rodrigues Ferreira. De acordo com o depoimento prestado à Polícia Civil pelo militar, Gabriel atuava no interior da empresa com total autonomia, apresentando-se ostensivamente como sócio do proprietário da loja. Confiando no respaldo institucional e na estrutura física do estabelecimento, a vítima iniciou as tratativas para a venda de seu automóvel.

Veja prints da conversa entre o PM e o vendedor:

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“Comprador certo”

Em declaração prestada aos investigadores, a vítima desabafou sobre a revolta de ver o golpe ser aplicado dentro de uma loja aberta ao público, mesmo com os envolvidos sabendo perfeitamente de sua condição de policial militar.

Pouco tempo após a consignação, Gabriel acionou o PM afirmando que já possuía um comprador certo para o automóvel, o qual ficaria, segundo uma das versões apresentadas, para a própria esposa do negociador. Com essa narrativa bem elaborada, Gabriel convenceu o militar a autorizar a retirada do veículo da loja para viabilizar os trâmites finais da suposta venda.

Induzido pela promessa de pagamento integral e sob a garantia visual da revendedora, Marcelo assinou eletronicamente, em 8 de maio de 2026, a Autorização para Transferência de Propriedade do Veículo (ATPV), formalizando a transferência pelo valor ajustado de R$ 39 mil.

Veja imagens do carro do PM:

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Fraude refinada

Contudo, a concretização do negócio revelou-se uma fraude refinada, onde o proprietário recebeu apenas um sinal de R$ 14 mil via Pix, enquanto o saldo remanescente de R$ 25 mil jamais foi repassado. Para agravar a situação, o veículo foi rapidamente repassado a terceiros sem que houvesse a devida quitação financeira ou regularização no órgão de trânsito.

Após sucessivas cobranças sem sucesso ao longo de três meses, Gabriel assinou um documento formal de confissão de dívida, no qual reconhecia a obrigação de quitar os R$ 25 mil pendentes, compromisso que acabou sendo totalmente descumprido.

Em nova tentativa de ludibriar o militar, Gabriel chegou a oferecer como garantia do débito a cota da sociedade de uma outra loja comercial. Investigações posteriores revelaram que o estabelecimento já havia sido transferido para terceiros antes da oferta, caracterizando mais um artifício fraudulento para procrastinar o pagamento e induzir a vítima em erro.

O outro lado

Procurado pela coluna, Gabriel afirmou que “não existe venda fraudulenta” e mesmo após três meses de o carro ser vendido, o suposto vendedor ressaltou que o policial ainda irá receber os valores referentes à venda do veículos.

” Ele irá receber.  Já foi passado R$ 14 mil. Hoje estamos em ligação e meu advogado está entrando em contato por via judicial pra homologação de um acordo formal. Em nenhum momento eu me recusei a pagar”, disse.