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Na Mira

Desnorteado, homem "frita" e perde o controle durante Festa da Lili

Imagens mostram jovem desorientado caindo no chão e correndo em círculos durante último dia de Festa da Lili

20/08/2026 04:15
KEBEC NOGUEIRA/METROPOLES @kebecfotografo
Gisele e Tina Festa da Lili tem feira da droga com Pix no banheiro metropoles

Um vídeo gravado durante a apuração da coluna Na Mira sobre tráfico de drogas, registrou o retrato sem filtros dos perigos associados ao uso indevido de substâncias sintéticas durante grandes eventos de música eletrônica na capital. Gravadas no Setor de Clubes Sul, durante o encerramento da Festa da Lili, no último domingo (16/8), as imagens mostram um homem sob forte efeito de entorpecentes jogado ao chão, movimentando-se de forma completamente desordenada.

Nas imagens, em um estado visível de desorientação e perda de controle motor, o homem tenta se apoiar e se “pendura” em uma pessoa próxima antes de perder novamente o rumo e sair correndo em círculos pelo local.

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A cena é um reflexo direto da ação devastadora das drogas sintéticas amplamente disseminadas no circuito. Esse tipo de entorpecente provoca alterações severas no sistema nervoso central, resultando em estados transitórios de euforia, seguidos por manifestações físicas graves como náuseas, tonturas intensas, espasmos e perda total da coordenação motora.

Suntuosidade e crime

A cena registrada no domingo foi o clímax de um fim de semana marcado por contrastes na estrutura do evento. Com uma cenografia faraônica e números dignos dos maiores festivais internacionais, a Festa da Lili havia lotado o gramado do Estádio Nacional Mané Garrincha no último sábado (15/8). O conceito da “Cidade Esmeralda” impressionou o público pelo impacto visual, transformando a arena em um espetáculo de luzes e som grave.

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Porém, longe do brilho do palco principal, a reportagem monitorou uma “festa velada” e ostensiva, que transcorria sem qualquer tipo de fiscalização. A verdadeira rotina underground concentrou-se nos banheiros do estádio, mantidos sob lotação máxima durante toda a madrugada.

Com os mictórios surpreendentemente vazios, filas desordenadas se formavam na porta das cabines reservadas. Espremidos em grupos de três a quatro pessoas por cubículo, frequentadores usavam o espaço exclusivamente para o consumo e transações de entorpecentes.

Tráfico facilitado

Os banheiros masculinos viraram o epicentro do comércio ilegal, frequentados inclusive por mulheres, sem qualquer barreira ou constrangimento. A facilidade de circulação das substâncias apontou para falhas graves na revista de segurança nos portões de acesso.

A desenvoltura dos traficantes era impressionante. Encostados nas pilastras ao lado das cabines, eles operavam as vendas de forma veloz e adaptada aos novos tempos: o pagamento era efetuado em tempo real via Pix. Após a confirmação do saldo na tela do celular, envelopes com pó e frascos de substâncias líquidas eram entregues imediatamente.

Entre as substâncias mais consumidas estava o GHB (ácido gama-hidroxibutírico) — depressor do sistema nervoso central popularmente chamado nas pistas pelo apelido “Gisele”.

Com o avançar da madrugada, a preocupação deu lugar ao desespero. Muitos frequentadores abandonaram a discrição dos banheiros e passaram a misturar drogas em garrafas de bebidas isotônicas ou a pingar substâncias líquidas diretamente nos olhos, como se fossem colírios.

O excesso de substâncias cobrou um preço rápido. Diversos jovens não resistiram ao baque químico e desabaram no piso de concreto. Pelo menos quatro pessoas precisaram ser socorridas às pressas e levadas em estado crítico para a enfermaria do evento até as 3h da manhã, contorcendo-se em convulsões e colapsos físicos.

Procurada pela reportagem, a organização da Festa da Lili se pronunciou, dizendo que colabora com as autoridades nas investigações.

Leia a nota na íntegra:

A Festa da Lili investe de forma permanente em medidas rigorosas de segurança para preservar a integridade do público e o bom funcionamento dos eventos. Todos os participantes estão sujeitos a procedimentos de revista realizados pela equipe de segurança, além de haver monitoramento interno das diferentes áreas e ambientes das festas.

Esses protocolos também resultam em intervenções imediatas sempre que são identificadas condutas incompatíveis com as regras do evento. Somente na noite do último sábado, 17 pagantes foram retirados da festa pela equipe de segurança após ocorrências identificadas durante o monitoramento interno.

A organização também atua em cooperação com as forças de segurança pública, inclusive auxiliando na identificação de movimentações consideradas suspeitas e colaborando com operações realizadas durante os eventos, inclusive com a presença de policiais à paisana.

Em relação às investigações mencionadas, não temos acesso aos seus detalhes e, por isso, não seria responsável antecipar conclusões sobre fatos que não nos foram formalmente apresentados. Reforçamos, porém, que qualquer irregularidade identificada dentro do evento é tratada com rigor e, quando necessário, comunicada e encaminhada às autoridades competentes e até o banimento do CPF de pagantes em eventos futuros.

A Festa da Lili permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e continuará colaborando integralmente com as autoridades.