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Na Mira

Delegada que namora líder do PCC "Gordão" ficará presa em cela especial

Após passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (16/10), investigada não irá para presídio feminino comum e aguardará transferência

15/10/2026 18:12, atualizado 15/10/2026 18:15
Reprodução
Mulher loira segurando arma

A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, presa sob a suspeita de vazar dados sigilosos para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), permanecerá detida em uma cela especial da Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A decisão foi formalizada após a realização da audiência de custódia nesta quinta-feira (16/10).

Inicialmente, a servidora pública ficará instalada na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE). A medida possui respaldo em Lei Orgânica da corporação e assegura que a delegada permaneça sob custódia da própria Polícia Civil do DF, impedindo a transferência imediata ou o ingresso no sistema penitenciário feminino comum. Nos próximos dias, ela deverá ser recambiada para Pernambuco, local de origem do mandado e sede do inquérito.

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A prisão de Maria Virgínia ocorreu em um hotel localizado no Setor Hoteleiro Norte, no centro da capital federal, em ação coordenada da Polícia Civil. Simultaneamente, Renato Henrique do Carmo, conhecido pelo apelido de “Gordão” e apontado como liderança expressiva do PCC, foi capturado em um resort de luxo em Recife (PE).

Relação amorosa

As apurações policiais indicam que a delegada mantinha um relacionamento amoroso com Renato Henrique, que atua na região de Muro Alto, em Ipojuca (PE). O investigado já havia sido detido em janeiro de 2025 no âmbito da mesma operação e colocado em liberdade posteriormente.

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A investigação aponta que a servidora teria recebido propina no valor de R$ 50 mil para repassar informações confidenciais, garantir proteção institucional e conceder acesso indevido a systems restritos de segurança pública para membros da organização criminosa.

A ofensiva integra a Operação Sinalagma, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco para desarticular uma rede interestadual voltada ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O esquema financeiro do grupo teria movimentado mais de R$ 14 milhões.

Sinalagma

O nome da operação faz referência ao conceito jurídico de “sinalagma” — reciprocidade de obrigações —, simbolizando a troca direta de propina por facilidades prestadas por agentes públicos.

A investigação identificou o uso de empresas de fachada, laranjas e documentos falsos no esquema. A apuração apoiou-se na perícia telemática do celular apreendido do suspeito e em dados fornecidos pelo Coaf, revelando a prática de crimes como corrupção ativa e passiva, violação de sigilo e organização criminosa.

A análise telemática do aparelho celular de “Gordão”, apreendido após sua primeira prisão e periciado mediante autorização judicial, foi decisiva para revelar as conexões com a delegada e identificar outros integrantes do grupo criminoso.

Com a consolidação da custódia na DCCP e o término dos procedimentos de praxe no Distrito Federal, as autoridades locais e pernambucanas finalizam os trâmites do recambiamento interestadual.