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Corretora fake faz “arrastão” na Asa Sul e deixa rastro de vítimas
Para dar credibilidade à farsa, a picareta mostrava uma carteira de corretor em nome de uma profissional real do mercado imobiliário
atualizado
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Uma estelionatária habilidosa e audaciosa transformou prédios de alto padrão do Plano Piloto, em Brasília, em cenário de um golpe engenhoso que já deixou um rastro de prejuízos e indignação. Escolhendo edifícios em áreas valorizadas, especialmente na Asa Sul, a criminosa se aproveitava do sonho da casa nova para aplicar fraudes com aparência de total legalidade.
O método era sempre parecido e cuidadosamente planejado. A mulher se apresentava como corretora de imóveis, exibia documentos e utilizava fotos e o nome de uma profissional real do mercado imobiliário que não tinha qualquer conhecimento do esquema.
Para dar ainda mais credibilidade à farsa, a corretora fake mostrava uma carteira profissional em nome de outra pessoa e conduzia interessados até prédios residenciais onde unidades estariam supostamente disponíveis para locação.
A dimensão do golpe começou a vir à tona quando, em um único edifício na Asa Sul, o síndico identificou ao menos 10 vítimas que afirmaram ter sido enganadas pela falsa corretora. Todas relataram a mesmo método.
A fisgada acontecia após visualizar anúncios atrativos com fotos bem produzidas, mas falsas. Muitas vezes, as imagens eram retiradas aleatoriamente da internet. O artifício fazia com que as vítimas entrassem em contato com a suposta corretora.
Veja prints de mensagens da golpista:
Pagamento Imediato
Durante a negociação, a golpista informava que havia grande procura pelo imóvel e que, para garantir a “reserva”, seria necessário o pagamento imediato de um valor caução. A justificativa era simples e convincente: o montante asseguraria prioridade na locação até a assinatura do contrato.
Pressionadas pelo medo de perder a oportunidade, as vítimas realizavam a transferência. Logo depois do pagamento, porém, a criminosa desaparecia. Bloqueava contatos, retirava os anúncios do ar e não comparecia mais ao local.
Imóvel nunca esteve disponível
Um dos casos mais recentes envolve o apartamento da mãe de uma moradora da Asa Sul. Desde 29 de outubro de 2025, a família passou a ser surpreendida pela presença frequente de desconhecidos na porta do imóvel.
De acordo com a proprietária de um dos imóveis , aproximadamente seis pessoas já haviam comparecido ao endereço acompanhadas pela mulher que se apresentava como corretora.
A falsa profissional afirmava que o apartamento estaria disponível para aluguel. A moradora esclareceu à polícia que jamais autorizou qualquer intermediação imobiliária e que o imóvel nunca esteve anunciado para locação ou venda em nenhuma plataforma. Também não existe autorização de corretagem em vigor.
A suspeita continuou marcando visitas e solicitando caução dos interessados, alegando que o pagamento seria necessário para garantir a locação. “Tememos que outras pessoas sejam vítimas, pois ela continua se passando por corretora e levando interessados até o prédio”, relatou a declarante.
Corretora verdadeira
A coluna conversou com a corretora de imóveis real que teve o nome e as fotos utilizados pela estelionatária nos anúncios fraudulentos. Surpresa e indignada, ela relatou que também vem sofrendo consequências do golpe.
“Pelo menos seis pessoas chegaram a me procurar para relatar o ocorrido. Realmente não sou eu e espero que as autoridades achem a criminosa”, afirmou.
Segundo a profissional, sua identidade foi utilizada sem autorização para dar aparência legítima às negociações. O uso indevido de imagem e identidade profissional pode configurar, além do estelionato contra as vítimas, outros crimes relacionados à falsidade ideológica e uso indevido de documento.
Golpe sofisticado
Especialistas alertam que o chamado “golpe do falso aluguel” tem se tornado cada vez mais sofisticado. Criminosos utilizam dados reais de corretores registrados, fotos de imóveis retiradas de anúncios antigos ou bancos de imagens e criam uma narrativa convincente para acelerar a decisão das vítimas.
A exigência de pagamento antecipado, especialmente por transferência ou Pix, sob a justificativa de “reserva” ou “garantia”, é um dos principais sinais de alerta. Em negociações legítimas, valores só devem ser pagos após assinatura de contrato e verificação documental rigorosa.
No caso do Plano Piloto, a escolha por prédios em áreas nobres reforça a estratégia da golpista: imóveis valorizados aumentam a sensação de oportunidade imperdível e reduzem a desconfiança inicial.




