Comandante de colégio militar é transferido após agressão de aluno
Gilberto Hideki Ueda foi transferido para o Grupamento de Aviação Operacional; o filho dele é apontado como autor de agressões contra aluno

Após ser afastado das funções de comandante do Corpo de Alunos do Colégio Militar Dom Pedro II, Gilberto Hideki Ueda foi transferido para o Grupamento de Aviação Operacional do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF), segundo apuração da coluna Na Mira. O afastamento das funções foi determinada pela governadora Celina Leão após suspeita de que o filho do comandante seja o responsável por espancar outro estudante na última terça-feira (4/8).
A vítima está no 7º ano e foi agredida por um colega do 8º ano com socos no rosto. O menino precisou ser encaminhado de ambulância para atendimento hospitalar e teve múltiplas fraturas no rosto.
O estudante agredido relatou a diversas pessoas que não reagiu, porque sabia que o colega é filho de um oficial de alta patente do Corpo de Bombeiros e temia que, caso reagisse, pudesse ser expulso do colégio.
Em nota ao Metrópoles, o CBMDF informou que o colégio socorreu a criança e manteve contato com os responsáveis pelos estudantes envolvidos e o caso.
“O CMDP II instaurou os procedimentos necessários para a elucidação dos fatos e realiza na quarta (12) uma reunião do Conselho Escolar como parte do processo apuratório. O militar que, na ocasião, exercia a função de Comandante do Corpo de Alunos foi exonerado. O CBMDF e o CMDPII reforçam que o caso está sendo tratado com a devida atenção e responsabilidade, respeitando o processo de apuração e, especialmente, a proteção e a privacidade dos estudantes envolvidos”, diz a nota.
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Segundo relatos, os estudantes estavam jogando handebol fora do colégio e, após o time perder, retornaram para a escola. No vestiário, eles continuaram brincando entre si.
“Em certo momento, [a vítima] e mais dois começaram a jogar bolinha de papel, [um deles] jogou no menino e ele teve essa alteração. Parece que dois correram para um lado e ele para outro, até que alcançou a vítima”, disse um conhecido.
Foi nesse momento que o agressor teria dado um golpe e jogado a vítima no chão. Para não bater a cabeça, o estudante apoiou os cotovelos no chão. Em seguida, o agressor teria montado em cima dele e começado a desferir socos no rosto.
Segundo relatos, o agressor deu diversos golpes, principalmente na região do rosto, e só parou após a intervenção de dois monitores. O próprio colégio acionou uma ambulância para conduzir o aluno agredido ao Hospital Alvorada para atendimento médico.
A coluna Na Mira teve acesso aos exames realizados pela vítima, que constataram uma fratura multifragmentada do osso nasal esquerdo, desvio do septo nasal para a esquerda e pansinusopatia, sem sinais de processo inflamatório agudo.
Segundo a família, o agressor é lutador de judô. O estudante de 13 anos ficará 21 dias afastado e não poderá praticar exercícios físicos durante o período.
O caso foi registrado na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) 1, e a vítima foi submetida a exame no Instituto de Medicina Legal (IML) no mesmo dia.
O que diz o coronel
Após a reportagem publicada, a defesa do coronel entrou em contato com a reportagem e enivou uma nota de esclarecimento. Confira abaixo, na íntegra:
“O escritório Saraiva | Veiga Advogados, que representa a família do estudante mencionado na reportagem, esclarece que o adolescente é vítima, há anos, de bullying reiterado por parte de colegas de turma, com ofensas relacionadas ao seu nome, à sua ascendência japonesa e também pelo fato de ser negro, além de comentários depreciativos sobre seu corpo. O histórico escolar do adolescente registra ainda episódios recorrentes de exclusão e importunação por parte de colegas.
Segundo apurado pela família, no dia dos fatos, após uma derrota em jogo de handebol, colegas iniciaram comentários depreciativos e ofensas dessa natureza contra o adolescente, que se intensificaram durante o trajeto de retorno à escola e se tornaram ainda mais agressivas já no vestiário. Em razão do bullying sofrido, o estudante buscou abrigo em um dos boxes do banheiro, na tentativa de que as ofensas cessassem.
Mesmo assim, passou a ser alvo de arremessos reiterados de bolinhas de papel molhadas e sujas, sendo atingido diversas vezes, inclusive no olho. Foi nesse contexto de reiterada hostilização que o episódio ocorreu, sem qualquer intenção de causar lesão, tendo os fatos cessado por iniciativa própria do adolescente, antes mesmo da intervenção dos monitores. Logo em seguida, o próprio estudante buscou o colega para saber como ele estava e, ao perceber que ele aparentava estar bem, pediu desculpas pelo ocorrido.
A família lamenta o ocorrido e deseja pronta recuperação ao colega envolvido. Ao mesmo tempo, destaca que o que aconteceu faz parte de um processo muito maior, que precisa ser apurado considerando também tudo o que ocorreu anteriormente. Em nome da família, foi declarado: “Nosso filho deve ser ouvido e, se houver qualquer responsabilização, que ela ocorra dentro dos procedimentos e do regulamento do Colégio, e não por julgamentos ou questões políticas.”
Cabe destacar, ainda, que o pai do adolescente sempre pautou sua conduta profissional pela exemplaridade e pelo respeito às normas institucionais. Ao tomar conhecimento do ocorrido, solicitou voluntariamente seu afastamento das atividades relacionadas ao caso, justamente para preservar a lisura e a imparcialidade de qualquer apuração, colocando-se integralmente à disposição para todos os esclarecimentos necessários.
A família confia que as autoridades e a direção escolar conduzirão a apuração dos fatos de forma isenta, técnica e completa, considerando a integralidade do contexto que antecedeu o episódio, e espera que a instituição adote as medidas cabíveis para coibir o racismo e o bullying reiterado enfrentado pelo adolescente.
Por se tratar de adolescentes, solicita-se que a privacidade de todos os envolvidos seja devidamente preservada”.




