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Na Mira

Casa comum de família é envolvida em esquema bilionário de "bets do crime"

Imóvel residencial no DF foi usado à revelia pelos moradores para sediar empresa fantasma em esquema que movimentou bilhões via Pix e cripto

06/11/2026 02:31
Arte/Metrópoles
arte sobre bets

Uma residência simples, lar de uma família comum em Ceilândia, a região administrativa mais populosa do Distrito Federal acabou se tornando, sem que seus moradores tivessem qualquer conhecimento, peça de fachada para uma engenharia criminosa bilionária de alcance nacional. Neste único lote, 10 empresas indicavam o mesmo número de telefone corporativo.

O endereço foi escolhido aleatoriamente por integrantes de uma organização criminosa para sediar uma empresa fantasma incumbida de lavar o fluxo bilionário de dinheiro vindo do esquema ilegal de apostas digitais, as chamadas “bets do crime”. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões dos investigados.

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O uso criminoso dos dados do imóvel em Ceilândia é um dos pontos que ilustram a atuação do grupo alvo da Operação Azzardo, deflagrada na manhã desta quinta-feira (5/11) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor).

A operação

Cerca de 200 policiais civis cumpriram 50 mandados de busca e apreensão no DF e em mais cinco estados (SP, GO, PR, CE e RN), além de executarem ordens judiciais de bloqueio de bens. As investigações da Draco revelaram uma rede de dezenas de empresas de fachada abertas em um curto período — entre fevereiro e julho de 2026.

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Todas compartilhavam capitais sociais idênticos e registravam seus endereços cadastrais concentrados em regiões como Ceilândia, Sobradinho e Sobradinho II. Quando os investigadores foram checar os endereços cadastrados no mundo real, encontraram um cenário muito diferente daquele declarado nos papéis corporativos:

  • Lotes com múltiplas empresas: em um caso emblemático registrado em um único lote de Ceilândia, dez empresas distintas constavam com o mesmo número de telefone corporativo.
  • Locais incompatíveis: além da casa da família em Ceilândia, os policiais se depararam com imóveis vazios, placas de “aluga-se” e comércios tradicionais sem nenhuma relação com o setor de tecnologia ou apostas.
  • Ramos divergentes: em Sobradinho, PJs cadastradas como clínica de assistência psicossocial e loja de artigos de tarô serviam na prática para receber Pix de apostadores.
Casa comum de família é envolvida em esquema bilionário de “bets do crime” - destaque galeria
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A ação ostensiva mobilizou cerca de 200 policiais civis do DF para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão e pesadas medidas de bloqueio patrimonial contra uma rede investigada pela exploração de apostas ilegais de quota fixa e lavagem de capitais
Só uma fintech de SP movimentou R$ 1 bi
Na manhã desta quinta-feira (5/11), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por intermédio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), deflagrou a Operação Azzardo
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Na manhã desta quinta-feira (5/11), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por intermédio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), deflagrou a Operação Azzardo

Material cedido ao Metrópoles
A ação ostensiva mobilizou cerca de 200 policiais civis do DF para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão e pesadas medidas de bloqueio patrimonial contra uma rede investigada pela exploração de apostas ilegais de quota fixa e lavagem de capitais
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A ação ostensiva mobilizou cerca de 200 policiais civis do DF para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão e pesadas medidas de bloqueio patrimonial contra uma rede investigada pela exploração de apostas ilegais de quota fixa e lavagem de capitais

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Só uma fintech de SP movimentou R$ 1 bi
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Só uma fintech de SP movimentou R$ 1 bi

Material cedido ao Metrópoles

Movimentação bilionária

O dinheiro oriundo das apostas entrava no sistema via Pix, direcionado para essa rede de PJs de fachada abertas em nome de laranjas e terceiros. A partir dessas contas iniciais, os valores eram concentrados e repassados para uma fintech paulista, autorizada pelo Banco Central a atuar como Sociedade de Crédito Direto (SCD).

Em seguida, o capital era distribuído entre pessoas, outras empresas e instituições de pagamento, incluindo a conversão em criptoativos para ocultar o rastreamento financeiro. Apenas no âmbito da fintech e de empresas associadas, os relatórios apontam uma movimentação estimada em R$ 1 bilhão.

Para tentar mascarar a ilicitude do negócio, o grupo buscava operar sob a alegação de autorizações obtidas junto a loterias estaduais (da Paraíba e do Rio de Janeiro). No entanto, a apuração demonstrou que os sites investigados não possuíam o respaldo legal necessário, descumprindo os limites territoriais e as regras vigentes da legislação federal (Medida Provisória nº 1.394/2026).

Bloqueio de R$ 3,4 bilhões 

Expedida pelo Juízo das Garantias de Sobradinho, a decisão judicial autorizou medidas punitivas e cautelares contra a organização:

  • Bloqueio patrimonial: contingenciamento de contas e valores até o limite de R$ 3,483 bilhões.
  • Suspensão de empresas: suspensão do CNPJ e dos registros em juntas comerciais de 100 empresas ligadas ao esquema.
  • Quebra de sigilos: decisão atinge o sigilo bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
  • Outras restrições: proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados por 90 dias e sequestro judicial de veículos de alto padrão.

Os mandados de busca visam apreender mídias, computadores, celulares e carteiras de criptoativos para mapear a cadeia de comando da organização. Somadas em abstrato, as penas para os crimes investigados variam de 11 anos e 6 meses a 31 anos de reclusão, podendo chegar a 33 anos nos casos em que for constatada a falsidade ideológica em documento público.