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Águas Claras: análise preliminar indica que operários morreram ao inalar gás tóxico

Os dois chegaram a ser socorridos pelo Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) em parada cardiorrespiratória, mas não resistiram

atualizado 29/09/2022 12:00

IML próximo ao prédio Santorini Igo Estrela/Metrópoles

Análises preliminares feitas no local do acidente que vitimou dois homens, em Águas Claras, indicam que as vítimas morreram após inalarem monóxido de carbono. Wanderson Soares da Silva, 26 anos, e Gutemberg José de Santana, 53, trabalhavam no Residencial Santorini, na Quadra 208, em Águas Claras, quando caíram em uma cisterna.

Eles tinham sido contratados para instalar uma nova bomba em um dos poços do prédio. Os dois chegaram a ser socorridos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) em parada cardiorrespiratória, mas não resistiram. O acidente ocorreu nessa quarta-feira (28/9). Outras duas pessoas estão internadas.

O laudo definitivo, porém, ainda será concluído. Os trabalhos são feitos pela Seção de Engenharia Legal do Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

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Emissão de gases

Ao chegarem ao local do ocorrido, o CBMDF encontrou três vítimas inconscientes, dentro da cisterna. Gutemberg, Wanderson e Caio Alves da Cruz, 24 — um terceiro funcionário das empresas contratadas para fazer de manutenção da cisterna — precisaram ser reanimados, pois tiveram uma parada cardiorrespiratória.

Gutemberg e Wanderson não resistiram, e Caio segue internado em estado grave, assim como o porteiro do prédio, Elvis Rodrigues Barros, 28, que desceu para tentar ajudar as vítimas, mas conseguiu sair antes de desmaiar.

Tenente do CBMDF, Renato Augusto Silva detalha que os três trabalhadores da manutenção usavam uma bomba à combustão para drenar a água da cisterna. Depois de ligarem a máquina, o grupo saiu do poço, mas passou mal ao reentrar para conferir se estava vazio.

“Eles usaram uma motobomba, ligaram [o equipamento] e saíram da cisterna, para esperar drenar. Quando entraram novamente, começaram a ficar inconscientes. O gás gerado é altamente tóxico e expulsou o oxigênio do poço, que é muito estreito. Assim, as pessoas perdem a consciência muito rápido”, comentou o militar.

Outro ponto que pode ter levado à tragédia, segundo Renato Augusto, seria o fato de haver lama na cisterna, cuja matéria orgânica pode ter gerado gases no interior do poço. “Se for necessário trabalhar em um ambiente confinado assim, fechado há muito tempo, nossa recomendação é de que as pessoas façam aeração do local, que o ventilem, e nunca usem equipamentos de combustão nesses locais”, destacou o tenente Renato Augusto.

Nenhum dos envolvidos usava itens de proteção individual. No entanto, o militar destacou que, devido às condições do ambiente, não seria possível garantir que o uso de equipamentos evitasse a tragédia, em virtude da falta de oxigênio na cisterna.

Empresas envolvidas

O Metrópoles apurou que há três empresas envolvidas no serviço de troca da bomba da cisterna: HL2 Engenharia, Grupo K2 Serviços e Império Garden.

A HL2 Engenharia confirmou, em nota, que o Residencial Santorini a contratou apenas para os serviços de impermeabilização e drenagem da cisterna. “Não consta em nosso contrato de prestação de serviços a execução da limpeza da cisterna e posterior ligação de bombas”, detalhou.

Segundo a empresa, a Império Gardem “foi contratada diretamente pela administração do condomínio para serviço de limpeza de cisterna e ligação de bomba, sendo atividade terceirizada, desvinculada da empresa HL2”.

A HL2 também destacou que ajudou a entrar em contato com as equipes de socorro para o resgate das vítimas. “A empresa se solidariza com as famílias dos trabalhadores vitimados, e informa que está prestando assistência à família do funcionário internado”.

A K2 ressaltou que a “empresa realiza somente os serviços de limpeza e de portaria no condomínio. “Ocorre que o nosso porteiro, presenciando a situação, tentou ajudar a equipe e também caiu na cisterna e inalou o gás. Ele está no HRT e tem sintomas leves. Estamos acompanhando o funcionário e dando todo o suporte necessário a ele”, acrescentou.

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