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Advogado usava maquininha para oferecer falsos rendimentos a clientes

Advogado marcava encontros com amigos e familiares para oferecer “aportes jurídicos”, e uma das vítimas afirma ter parcelado R$ 80 mil

atualizado

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Arquivo Pessoal
Homem praticando corrida em parque. Ele usa camiseta preta e bermuda branca e preta, além de óculos escuros - Metrópoles
1 de 1 Homem praticando corrida em parque. Ele usa camiseta preta e bermuda branca e preta, além de óculos escuros - Metrópoles - Foto: Arquivo Pessoal

No olho no olho de encontros em bares e cafés, o advogado Guilherme Aguiar Alves (foto em destaque) construía a confiança antes de aplicar golpes nos chamados “aportes jurídicos”, que eram concluídos no próprio local com o uso de uma maquininha de cartão de crédito. Um dos casos envolveu pagamento de R$ 80 mil durante uma dessas reuniões.

A vítima, que não quis se identificar, relatou ao Metrópoles como era apresentada a suposta forma de investimento, sempre com promessa de retorno rápido e pagamento parcelado no cartão.

“Ele dizia: ‘você passa, por exemplo, R$ 80 mil em três vezes. Em três meses eu te pago. No primeiro mês você já recebe com lucro”, afirmou.

Segundo o relato, o valor foi passado diretamente no cartão de crédito durante um encontro em um bar. Logo após a transação, a vítima recebeu um documento intitulado “Contrato Particular de Investimento com Devolução Parcelada e Bonificação”, com previsão de pagamentos mensais e bônus ao final do período.

“Não é todo mundo que tinha os valores altos que ele pedia, ou pediam empréstimo ou parcelaram que nem eu. Ele chegou a pagar uma parcela, mas depois os juros foram acumulando e meu nome ficou sujo. Tivemos que sair de casa e alugar o imóvel para conseguir cobrir o rombo”, relatou.

Essa é uma das dezenas de pessoas que procuraram a polícia para denunciar o advogado. O Metrópoles teve acesso a boletins de ocorrência registrados na 14ª e na 20ª Delegacias de Polícia, ambas no Gama (DF), além de ações que tramitam na esfera cível. Ao menos 30 vítimas relatam prejuízos que, somados, podem ultrapassar R$ 3 milhões.

A reportagem tentou contato com Guilherme Aguiar Alves, que informou não ter condições de responder aos questionamentos por motivos de saúde. O espaço segue aberto para manifestação.

Primo policial penal

Nem o próprio primo teria escapado do suposto esquema. Um policial penal do sistema carcerário do DF afirma ter perdido cerca de R$ 200 mil após confiar nas promessas feitas pelo advogado investigado

Em um dos casos, em outubro de 2025, um advogado de 34 anos transferiu R$ 50 mil após ser convencido a participar de um suposto investimento ligado a um escritório em São Paulo. O investigado dizia que mantinha uma parceria de longa data com a banca e prometia transformar o valor em R$ 220 mil.

Após a transferência, o suspeito viajou com a vítima para São Paulo, sustentando a promessa de uma reunião com os sócios do escritório. No entanto, o encontro nunca aconteceu.

No local, ele afirmou que o escritório estava vazio porque um dos sócios havia morrido e todos estariam em um enterro. A vítima retornou a Brasília sem qualquer contato com a empresa.

Depois disso, começaram os atrasos. O investigado passou a dizer que os pagamentos seriam feitos junto com a entrega de um iPhone, que seria usado na operação do suposto escritório. Em seguida, alegou erro na compra do aparelho e prometeu que um contador iria fazer as transferências. A vítima recebeu pouco mais de R$ 14 mil e teve um prejuízo estimado em R$ 35,2 mil.

Carro como penhora

Em outra frente da investigação, uma moradora do Distrito Federal, de 36 anos, relatou ter investido R$ 80 mil em um suposto negócio ligado à compra de um “sistema de processos judiciais”. O investigado prometia retorno de 100%, chegando a cerca de R$ 160 mil.

Ao longo dos meses, ela recebeu seis repasses que somaram aproximadamente R$ 106 mil, o que reforçou a confiança no negócio. Em novembro de 2025, porém, os pagamentos foram interrompidos. Ele alegou falta de recursos e prometeu regularizar a situação.

Para assegurar a dívida, entregou um Renault Captur à vítima. Depois, ela descobriu que o veículo tinha procuração de venda para outra pessoa e rastreador instalado. O caso ainda se ampliou quando o marido dela também entrou na negociação, transferindo R$ 30 mil com a promessa de retorno de R$ 60 mil em dois meses — valor que não foi integralmente pago.

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