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Policial penal perdeu R$ 200 mil em golpe de advogado
Investigado por esquema de “aporte jurídico”, o suspeito causou prejuízo total de R$ 3 milhões e teria feito vítimas até na própria família
atualizado
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Nem o próprio primo do golpista teria escapado do suposto esquema de “aporte jurídico” investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O familiar, que é policial penal no Sistema Penitenciário do DF, afirma ter perdido cerca de R$ 200 mil após confiar no primo de 1º grau, o advogado Guilherme Aguiar Alves. Ele é suspeito de usar a proximidade com amigos, colegas e parentes para atrair vítimas com a promessa de lucros altos em poucos meses.
O policial penal está entre as dezenas de pessoas que procuraram a polícia para denunciar o advogado. O Metrópoles teve acesso a boletins de ocorrência registrados nas 14ª e 20ª Delegacias de Polícia, ambas no Gama (DF), além de ações que tramitam na esfera cível. Ao menos 30 vítimas relatam prejuízos que podem ultrapassar R$ 3 milhões.
A reportagem tentou contato com Guilherme Aguiar Alves, que informou não ter condições de responder aos questionamentos por motivos de saúde.
O espaço segue aberto para manifestação.
Como funcionava o suposto esquema
- O advogado dizia precisar de dinheiro para fechar contratos jurídicos milionários ligados a escritórios de advocacia em São Paulo
- Também alegava necessidade de recursos para compra de sistemas processuais e execução de demandas judiciais
- Em troca dos valores recebidos, prometia lucros altos em poucos meses. Em alguns casos, mais que o dobro do dinheiro investido
- Para convencer as vítimas, apresentava contratos, confissões de dívida e promessas formais de pagamento
- Algumas vítimas chegaram a receber pagamentos iniciais, o que aumentava a credibilidade do negócio e incentivava novos aportes
- Quando os repasses atrasavam, o investigado apresentava diferentes justificativas, como problemas de saúde, acidentes, crises familiares e dificuldades financeiras
Enterro falso
Em um dos casos, em outubro de 2025, um advogado de 34 anos transferiu R$ 50 mil após ser convencido a participar de um suposto investimento ligado a um escritório em São Paulo. O investigado dizia que mantinha uma parceria de longa data com a banca e prometia transformar o valor em R$ 220 mil.
Após a transferência, o suspeito viajou com a vítima para São Paulo, sustentando a promessa de uma reunião com os sócios do escritório. No entanto, o encontro nunca aconteceu.
No local, ele afirmou que o escritório estava vazio porque um dos sócios havia morrido e todos estariam em um enterro. A vítima retornou a Brasília sem qualquer contato com a empresa.
Depois disso, começaram os atrasos. O investigado passou a dizer que os pagamentos seriam feitos junto com a entrega de um iPhone, que seria usado na operação do suposto escritório. Em seguida, alegou erro na compra do aparelho e prometeu que um contador iria fazer as transferências. A vítima recebeu pouco mais de R$ 14 mil e teve um prejuízo estimado em R$ 35,2 mil.
Carro como penhora
Em outra frente da investigação, uma moradora do Distrito Federal, de 36 anos, relatou ter investido R$ 80 mil em um suposto negócio ligado à compra de um “sistema de processos judiciais”. O investigado prometia retorno de 100%, chegando a cerca de R$ 160 mil.
Ao longo dos meses, ela recebeu seis repasses que somaram aproximadamente R$ 106 mil, o que reforçou a confiança no negócio. Em novembro de 2025, porém, os pagamentos foram interrompidos. Ele alegou falta de recursos e prometeu regularizar a situação.
Para assegurar a dívida, entregou um Renault Captur à vítima. Depois, ela descobriu que o veículo tinha procuração de venda para outra pessoa e rastreador instalado. O caso ainda se ampliou quando o marido dela também entrou na negociação, transferindo R$ 30 mil com a promessa de retorno de R$ 60 mil em dois meses — valor que não foi integralmente pago.
