Na contramão da austeridade, servidores da Caesb terão mais benefícios

Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) prevê acréscimo nos vencimentos por tempo de trabalho e promoção no cargo em janeiro de cada ano

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Michael Melo/Metrópoles
Fachada Caesb
1 de 1 Fachada Caesb - Foto: Michael Melo/Metrópoles

Em tempos de austeridade e seca de reajuste salarial a servidores do Governo do Distrito Federal (GDF), funcionários da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) vivem uma realidade diferente. O novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) promovido entre a companhia e seus servidores prevê uma série de benefícios que soam como miragem para as milhares de pessoas que compões os quadros do governo.

Especialmente num momento em que o Palácio do Buriti ameaça parcelar os salários do funcionalismo caso a Câmara Legislativa não aprove logo uma reforma previdenciária. Outro fator que destoa da realidade dos demais trabalhadores do Estado é que 32 categorias aguardam, desde 2015, a aplicação da terceira e última parcela de um reajuste aprovado em 2013.

Assinado em audiência no Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal (MPT-DF), o acordo estabelece que cada funcionário receberá aumento de 1% por cada ano completo de trabalho, até o limite de 41%. Isso significa que, se um empregado está há 20 anos na casa, terá direito a 20%. A regra, no entanto, não vale para cargos comissionados.

Também a partir de 2018, os empregados vão subir um degrau na tabela salarial. Essa promoção funcional ocorrerá em janeiro de cada ano. Outro item do acordo é que as funções gratificadas só poderão ser desempenhadas por trabalhadores que atendam à Lei Complementar nº 135, da Ficha Limpa. Caso o empregado atue por mais de 10 anos na mesma função, o valor será incorporado ao salário.

A Caesb se comprometeu com outros pontos do acordo. Funcionários que forem afastados por auxílio-doença do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) terão os salários pagos integralmente. A companhia arcará com a diferença entre o que o servidor recebe e o limite pago pelo INSS, hoje de R$ 5.578.

Procurada pela reportagem, a Caesb disse, por meio de nota, que “estava desde maio de 2016 sem o ACT, que agora foi assinado para atender as demandas tanto dos empregados quanto da companhia”.

Com a assinatura do acordo, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Distrito Federal (Sindágua-DF) prometeu desistir das ações judiciais coletivas. Esses processos tinham como objeto o descumprimento de cláusulas do antigo documento.

Insatisfação
Mesmo com o acordo, o Sindágua demonstra insatisfação com a companhia. “Não ficou bom. Nesse momento de aperto, o trabalhador está sendo estrangulado. Temos funcionários que ganham abaixo do praticado aos servidores de carreira do GDF”, pondera Pedro Cerqueira Medeiros, diretor do sindicato.

Embora tenha garantido o aumento aos funcionários, a Caesb viu o faturamento projetado para este ano cair 10,9%. A queda se deve principalmente à aplicação do racionamento. Dessa forma, a empresa deixou de ganhar R$ 102 milhões entre janeiro e julho, quando esperava conseguir R$ 935 milhões. Por outro lado, o valor da tarifa de água e esgoto foi reajustado em 3,1% no mês de junho.

Supersalários
Em março, o Metrópoles revelou que muitos servidores da Caesb recebiam supersalários. Um advogado da procuradoria jurídica, por exemplo, chegou a ter vencimento de R$ 95 mil naquele mês. A companhia gasta cerca de 50% de toda a sua arrecadação com pagamento de pessoal. Em 2016, a Caesb arrecadou R$ 1,5 bilhão, sendo que metade desse valor foi destinado para pagar as remunerações dos 2,5 mil funcionários, mais encargos.

A companhia se defende e alega que nesses valores estão inclusos adicionais, gratificações, indenizações e outras vantagens pecuniárias.

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) mandou investigar os altos vencimentos e a Caesb foi intimada a explicar os valores ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Contudo, acabou escapando da lei que limita os salários dos servidores públicos.

Responsável pelo caso, o juiz Rubens Curado Silveira, da 11ª Vara do Trabalho de Brasília, decidiu que a Constituição prevê, expressamente, que somente as empresas públicas e as sociedades de economia mista dependentes do Executivo estão sujeitas ao teto remuneratório. Como a Caesb paga os salários com recursos arrecadados pela própria companhia, não foi alcançada pela regra.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?