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O ano começou conturbado para uma mulher de 33 anos. Quatro horas após a virada de 2017 para 2018, Elisângela Oliveira Gomes caiu em um bueiro destampado, no Riacho Fundo I. Fraturou um dos pés e torceu o outro. A situação piorou: após o tombo, a mulher foi levada ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), onde, segundo ela, um médico quis imobilizar seu joelho, em vez dos pés. Na sequência, o namorado de Elisângela flagrou o funcionário dormindo enquanto ela aguardava atendimento.

 

O suposto equívoco e o cochilo do médico causaram revolta na paciente e dois acompanhantes. Vídeo gravado pelo namorado dela e enviado por Elisângela ao Metrópoles mostra o rapaz e uma amiga exaltados enquanto questionam o funcionário, que se mantém calado. As imagens também exibem o médico sentado em uma cadeira, supostamente tirando uma soneca.

A mulher deixou o hospital após a chegada de um médico substituto, que finalizou o procedimento.

“O raio X mostrou fratura no meu pé. Ainda assim, o médico ordenou ao técnico de gesso que imobilizasse meu joelho. Além disso, dormiu em uma salinha do hospital enquanto eu e outra mulher, também com pé quebrado, aguardávamos atendimento”, reclamou Elisângela, que está afastada por 30 dias do trabalho como recepcionista. Ela se locomove por cadeira de rodas e não pode apoiar os pés no chão.

Após o bate-boca, Elisângela e o médico que a atendeu inicialmente foram até a 5ª Delegacia de Polícia (Setor de Grandes Áreas Norte), onde registraram boletins de ocorrência. Ela alegou que foi vítima de negligência médica. Já o funcionário afirmou ter sido coagido, pois, segundo ele, Elisângela e o namorado ameaçaram agredi-lo. A mulher nega.

Procedimento
A direção do Hospital de Base afirmou, em nota, que a conduta clínica é definida pelo médico que assiste aos pacientes e avalia exames. Dependendo do caso, segundo o HBDF, ele imobiliza a articulação logo acima da lesionada. “Como neste caso foi o pé, a imobilização da articulação acima (joelho) ajuda a diminuir a mobilidade e o risco de nova lesão”, informou.

Sobre o repouso do médico em horário de trabalho, o hospital afirma que “de acordo com resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), os especialistas podem descansar no plantão, caso não haja grande demanda de pacientes ou tenha mais de um plantonista escalado, desde que não comprometa o atendimento de emergência”.

A unidade acrescentou que as escalas dos plantões são divididas em turnos de seis horas (diurno), 12 horas (diurno) e 12 horas (noturno). Ainda de acordo com a nota, no pronto-socorro, durante o período de Natal e Ano-Novo, não houve mudança na tabela. “Por fim, a direção do HBDF informa que a paciente foi assistida e que o plantão não foi descoberto”, finalizou.

O acidente
Elisângela caiu no bueiro por volta das 4h do último dia 1º. Ela recebeu primeiros socorros de amigos brigadistas que estavam próximos. A mulher afirmou que o acidente ocorreu porque a boca de lobo estava destampada e sem grade de proteção. Ela atribuiu a queda também a falta de iluminação pública no local. “A rua tava escura. Há postes nela, mas não funcionavam”, disse. “Qualquer pessoa poderia cair. Idoso, criança e adulto.”

Por meio de nota, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) informou que soube do acidente nesta quinta-feira (4/1) e enviou técnicos ao local para mapear os bueiros que necessitam reparos. A Novacap acrescentou que, na próxima semana, equipes estarão na região para fazer os consertos.

Já a Administração Regional do Riacho Fundo I afirmou que irá realizar levantamento de novos pontos de iluminação pública para, se necessário, solicitar à Companhia Energética de Brasília (CEB) a adequação da rede.