MPBA investiga influencer do DF por xenofobia após vídeo contra nordestino.
A influencer Gislaine da Silva privou a conta do Instagram e permaneceu com a conta do tiktok, onde acumula 100 mil seguidores

O Ministério Público da Bahia (MPBA) instaurou procedimento para apurar crime de xenofobia no caso em que a influenciadora do Distrito Federal Gislaine da Silva Fernandes Carvalho afirma que nordestinos “parecem animais” e afirma que não consegue evitar xenofobia contra a população da região. O vídeo foi publicado após o resultado do primeiro turno das Eleições de 2026.
“Como é que você conversa de forma civilizada com pessoas que parecem animais?! Meu Deus, [pessoas] que não têm o mínimo de interpretação de texto, de fala”, afirma Gislaine no vídeo.

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Ver todasO vídeo foi publicado no contexto de pós 1º turno das Eleições 2026, em que, na disputa presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu cerca de 21,4 milhões de votos no Nordeste, o equivalente a 63,77% dos votos válidos da região, segundo o Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Slva na região, Gislaine diz “não haver condições” de defender a escolha dos nordestinos, e relacionou os votos de eleitores nordestinos com eleições anteriores.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF“Toda eleição é isso. Depois vocês são rechaçados e falam: ‘É xenofobia’. Não tem como não cometer [xenofobia] com vocês. Você está falando tudo isso e sua família é nordestina’. Mas todo mundo tem um pé lá, né?! Infelizmente. Eu queria ter nascido lá nos Estados Unidos, mas enfim”, concluiu.
Após a repercussão do vídeo, Gislaine privou o perfil do Instagram, em que acumula menos de 60 mil seguidores, e alterou o nome de usuário. No tiktok, onde publica conteúdos relacionados ao cuidado e tratamento de unhas naturais, a influencer possui aproximadamente 100 mil seguidores e a conta segue ativa.
O que diz a influencer
Procurada pela reportagem, Gislaine reconheceu ter utilizado “expressões infelizes, excessivas e inadequadas” ao manifestar sua insatisfação, e que a insatisfação é de “natureza política, não uma defesa de descriminação contra os nordestinos”.
“Minha crítica estava direcionada ao cenário político e ao comportamento eleitoral, embora eu reconheça que a forma como me expressei tenha ultrapassado esse contexto e atingido pessoas que não deveriam ter sido generalizadas”, disse.
“Não considero que reconhecer um erro de comunicação signifique renunciar às minhas convicções políticas, assim como ter convicções políticas não me isenta da responsabilidade pelas palavras que utilizo”, acrescentou.
Força-tarefa do MPBA
- O caso da influenciadora não é o primeiro a ser visto nas redes sociais após a vitória de Lula no Nordeste. Na terça-feira (6/10), a Polícia Civil do Estado da Bahia (PCBA) instaurou procedimento para apurar o vídeo do influenciador Rodrigo Constantino no qual ele afirma que a Bahia é o “câncer do Brasil”;
- No vídeo, Constantino critica a vitória de Lula na Bahia, diz que Salvador “é um lixo” e que na Bahia “ninguém quer trabalhar”;
- Diante dos ataques recentes publicados nas redes sociais o MPBA afirmou, nesta quinta-feira (8/10), que criou uma força-tarefa para os trabalhos de coleta, preservação e análise de provas relacionadas a possíveis manifestações criminosas de xenofobia registradas após a divulgação do resultado do primeiro turno das eleições.
