Motorista de app esfaqueado no DF acorda do coma: “Milagre de Deus”
Elias Alves dos Santos Filho, de 37 anos, foi brutalmente atacado por passageiro durante corrida por aplicativo em Ceilândia
atualizado
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O motorista de aplicativo que foi brutalmente atacado por um passageiro enquanto fazia uma viagem no Distrito Federal acordou após três dias sedado. Elias Alves dos Santos Filho (foto em destaque), de 37 anos, está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Ceilândia (HRC), desde domingo (26/10). Ele foi atingido por golpes de canivete na região do pescoço.
De acordo com a esposa do motorista, Synara de Albuquerque Santos, no fim da tarde dessa quarta-feira (29/10), a equipe médica iniciou a retirada gradual da sedação.
Foram realizados exames, incluindo uma tomografia de crânio e uma endoscopia digestiva, que não apresentaram alteração. Com a redução da sedação, os tubos foram retirados aos poucos, e Elias despertou.
Ao Metrópoles Synara disse que o esposo já consegue conversar e se lembra do ataque que sofreu. “Estamos muito felizes com a evolução do seu quadro de saúde e só temos a agradecer a Deus por tudo o que Ele tem feito até aqui. Ele estava muito emocionado e disse que é um milagre de Deus”, contou.
Elias já planejava deixar o trabalho como motorista de aplicativo. Ele é encarregado geral de construção civil e adotou as corridas como um bico para aumentar a renda da família. O profissional, porém, estava cansado do serviço e, antes do ataque, a família já temia pelo risco nas ruas.
Ataque durante corrida
Elias tinha feito uma viagem para Águas Lindas de Goiás (GO) e recebeu um novo pedido de corrida para a Quadra 201 do Recanto das Emas (DF).
O medo de ser assaltado foi a justificativa que o suspeito, de 41 anos, deu à Polícia Civil para o ataque brutal cometido contra o motorista de aplicativo.
Segundo o relato do autor, o motorista teria alterado o trajeto, e um carro passou a seguir o veículo, o que o fez acreditar que estava sendo levado para uma emboscada. Supostamente tomado pelo medo, o passageiro sacou um canivete e desferiu vários golpes no pescoço da vítima, que ficou gravemente ferida.
De acordo com a investigação da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), o suspeito havia ingerido bebida alcoólica após uma confraternização familiar. A corrida foi solicitada pelo irmão do autor, a pedido dele.
A Polícia Militar do Distrito Federal atendeu à ocorrência na via lateral do Hospital Regional de Ceilândia (HRC), no Setor M, QNM 28.
Por volta das 2h40 de domingo, policiais militares, em patrulha pela região, encontraram o veículo acidentado, e o motorista, ferido. O passageiro fugiu.
Mesmo gravemente ferido, o motorista conseguiu dirigir ao Hospital Regional de Ceilândia, onde perdeu o controle do veículo e bateu contra um poste em frente à unidade. Ele foi socorrido imediatamente e segue internado em estado grave.
Fuga de agressor
Após o ataque, o agressor fugiu e se escondeu em uma área de mata, de onde enviou mensagens de áudio ao irmão confessando o esfaqueamento. Pouco depois, foi resgatado pelo próprio irmão e levado para casa. No dia seguinte, o homem jogou as roupas sujas de sangue no lixo e fugiu novamente. As peças foram localizadas e apreendidas pelos investigadores.
Na tarde de segunda-feira (27/10), o suspeito se apresentou espontaneamente na 15ª DP, acompanhado de dois advogados. Durante o interrogatório, admitiu o crime, mas insistiu que agiu por medo, alegando ter “reagido instintivamente” ao suposto risco de assalto.
A ação que resultou na prisão foi batizada de Operação Percurso Final, em referência ao trajeto alterado, que motivou a desconfiança do autor, e ao caminho trilhado pela investigação até sua captura.
Conforme o delegado-chefe João de Ataliba Nogueira Neto, responsável pelo caso, a apuração contou com o apoio da empresa de transporte por aplicativo, que forneceu dados da corrida, além de depoimentos de testemunhas. As provas confirmaram a autoria e a dinâmica dos fatos.
O homem, que não possuía antecedentes criminais, foi indiciado por tentativa de homicídio duplamente qualificado — pelo uso de meio cruel e por impossibilitar a defesa da vítima. Ele foi encaminhado à Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), onde permanece à disposição da Justiça.






