Motoboys do DF cobram dos apps de delivery melhores condições de trabalho

Empregados protestam no centro de Brasília porque consideram que a atuação deles não é valorizada pelas plataformas e encontram dificuldades

atualizado 07/05/2020 15:11

Atuantes mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, entregadores de comida por aplicativo do Distrito Federal se reuniram na área central de Brasília, nesta quarta-feira (06/05), para cobrar melhorias nas condições de trabalho ofertadas pelas plataformas de delivery.

Entre as pautas, os colaboradores das plataformas cobraram ainda maior valorização do serviço desempenhados pelos trabalhadores.

Os motoboys ainda questionaram as plataformas sobre bloqueios de contas que, segundo os manifestantes, seriam realizados pelos aplicativos sem motivo aparente.

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Ao Metrópoles, um dos colaboradores afirmou estar “indignado” com um dos apps após ter a conta bloqueada. “Trabalhei por cinco meses fazendo entregas, com uma moto que comprei apenas para essa finalidade. Trabalhava de 10 a 12 horas por dia e simplesmente fui bloqueado da plataforma sem nenhuma satisfação”, disse.

O entregador reclama da situação. “Hoje, estou endividado com prestações da moto, que financiei em 48 prestações, atrasada pelo fato de a plataforma ter me bloqueado”.

O ato teve início na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto. De lá, seguiram para a Praça dos Três Poderem e, depois, se dirigiram à Praça do Cruzeiro, onde deve ocorrer a concentração. A manifestação é acompanhada pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

Levantamento do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Distrito Federal (Sindmoto-DF) aponta que a capital tenha entre 10 mil e 15 mil profissionais do segmento circulando durante a pandemia.

Com brasilienses reclusos em casa em função do risco de contágio pela doença, os motoboys têm sido de importante ajuda para garantir a atividade de segmentos do ramo alimentício e farmacêutico impossibilitados de receber clientes durante o isolamento social.

O que dizem as plataformas

A reportagem acionou as plataformas de entrega por aplicativo. A Rappi disse reconhecer o direito à livre manifestação pacífica. A empresa aponta também que segue com os mesmos critérios no valor do frete (que varia de acordo com o clima, dia da semana, horário, zona da entrega, distância percorrida e complexidade do pedido) e só bloqueia entregadores parceiros em caso de descumprimento dos Termos e Condições da plataforma.

O iFood também diz apoiar a liberdade de expressão. “Bloquear de forma injusta não é bom para iFood, mas essa medida é utilizada com base em denúncias e evidências de, por exemplo, extravio de pedidos, fraudes de pagamento ou ainda cessão da conta para terceiros. Esse tipo de ação ajuda a empresa a proteger os próprios entregadores, clientes e restaurantes. Se um bloqueio foi feito de forma equivocada, os entregadores podem entrar em contato pelo canal oficial ([email protected]) para análise do caso. Se comprovado o erro, conta é reativada”, explica.

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