Morte de PM em boate repercute nas redes sociais: “Descanse em paz”

O tenente Herison morreu após ser atingido por três tiros em uma casa de shows. Acusado é agente da PCDF, que foi preso em flagrante

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atualizado 16/04/2019 12:11

A morte do policial militar Herison Bezerra (foto em destaque), 38 anos, na madrugada desta segunda-feira (15/04/19) chocou amigos e familiares. O tenente perdeu a vida após ser atingido por três tiros dentro de uma casa de shows, localizada às margens da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB). O acusado pelos disparos é um agente da Polícia Civil. Ele foi preso e confessou o crime.

Nas redes sociais, mensagens foram postadas em homenagem ao militar, considerado uma pessoa tranquila e excelente profissional. “Até onde vai a intolerância e a violência? Descanse em paz, querido Herison”, diz uma amiga do policial.

Emocionada, outra publicou: “Que Deus conforte seus familiares e que a justiça seja feita”. Herison era lotado no 10º Batalhão da Polícia Militar (Ceilândia). Estava na corporação desde 2012. Ele chegou a ser socorrido ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT), mas não resistiu.

 

 

O porta-voz da PMDF, major Michello Bueno, lembra que deu aula para o tenente por dois anos e destaca o profissionalismo do colega de farda. “Era um cara tranquilo, super do bem. Comprometido com o trabalho, sempre pegava flagrantes na região de Ceilândia. A população também perde com a morte dele porque era um profissional exemplar”, disse.

Em maio do ano passado, o militar recebeu uma homenagem na Câmara dos Deputados. Com apenas seis anos de serviços prestados na PMDF, ele recuperou mais de 50 armas, 20 carros produtos de roubo ou de furto, prendeu assaltantes, traficantes, além de mobilizar a sua equipe na arrecadação de cestas básicas para ajudar as famílias que passam necessidades no Sol Nascente, em Ceilândia.

Três tiros
O crime ocorreu por volta das 3h desta segunda (15/04/19). O oficial levou três tiros, dois no tórax e um no abdômen. Uma mulher ficou ferida e precisou ser levada ao Hospital de Base do DF (HBDF).

Câmeras de segurança da boate mostram o momento dos disparos. Nas imagens é possível ver o policial militar passando em frente ao agente. Eles se esbarram e o policial civil saca a arma e atira. O PM chega a pegar a pistola, mas é alvejado. Aos delegados, o acusado alegou legítima defesa.

Segundo testemunhas, os dois já haviam discutido antes de ocorrerem os disparos. O militar teria ido ao banheiro e o agente ficou esperando na porta. O autor foi identificado como Pericles Marques Portela Junior, lotado na 14ª Delegacia de Polícia (Gama).

De acordo com a PM, o policial civil assumiu o crime e foi conduzido preso para a 21ª DP (Taguatinga Sul), responsável por investigar o caso e onde trabalhou anteriormente. Ele teria tentado fugir do flagrante, mas foi contido por uma guarnição da Polícia Militar.

De acordo com informações preliminares, a confusão entre os envolvidos teria ocorrido após um esbarrão. Os disparos foram feitos por uma arma calibre .40. A namorada do PM quase foi atingida. Nas imagens flagradas pelas câmeras de segurança, ela aparece tentando socorrer a vítima, que deixa um filho adolescente.

Depois da 21ª DP, o policial civil foi levado para a Corregedoria da corporação, onde foi ouvido. No momento dos disparos, a boate estava lotada. O estabelecimento tem capacidade para 1,5 mil pessoas.

Chamados ao local, bombeiros informaram que o tenente foi levado inconsciente e com uma hemorragia grave ao HRT, onde acabou falecendo. A corporação disse, ainda, que a outra vítima – identificada como Andressani de Oliveira Sales, 39 – levou um tiro de raspão na coxa.

“Muita gente desnorteada”
O vendedor ambulante Elias Rocha, 65, vende pastéis em frente à boate Barril 66 e presenciou o momento em que as pessoas saíram da boate desesperadas, na madrugada desta segunda. “Cheguei por volta das 3h e vi muita gente sair desnorteada lá de dentro. Logo depois, chegaram diversas viaturas da PM e eles trouxeram o policial detido que ainda estava na festa. Vira e mexe tem confusão nesse estabelecimento, mas nunca soube de morte lá dentro, antes”, contou.

Um policial militar que atendeu a ocorrência contou que estava na viatura, perto da boate, quando ouviu os disparos. “Presenciamos muitas pessoas correndo, pulando a grande, as janelas. Tentamos ver se alguém estava armado, mas não vimos nada. Nos informaram que tinha um policial baleado no banheiro. Entramos e encontramos ao menos cinco pessoas armadas na boate, entre policiais civis e militares”, relatou o PM, que não quer ser identificado.

Ainda de acordo com ele, o tenente Herison estava deitado no chão, ferido, em estado grave. O Corpo de Bombeiros foi acionado e a equipe tentou localizar o atirador. “Uma testemunha afirmou que o suspeito estava saindo do local. Corremos, pulamos a cerca e conseguimos detê-lo. Ele ficou dizendo que ia se entregar, mas demos voz de prisão, pedimos a arma e o levamos para a 21ª DP”,contou o militar.

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