Ministério Público investiga morte de tigres brancos do Zoológico

Um inquérito foi aberto para apurar os problemas com os gêmeos Dandy e Maya. Eles morreram no intervalo de uma semana no Zoo de Brasília

atualizado 16/10/2019 15:10

Zoológico de Brasília/Divulgação

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios abriu inquérito com o objetivo de investigar a morte dos tigres brancos do Zoológico de Brasília. O casal de gêmeos, Maya e Dandy, morreu no intervalo de uma semana. Dandy teve insuficiência renal, detectada por um exame feito durante transfusão de sangue para a irmã Maya, que estava com uma infecção uterina grave.

De acordo com a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente (Prodema), há chance de uma “provável negligência no trato, atendimento, transferência de recintos e monitoramento dos animais que vieram a óbito na Fundação Jardim Zoológico de Brasília”.

O texto afirma que a morte dos tigres pode ter sido resultado de “negligência, imprudência e imperícia dos agentes públicos responsáveis pela gestão e execução das finalidades da fundação em exame”.

O órgão quer investigar também a regularidade da gestão e da execução da política pública de proteção e cuidado de animais silvestres em cativeiro e semicativeiro, em especial os que se encontram sob a responsabilidade do Zoológico de Brasília.

O documento foi publicado pelo Diário Oficial da União na manhã desta quarta-feira (16/10/2019) e dá prazo de 15 dias para Fundação Jardim Zoológico prestar esclarecimentos.

Como resposta, o zoo enviou uma nota para o Metrópoles. “A Fundação Jardim Zoológico de Brasília informa que está ciente do Inquérito Civil Público e esclarece que os profissionais envolvidos nos procedimentos estão prestando todos os esclarecimentos necessários para a investigação”, diz o texto.

Denúncias

A divulgação de uma foto da tigresa Maya sobre uma poça de sangue repercutiu nas redes sociais no mês passado. Em post publicado na página da Federação de Proteção Animal do Distrito Federal (FPA-DF) no Facebook, a entidade acusa o zoo de negligência e de maus-tratos a animais.

A publicação teve centenas de comentários, reações e compartilhamentos e também circulou pelo WhatsApp. Contudo, tanto o zoo quanto entidades ambientais que acompanham o dia a dia da instituição afirmaram que as informações são equivocadas.

No post, a FPA-DF atribui o episódio à gestão do Jardim Zoológico. Segundo a denúncia, vêm ocorrendo “mortes em série”, sem notificação ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Veja o post:

Segundo o Zoológico de Brasília, embora a imagem seja verdadeira, as acusações não procedem. De acordo com o zoo, a tigresa foi submetida a uma bateria de exames preventivos em 12 de setembro, os quais detectaram a presença de uma infecção no útero com acúmulo de pus. Com o diagnóstico, ela passou por um procedimento de retirada do órgão e dos dois ovários.

Durante a recuperação, apresentou rejeição aos pontos e parte das suturas se rompeu — foi então que houve o vazamento do líquido, uma mistura de sangue e pus. O momento é o que foi registrado na foto.

Processos cirúrgicos

Após diversas complicações cirúrgicas, Maya veio a óbito uma semana após Dandy. Durante exame de ultrassonografia feita na tigresa no dia 12 de setembro deste ano, foi detectada infeção chamada de piometra. Uma cirurgia foi agendada para retirada do útero.

Depois do procedimento, houve rompimento de pontos, com vazamento de ceroma, seguido de um extravasamento intestinal (quando as vísceras saem pelos pontos). Uma alçada do intestino de 1,90 m, que estava com tecido morto, foi retirada. Com isso, realizou-se a ligação entre os tecidos vivos. Ao total, ocorreram três cirurgias, mais a contenção de danos.

Por causa do quadro crítico de Maya, que apresentou anemia após a evolução da infecção, Dandy foi levado para realizar transfusão de sangue, por ser compatível com a irmã. Durante a coleta, identificaram que o animal estava tendo um retorno mais lento. A quantidade de sangue retirada foi cerca de um litro, menor que a expectativa, de 2,5 litros.

O médico veterinário que acompanhou os procedimentos ressaltou que o exame de sangue pré-óbito não acusou anemia em Dandy nem prejuízo por causa da transfusão.

“Foi constatado que poderia haver um problema renal no animal, após o exame de sangue encomendado durante a transfusão. No resultado dos exames, o tigre apresentou um quadro de insuficiência renal confirmado”, afirmou o veterinário Rodrigo Rabelo.

Veja galeria de fotos dos tigres:

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Sedação

Ainda segundo a equipe veterinária, Dandy acordou normal e consciente depois da sedação. “Infelizmente, faleceu quatro dias depois da transfusão. Não tinha como ter previsto, o check-up dele estava marcado na sequência do feito na Maya”, contou Carlos Henrique Saquetti, médico veterinário da PM.

A morte de Maya é o sexto de um animal de grande porte no Zoológico em 2019. Apenas este ano foram registradas os óbitos do cervo nobre fêmea Jenifer, em fevereiro; do waterbuck macho Vingador Junior, em março; do adax fêmea Marisa, em maio; do orix macho Copán, em setembro; e do irmão de Maya, o tigre branco Dandy, no mesmo mês.

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