Ministério Público inspeciona Rio Melchior após relatório da CPI
Coleta de amostras para testes de toxicidade servirão para embasar ação do MP, que investiga degradação hídrica do curso do rio

A Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural (Prodema) e a pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Daniela Mara inspecionaram a situação ambiental do Rio Melchior, nesta quarta-feira (30/9). A ação teve como objetivo acompanhar a situação ambiental do curso d’água e reunir informações que possam subsidiar a atuação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
Durante a visita, o grupo percorreu propriedades situadas às margens do rio. A professora da UnB, que desenvolve estudos biológicos voltados ao Rio Melchior, foi responsável por coletar amostras em diferentes locais para avaliar as condições da água e dos efluentes despejados.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF
Frequência de envio: Diário
Ver todasO material recolhido será analisado em laboratório por meio de testes de toxicidade que utilizam peixes-zebra como biossensores. Segundo a pesquisadora, essa metodologia permitirá avaliar a contribuição e o grau de contaminação gerado por cada lançamento de esgoto.
“Os resultados ajudarão a compreender os efeitos sobre os organismos aquáticos e poderão subsidiar a investigação de possíveis riscos à saúde humana, além de orientar ações de recuperação do rio e proteção da população e da biodiversidade”, explicou.
Além de diagnosticar o impacto ambiental atual, os dados obtidos durante a inspeção e os laudos técnicos da UnB serão fundamentais para pautar as próximas etapas de atuação da Prodema, definindo as medidas judiciais ou extrajudiciais necessárias para garantir a proteção da biodiversidade e da população do entorno.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA CPI do Rio Melchior
O acompanhamento pela Prodema também é um desdobramento direto das apurações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Rio Melchior. Conforme confirmado pelo próprio Ministério Público, a investigação atual foi motivada a partir do relatório final da CPI, documento que foi encaminhado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) ao MPDFT para providências.
O documento parlamentar, destacou que a degradação hídrica do curso d’água está associada à poluição difusa e ao despejo de efluentes por parte de grandes empreendimentos da região, incluindo o Aterro Sanitário de Brasília, abatedouros e estações de tratamento de esgoto.
Entre as recomendações do relatório que agora balizam a atuação do MPDFT, está a cobrança pelo reenquadramento ambiental do rio (da atual classe 4 para a classe 3), o que exigiria regras mais rígidas de monitoramento e controle da qualidade da água.
É com base nas evidências levantadas pela CLDF que os promotores e peritos agora avançam com as análises em campo e em laboratório para mensurar o tamanho do dano e cobrar as devidas reparações legais.









