Militares falam de preparação do governo para ciberataques

Encontro, promovido pelo Metrópoles e pela Época, teve como tema: “Cibersegurança: usuários, corporações e nações sob ataque”

atualizado

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André Borges/Especial para o Metrópoles
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1 de 1 Evento-Cibersegurança-14 - Foto: André Borges/Especial para o Metrópoles

O sexto painel do tech talk “Cibersegurança: usuários, corporações e nações sob ataque”, evento promovido nesta segunda-feira (23/09/2019) pelo Metrópoles e pela revista Época, fala sobre “Panorama da segurança cibernética”, com o coronel André Luís Terra, chefe do CDCiber, e o subtenente Alexandre Santos, supervisor do CTIR GOV, com mediação do editor de Nacional do Metrópoles, Guilherme Waltenberg. O evento reúne os maiores especialistas e autoridades do país para debater questões sob três diferentes prismas: internautas, empresas e governos. Para acompanhar a iniciativa em tempo real, basta clicar no link para o YouTube ou do Facebook.

O caso do The Intercept, novamente, entrou no assunto do dia. Segundo o subtenente Alexandre Santos, após o ataque, o sistema aprimorou as técnicas. “Inicialmente, os alertas e recomendações iam só para as equipes de apoio. Agora, eles vão para as autoridades e até para a população”, aponta o militar. Isso porque, segundo Santos, antes os hackers atingiam sites, principalmente o layout. “O foco, agora é no vazamentos de informações”.

Para o coronel Terra, o telefone nunca foi seguro. Ele tem recomendado às autoridades a não falar assuntos sigilosos pelo smartphone, seja em conversa ou mensagem. Santos confirma que diversas iniciativas do Departamento de Segurança da Informação para proteger as autoridades. A começar pela promoção na cultura da segurança da informação e a proposição de uma melhoria da infraestrutura do país.

Após o hackeamento do ministro Sergio Moro e do procurador da Lava-Jato Deltan Dallagnol, Santos argumentou que uma investigação está em curso. “O que tem sido feito é a proteção de toda instituição pública federal”, assegura. De acordo com o coronel Terra, os criminosos buscam a vulnerabilidade mais fácil. “Nem sempre as empresas colocam aquilo no mercado sem ter exaurido seus testes de segurança. E aí o criminoso busca brechas”, comenta.

Ataques

O subtenente Alexandre Santos conta que os ataques cibernéticos não têm fronteiras. Normalmente, segundo ele, vêm de países do Oriente Médio. “Mas o atacante brasileiro tem muita criatividade”, lembrou. Em relação à dark web (uma espécie de internet escondida), o CTIR foca em sites abertos. Porém, a Polícia Federal e outros órgãos fazem o monitoramento dessa face obscura da deep web. 

Apesar disso, o coronel Terra afirma que a dark web está caindo em desuso. “É um mito”, brincou. Já com as chamadas ameaças persistentes (APTs), os hackers levam um bom tempo rastreando o território antes de um ataque. “Não ocorre com menos de cinco meses”, arrisca o militar. De qualquer forma, as ameaças vêm com vulnerabilidades. E há muitas no país. “O Brasil é o quarto país do mundo que mais sofre ataques”, informa o subtenente Santos.

Segundo Terra, a solução começa com educação de segurança cibernética. “Toda sociedade tem que estar preparada”, pontua, em opinião compartilhada por Santos.

Pessoal

No Centro de Defesa Cibernética trabalham, hoje, 200 pessoas — que podem chegar a 1.000, dependendo do caso. Já no Centro de Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do Governo são 27 pessoas e oito analistas. “Ou seja 35 pessoas está totalmente dedicadas à segurança virtual do presidente Jair Bolsonaro. Fora as equipes de apoio”, aponta o subtenente Alexandre Santos. “O foco da defesa cibernética das Forças Armadas é proteção das informações estratégicas do Brasil. O foco é na capacitação de pessoal, com cursos no Brasil e no exterior”, ensina Santos.

Temas

Assuntos como dados pessoais roubados, computadores de empresas invadidos, governos sob vigilância e privacidade em xeque colocam a segurança digital como fonte de discussão constante. Por isso, a importância do encontro realizado no auditório da BioTic, no Parque Tecnológico de Brasília. No total, oito painéis discutiram diferentes tópicos sobre o tema. A abertura foi feita pelo presidente do Biotic, Gustavo Dias Henrique; e pelo governador Ibaneis Rocha (MDB).

O presidente da Biotic S/A, Gustavo Dias Henrique, destaca a importância de eventos como esse. “A digitalização da economia brasileira traz enormes benefícios para governos, empresas e indivíduos, na medida em que encurta caminhos, conecta pessoas e gera inteligência através de uma enorme quantidade de dados. É justamente a abundância desses dados que gera também os grandes riscos que temos que combater. O desenvolvimento da cibersegurança, nesse sentido, é um campo de enorme oportunidade para novas tecnologias e novos profissionais. É esse o debate que queremos promover durante o evento promovido pela Biotic S/A, site Metrópoles e revista Época”.

Jefferson Santos/Unplash

Especialistas como o diretor da PSafe Emilio Simoni; o chefe do Centro de Defesa Cibernética, general Corrêa Filho; o CEO da Apura, Sandro Süffert; e o diretor de engenharia de sistemas da Fortinet, Alexandre Bonatti, estiveram entre os convidados. O jornalista especializado em vida digital Pedro Doria realizou um keynote sobre as principais questões relacionadas à privacidade no ambiente digital e os perigos de invasões em dispositivos como celulares. O apresentador Rafael Cortez conduziu o painel “Profissão: hacker” e conversará com dois ex-piratas da web que atualmente trabalham como consultores de segurança para empresas.

Confira como foi a programação

9h – Abertura

9h30 – 5G, IoT e as vulnerabilidades hiperconectadas
Emilio Simoni, diretor do Dfndr Lab – PSafe
João Gondim, professor de Ciências da Computação da Universidade de Brasília

10h30 – Ciberataque S/A: As empresas na berlinda
Ulisses Penteado, CTO da BluePex
Bruno Prado, CEO da UPX e VP da ABSec

11h30 – Privacidade, um luxo na vida digital
Keynote com Pedro Doria, jornalista especializado em tecnologia

14h – Profissão: hacker
O apresentador Rafael Cortez (ex-CQC) entrevista João Brasio e Wanderley Abreu, dois ex-piratas da internet que hoje atuam como consultores de segurança

15h – Blockchain como aliado das empresas
Thiago Padovan, co-fundador da Blockchain Academy
Alexandre Bonatti, diretor de engenharia de sistemas da Fortinet

16h – Panorama da segurança cibernética
General Corrêa Filho, chefe do Centro de Defesa Cibernética

17h – Saúde, LGPD e cibersegurança
Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin
Rogerio Boros, diretor de Governo Federal e Saúde da Microsoft

18h – Ciberespionagem: uma ameaça real às nações
Sandro Süffert, CEO da Apura, presidente ABSec e membro da HTCia
Rodrigo Carvalho, perito de crimes cibernéticos da Polícia Federal

O evento é realizado pelo BioTIC e oferecido pelo Banco de Brasília e Sabin Medicina Diagnóstica.

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