Metrô-DF mais que dobra casos de Covid-19 em 18 dias e atinge 48 infectados

Números fazem parte de balanço realizado pelo SindiMetrô, que teme contaminação em massa entre os funcionários

atualizado 07/07/2020 9:03

Limpeza do Metrô DFMichael Melo/Metrópoles

Com oito novos casos em quatro dias, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) atingiu a marca de 48 servidores infectados com o novo coronavírus.

Na prática, significa que a categoria registra média de dois novos casos por dia. Em 17 de junho, a entidade havia sinalizado 23 infectados no quadro de servidores. Os casos, portanto, mais que dobraram em 18 dias. Em 30 de junho, eram 38 atingidos pela Covid-19 entre colaboradores.

A informação foi confirmada ao Metrópoles pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), que representa a categoria.

De acordo com a diretora do SindiMetrô, Renata Campos, a testagem aumentou entre os empregados e, consequentemente, o número de descobertas de infectados assintomáticos também.

“A preocupação do sindicato continua sendo a infecção em massa. A instituição sugeriu implantação de escalas onde se tem uma rotatividade maior de funcionários e diversas cobranças para que haja a testagem de todos os funcionários de 15 em 15 dias”, ressaltou.

O sindicato se pronuncia em uma denúncia apurada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) acerca do assunto. “Neste momento, o transporte público se mostra importante com mais evidência, pois se fosse uma empresa privada iria simplesmente fechar e deixar todos sem poder usufruir do serviço”, argumentou a associação.

“Os funcionários de serviços essenciais como nós, metroviários, não podemos parar, mas precisamos ser testados para que o serviço continue sendo de qualidade, mas, acima de tudo, seguro para todos e isso só será possível se houver a testagem de todos para que se tenha uma maior segurança tanto para os empregados quanto para a população que usa nosso sistema metroviário”disse.

A estimativa dos representantes é de que apenas 7,6% dos empregados tenham sido testados para o contágio da Covid-19. Na prática, significa 100 contemplados de 1,3 mil servidores.

A ideia do Governo do DF era que pelo menos 80% dos servidores tivessem diagnóstico claro, pois eles lidam diretamente com os cerca de 50 mil passageiros todos os dias.

Em nota, a entidade se mostrou “aflita” com a confirmação dos recentes casos da doença entre os funcionários do setor que mantiveram as atividades durante toda a pandemia de Covid-19.

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Queda no movimento

Antes da pandemia do novo coronavírus e das medidas para conter a disseminação dele na capital, o Metrô transportava 160 mil pessoas por dia.

Hoje, segundo dados da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), o número caiu para uma média de 50 mil pessoas por dia, o que, ainda assim, é tratado como relevante, considerando a proximidade que os passageiros mantêm dentro dos vagões, nas escadas rolantes e na espera pelo trem.

Por meio de nota, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) disse ao Metrópoles que, até o último dia 2, a Medicina do Trabalho havia registrado 44 casos de Covid-19, quatro a menos do que o denunciado pelo sindicato. Segundo o órgão, do total de casos positivos, “10 trabalham na área administrativa e 34 nas áreas operacionais, que incluem manutenção e outros setores que não tem contato com usuários do Metrô-DF”.

“O Metrô-DF aplicou testes, disponibilizados pela Secretaria de Saúde, em 353 empregados, a maioria da Operação. Desses testes, apenas cinco deram positivo. Ou seja, o percentual de positivos dentro do universo de testagem é de 1,4%, valor abaixo da média de outros lugares”, explica a companhia, também por nota.
Segundo a companhia, muitos dos empregados afastados já retornaram às atividades, logo, “não há prejuízos à operação e o Metrô-DF continua funcionando com 100% da sua capacidade”. “Nas últimas duas semanas, a demanda de passageiros têm oscilado entre 50 mil e 55 mil/dia, nos dias úteis. Antes da pandemia, ficava entre 160 mil e 180 mil/dia nos dias úteis de maior movimento”, detalha o órgão, ainda em nota.

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