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Cinco dias após ser transferido para o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF), porém antes de ser operado, o pequeno Mateus perdeu a batalha pela vida. Segundo a mãe, Larissa Ferreira da Silva, 21 anos, o recém-nascido morreu em seus braços, por volta das 14h30 dessa sexta-feira (1º/6). “Foi um guerreiro”, disse.

Larissa contou que os órgãos do menino foram parando de funcionar aos poucos. “Descansou, pois estava sofrendo demais”, ressaltou a jovem moradora de Planaltina na tarde deste sábado (2), após enterrar o seu caçula.

Mateus virou símbolo de uma campanha encabeçada pelo Metrópoles. “Uniu muita gente em torno da fé. Não sei como vou poder agradecer a todos que nos ajudaram”, destacou a mãe.

O bebê ficou internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Regional de Sobradinho (HRS) desde quando nasceu, em 17 de maio, devido a uma malformação no coração. O local não oferecia condições adequadas para o tratamento. Apesar de duas decisões judiciais, a família não conseguia a transferência do pequeno para o ICDF, referência em cirurgias cardíacas.

Após o caso ser mostrado pelo Metrópoles e duas semanas de angústia, a Secretaria de Saúde transferiu o recém-nascido para o ICDF na madrugada do dia 28 de maio. Mas o seu estado já era considerado gravíssimo. Os rins não funcionavam.

Mesmo assim, o menino lutou bravamente e chegou a ter uma pequena melhora no Instituto de Cardiologia. “Talvez, se tivesse vindo antes, pudesse ter feito um cateter para aliviar o coração. Mas não adianta culpar ninguém”, resigna-se a mãe.

Em meio à dor, ela disse sentir um pouco de alívio por saber ter feito tudo o que pôde para salvar a vida do seu caçulinha – Larissa tem um filho mais velho, de 2 anos. O Metrópoles contou o drama de Mateus no site e também em um painel publicitário no Setor Bancário Sul que, neste sábado (2/6), foi alvo de uma operação da Agência de Fiscalização do DF (Agefis).

Em pleno fim de semana pós-feriado, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) usou a máquina do Estado para remover não só o painel do Metrópoles como também outras peças que se encontravam instaladas há anos nos setores comerciais e bancários Sul e Norte – no coração de Brasília – e contam com a autorização do poder público. A censura foi repudiada por diversas autoridades.

Veja a repercussão: 

“Somos contra qualquer tentativa de censura à liberdade jornalística e de expressão. Especialmente as realizadas por meio de ações judiciais como neste caso. Por isso, o Metrópoles tem todo o apoio da Fenaj.”
Antônio Paulo Santos, integrante da diretoria-executiva da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

“Acabamos de realizar na OAB-DF um seminário sobre liberdade de imprensa. E a entendemos como um direito fundamental de uma sociedade democrática. Qualquer ataque a esse direito é um ataque à democracia.”
Juliano Costa Couto, presidente da OAB-DF

“A Agefis atua como se fosse um braço repressor do GDF. É um absurdo inadmissível contra a democracia.”
Paulo Miranda, fundador e diretor administrativo e financeiro da TV Comunitária de Brasília (canal 12 na NET)