“Mataram o amor da minha vida”, diz mulher de motorista de app morto no DF
Familiares e amigos acompanharam o sepultamento do homem de 31 anos assassinado depois de aceitar uma corrida na área central de Brasília
atualizado
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Familiares e amigos despediram-se, nesta quinta-feira (3/12), do motorista do sistema de transporte por aplicativo Roosevelt Albuquerque da Silva, 31 anos. O sepultamento ocorreu à tarde no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Ele foi vítima de latrocínio (roubo com morte) depois de aceitar uma corrida na área central de Brasília. Duas pessoas foram detidas: Whallyson Maicon Lima, 22 anos, e um adolescente.
Juliana Simplicio Rodrigues, 35, mulher de Roosevelt, recebeu o consolo de amigos e familiares. Abalada, postou-se ao lado do corpo do marido. “Eu não queria que os meus filhos sofressem, preferia o sofrimento todo para mim”, afirmou. “Não pode ter sido isso, não pode. Mataram ele. Não estou acreditando. Mataram o amor da minha vida”, lamentou.
Ela contou que soube da morte do pai das crianças e começou a chorar escondido. Um dos dois filhos do casal aproximou-se e pegou uma arma de brinquedo. “Ele escondeu debaixo do travesseiro e, então, disse: ‘Mamãe, ninguém vai matar você’. Não esperei que ele fosse ter esse discernimento”, disse.
O casal jovem sonhava em comprar uma casa. “Não tem mais jeito, é ele, mataram ele, ainda maltrataram ele… O que é que eu vou fazer agora? Alguém me diz. Alguém me fala se é mentira, por favor”, repetiu. “Por que Deus deixou isso acontecer comigo? Me dá uma resposta, para aliviar o meu sofrimento. Meus filhos não têm mais paz”, emocionou-se.
Ao Metrópoles, Juliana destacou que Roosevelt era um pai presente na vida dos filhos. ” Os meninos estão muito traumatizados.”
Graça Rodrigues, mãe de Juliana, não entende como a filha está de pé. “Está muito abalada”, confirmou. Alguns policiais da Força Nacional acompanham o sepultamentos, pois a pai da vítima fazia parte da corporação.
A mãe da vítima não compareceu ao sepultamento. “Ela disse que preferia se lembrar do filho fora do caixão, alegre e sorridente”, contou o pai do motorista, Roosevelt Corrente. “Espero que ninguém nunca tenha essa dor. O meu filho era tudo o que eu tinha. A gente espera que o filho perca o pai, e não que o pai perca o filho. A dor é tremenda. Estou aqui aguentando a muito custo”, explicou.
A irmã de Roosevelt, Rany Albuquerque, destacou que ele era um pai modelo, leal e trabalhador.
Familiares disseram que o motorista de aplicativo começou a prestar serviço para empresas de transporte por aplicativo para comprar um tênis de rodinha que um dos filhos havia pedido. As crianças têm 4 e 7 anos, e a festa de um deles será na próxima terça-feira “Vou ser policial que nem meu avô para não ter mais bandido”, afirmou um dos filhos, segundo Juliana.
O corpo de Roosevelt foi enterrado, por volta das 14h30, sob salva de palmas.
Última viagem
O motorista fez sua última viagem por volta das 22h30 de terça-feira (1º/12). Segundo Juliana, o casal tinha um pacto para que ele não trabalhasse até muito tarde, por considerar as viagens tardias um risco desnecessário.
Pouco antes de aceitar o chamado que acabou sendo fatal, o motorista enviou uma mensagem à esposa avisando que conseguiria buscar os filhos na Vila Planalto, por volta das 23h. Depois disso, a vítima não deu mais sinal de vida.
Juliana e o pai de Roosevelt passaram a noite de terça-feira procurando informações em hospitais e delegacias. O corpo de Roosevelt foi encontrado no Polo de Sobradinho naquela mesma noite. Na manhã seguinte, a família recebeu a missão de confirmar se o cadáver, encontrado com um tiro na cabeça, era o do motorista.
“Encontraram o corpo dele sem documento, celular, carro… Nada. Acho que fizeram isso por causa do carro dele, que era pouco usado”, especula Juliana. Nessa quarta (2/12), a equipe da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho) prendeu um adulto e apreendeu um adolescente, acusados de terem cometido o latrocínio. Todos os pertences de Roosevelt estavam com a dupla.
A vítima trabalhava como motorista de aplicativo havia apenas uma semana. De acordo com a esposa, não foi possível nem retirar o dinheiro do tempo trabalhado.












