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Marília Mendonça: perícia particular diz que torre onde avião bateu estava sem sinalização

Filha do piloto do avião da artista processou a Companhia Energética de MG e alegou que torre não sinalizada pode ter causado a tragédia

atualizado

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Pedro Vilela / Getty Images
Peritos encontram 2º motor de avião em que morreu Marília Mendonça
1 de 1 Peritos encontram 2º motor de avião em que morreu Marília Mendonça - Foto: Pedro Vilela / Getty Images

O acidente aéreo que vitimou a cantora Marília Mendonça, 26 anos, e mais quatro pessoas em novembro do ano passado completa um ano neste sábado (5/11). Desde então, as autoridades competentes investigam o que fez com que a aeronave de matrícula PT-ONJ caísse e como evitar que outros acidentes semelhantes aconteçam, a exemplo ao que ocorreu em Caratinga, município no interior de Minas Gerais (MG).

O relatório preliminar disponibilizado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) diz que as investigações estão em fase final e que a aeronave, durante fase de aproximação para o pouso, colidiu contra uma linha de distribuição de energia da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Um cabo chegou a ser encontrado em uma das hélices do avião. Mas uma perícia particular contratada pela família aponta que a torre onde a aeronave bateu estava sem sinalização.

Sem respostas, a brasiliense Vitória Medeiros @vitoriadiasmedeiros, filha de Geraldo Martins de Medeiros Júnior, 56, piloto que conduzia o avião com a cantora, processou a Cemig, responsável pela torre de transmissão que teve cabo atingido pela aeronave. Paralelo à investigação original, os parentes do comandante do avião realizaram perícia particular para desvendar os motivos do desastre.

Ilustração mostra com detalhes o posicionamento da linha de distribuição. Veja:
Demonstrativo da posição da Linha de Distribuição
Demonstrativo da posição da Linha de Distribuição

Sérgio Alonso, advogado da família, é especializado em direito aeronáutico e já atuou em outras causas de acidentes aéreos. Para a defesa, a tragédia foi causada pela falta de sinalização da torre de energia.

“Fizemos uma perícia circunstanciada ao qual se demonstra que realmente essa torre, independentemente de estar ou não em uma zona de proteção, só por ter sido implantada sem sinalização, a empresa é objetivamente responsável”, alegou o advogado.

Segundo Alonso, a perícia atestou que o equipamento estava a 150 metros acima da pista e exatamente na zona de transição onde a aeronave fez curva para a reta final e pouso. “O comandante Medeiros estava na altura certa. A perícia particular demorou para ser concluída e veio para comprovar o que já imaginávamos”.

Advogado Sergio Alonso na mesa do escritório de advocacia
Advogado da família do comandante Medeiros, Sérgio Alonso

Por esse motivo, Vitória pediu indenização por danos morais à Cemig. “A minha cliente sofreu muito cyberbullying durante esse último ano. Pela narrativa que foi dada pela Cemig, o pai dela teria sido o culpado pelo acidente. Eles disseram que o piloto estava abaixo dos níveis permitidos de altura. Tentaram jogar toda a culpa para cima dele e os familiares sofreram as consequências. O que esperamos agora, é que a Justiça estipule o verdadeiro culpado que não sinalizou a rede. Outro objetivo da ação é que isso sirva para melhorar esse tipo de sinalização para que outras vítimas não entrem nessa armadilha”, afirmou a defesa.

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Versão inicial

De acordo com a Cenipa, já foram realizadas coletas de dados e pesquisas referentes às condições do avião para fazer um voo seguro no dia do acidente.

A parte de campo da investigação, chamada ação inicial, que é quando os especialistas vão até o local do acidente, foi concluída na primeira semana após a tragédia.

Uma próxima etapa será uma discussão sobre a versão inicial do relatório com representantes credenciados dos países de fabricação da aeronave e dos motores. “Concluídas as análises, serão emitidas as recomendações de segurança”, informou a Cenipa.

Tragédia na música

Marília morreu após a queda do bimotor Beech Aircraft, da PEC Táxi Aéreo, que levava ela de Goiânia para um show em Caratinga. A aeronave caiu após bater em um fio de alta tensão, ao se aproximar da pista de pouso.

Além da cantora, morreram na queda o produtor dela, Henrique Ribeiro, 32, o tio e assessor, Abiceli Silveira Dias Filho, 43, o piloto Geraldo Medeiros e o copiloto Tarciso Pessoa Viana, 37.

O outro lado

Metrópoles procurou a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) para um posicionamento. Por meio de nota, , a empresa diz que a linha de distribuição atingida pela aeronave de Marília Mendonça “está fora da zona de proteção do Aeródromo de Caratinga” e que “as investigações das autoridades competentes irão esclarecer as causas do acidente”.

Leia a nota na íntegra:

“A Linha de Distribuição atingida pela aeronave prefixo PT-ONJ está fora da zona de proteção do Aeródromo de Caratinga, nos termos de Portaria específica do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), do Comando da Aeronáutica Brasileiro. Assim, não há obrigatoriedade de sinalização específica, conforme informado também pela Polícia Civil do Estado de Minas Gerais em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (4/11).

A Cemig segue rigorosamente as Normas Técnicas Brasileiras e a regulamentação em vigor em todos os seus projetos. As investigações das autoridades competentes irão esclarecer as causas do acidente.”

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgou, nesta sexta, o resultado parcial das investigações. Segundo o delegado Ivan Lopes, ficou comprovado que, no momento da queda, o bimotor Beech Aircraft voava muito baixo e fora da área de proteção delimitada em volta do aeródromo de Caratinga (MG). Os investigadores ainda aguardam laudo dos motores, que pode ajudar a entender o motivo de a aeronave voar tão baixo no momento do acidente.

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