Marcola fica uma hora no HBDF e muda rotina de hospital

Alguns pacientes e visitantes nem se deram conta da presença do líder do PCC, que passou por exame nesta manhã

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 22/01/2020 6:58

Por cerca de uma hora, na manhã desta terça-feira (21/01/2020), o líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC) ficou no interior do Hospital de Base, a maior unidade de saúde do Distrito Federal. Marcos Willians Herbas Camacho, ou Marcola, chegou e foi embora de helicóptero, sob forte esquema de segurança. Passou por exame programado.

A repórter fotográfica do Metrópoles Rafaela Felicciano registrou, com exclusividade, o momento em que o detento, que está no Presídio Federal de Brasília, desembarcou da aeronave da Polícia Federal. Depois, por volta das 9h, foi embora.

De acordo com o hospital, nenhum ala precisou de ser fechada, mas o trânsito nos corredores da unidade de saúde precisou ser controlado. O acesso no setor onde o detento estava ficou restrito a funcionários e policiais. Muitos pacientes e visitantes nem se deram conta.

 

O vendedor de salgados Gláucio da Costa, 49, diz que não chegou a ver Marcola, mas só de observar o aparato policial sabia que era “alguém importante”. “Desse lado do pronto-socorro aqui tinha muito atirador de elite no teto. Fora a movimentação do lado de fora”, ressaltou.

Segundo ele, o trânsito de pessoas foi mantido normalmente, mas a passagem de carros estava bloqueada. “Entrava só viatura e ambulância. Mesmo assim, os policiais olhavam dentro para ver se não era alguém infiltrado”, afirmou.

O vendedor de carros Marcos Vinícius Fernandes ficou surpreso em saber que o chefe do PCC estava no mesmo local. “Vim trazer minha sogra aqui e vi esse tanto de arma. Achava que era algum político. Fiquei impressionado”, comentou.

Motorista de aplicativo, Jemison Martins, 31, passava perto do hospital e achou estranha a movimentação. “Vi esse tanto de viatura aí, não entendi o que era”, conta.

A data do exame precisou ser alterada algumas vezes por questões de segurança. O período foi escolhido por levar em consideração as férias escolares, deslocamento aéreo e para causar menor constrangimento à população.

As consultas e exames feitos por Marcola são sempre dentro da própria penitenciária federal, que fica na região de São Sebastião. O interno sai do complexo apenas para fazer procedimentos mais complexos.

Cumprindo pena que ultrapassa 300 anos, Marcola está no presídio de segurança máxima. Em julho do ano passado, ele passou por uma outra consulta e fez exame no HBDF devido ao mesmo problema de saúde. À época, o procedimento durou cerca de 30 minutos.

O deslocamento realizado nesta manhã foi coordenado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e contou com a participação de agentes federais de Execução Penal, apoio do Comando de Operações Táticas (COT) da PF, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP). Homens fortemente armados ficaram posicionados nas entradas e saídas da unidade.

Fuga em massa no Paraguai

O final de semana foi marcado por uma fuga em massa de faccionados do PCC no Paraguai. Cinco foram localizados e 71 seguem foragidos. Um outro detento teve a tentativa de fuga frustrada.

Alguns deles são aliados do traficante brasileiro Sérgio de Arruda Quintiliano, o “Minotauro”, um dos principais líderes do PCC, preso em fevereiro de 2018 pela Polícia Federal brasileira. Considerado da alta cúpula da organização criminosa, “Minotauro” é mantido no Presídio Federal de Brasília, assim como Marcola.

Do total de fugitivos, ao menos 40 são brasileiros. Segundo o Ministério da Justiça do país vizinho, os presos deixaram os dois pavilhões da penitenciária por um túnel de 25 metros, mas não se descarta o envolvimento de responsáveis pela segurança do presídio na fuga em massa, no domingo (19/01/2020).

“Minotauro” foi indicado ao posto de liderança do PCC por Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, considerado o principal sócio em investimentos e propriedades de Marcola no Paraguai. Fuminho também é apontado como o responsável por um possível plano de resgate do Marcola em Brasília, revelado pelo Metrópoles em janeiro.

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