Major da PM expulso por esquema de propina recebia R$ 26 mil por mês
Nelimar Nunes de Sousa foi condenado por integrar esquema de cobrança de propina de motoristas de transportes clandestino nas regiões do DF

O major reformado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Nelimar Nunes de Sousa (foto em destaque), expulso da corporação, nesta quarta-feira (1º/7), por liderar um esquema de propina, recebia um salário bruto de R$ 26.426,08, de acordo com o Portal da Transparência.

Expulsão
Nelimar foi condenado por integrar esquema de cobrança de propina de motoristas de transportes clandestino nas regiões do Paranoá e do Itapoá. Ele perdeu o posto e a patente na corporação. O decreto que determina a expulsão definitiva com a perda de todos os vínculos funcionais e da condição de militar foi publicado no Diário Oficial do DF (DODF) desta quarta-feira (1º/7).
A decisão, assinada pela governadora do DF, Celina Leão (PL), cumpre a determinação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) que declarou o oficial “indigno para o oficialato”.
Com a medida, o major Nelimar perde definitivamente o posto, a patente e os direitos decorrentes da inatividade militar, já que o decreto oficializa a demissão da corporação, com base no Estatuto dos Policiais Militares, e cancela a condição de reserva remunerada.
O ex-policial coordenava outros quatro policiais militares e recrutou um grupo de civis para arrecadar os valores pagos pelos chamados “loteiros”, de acordo com a denúncia do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Integravam o núcleo policial os sargentos Ricardo Wagner Borges Caland, Fernando Nonato da Silva e Valdemir Quirino dos Santos, além do soldado Leandro Gomes da Silva.
Os cinco policiais militares foram presos em setembro de 2018, durante a operação que desarticulou o grupo.
Na esfera administrativa, o soldado Leandro Gomes da Silva e os sargentos Fernando Nonato da Silva, Ricardo Wagner Borges Caland e Valdemir Quirino dos Santos foram expulsos da PMDF ainda em 2018.
Nelimar, entretanto, permaneceu vinculado à corporação porque aguardava o julgamento da representação que analisava sua permanência no oficialato. Em 2025, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação dos cinco policiais envolvidos. Enquanto isso, ele continuava recebendo o salário de major reformado, e benefícios.
Esquema de proprina
De acordo com as investigações da Corregedoria da PMDF, encaminhadas ao Ministério Público do DF (MPDFT) à época, o grupo exigia pagamentos periódicos para permitir a circulação irregular dos chamados “loteiros”. Os motoristas que se recusavam a pagar eram alvo de fiscalizações, multas e retenção de documentos.
Segundo o MPDFT, a organização criminosa arrecadava cerca de R$ 30 mil por mês com o esquema. As investigações também apontaram que, além dos cinco policiais militares envolvidos, civis atuavam como intermediários na cobrança da propina junto aos motoristas.


