Mães acusam restaurante do DF de discriminar crianças com Down

Em menos de uma semana, duas crianças tiveram de deixar brinquedoteca de restaurante em Taguatinga. Um dos casos será levado à Justiça

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Vicenzo, criança com Síndrome de Down que foi impedido de entrar em brinquedoteca de restaurante em Taguatinga. Na foto ele usa fantasia de Homem-Aranha e sorri - Metrópoles
1 de 1 Vicenzo, criança com Síndrome de Down que foi impedido de entrar em brinquedoteca de restaurante em Taguatinga. Na foto ele usa fantasia de Homem-Aranha e sorri - Metrópoles - Foto: Imagens cedidas ao Metrópoles

O que era para ser um passeio de rotina se transformou em indignação para duas famílias do Distrito Federal. Mães de um menino e uma menina com síndrome de Down acusam os responsáveis por um restaurante em Taguatinga de discriminarem as crianças, impedidas de entrar na brinquedoteca do estabelecimento Mineirinho Chopperia. Uma delas entrou na Justiça contra a empresa.

Mãe de Vicenzo Estevam (foto em destaque), 6 anos, Andrea Estevam, 41, conta que o filho foi barrado na porta da brinquedoteca por uma monitora de crianças. Questionada pela cliente, a funcionária respondeu que seguia ordens e foi instruída a não liberar a entrada de crianças com Down.

“A monitora liberou a entrada do meu filho caçula [de 4 anos], que não tem síndrome de Down nem a mesma autonomia e independência que o irmão mais velho tem. Meu filho Vicenzo não precisa de nenhum auxílio ou atenção diferenciada. Fomos embora tentando consolar o choro das crianças. A sensação é de impotência”, desabafou Andrea.

Assista ao momento em que a mãe questiona um dos funcionários do restaurante:

Revoltada, a consultora de vendas contatou um advogado e entrou com ação judicial contra o restaurante. “Não consegui proteger meu filho, uma criança doce, esperta e feliz, do preconceito de alguém por trás de uma empresa. Se meu filho não puder brincar, poderá fazer o quê?”, questionou.

Leia o relato de Andrea:

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A criança tem 6 anos
Mãe ficou revoltada com situação no restaurante
Andrea desabafou em rede social
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Andrea com o filho mais velho, Vicenzo
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Andrea com o filho mais velho, Vicenzo

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Mãe ficou revoltada com situação no restaurante

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Andrea desabafou em rede social
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Caso semelhante

O caso de Andrea e Vicenzo não representou um acontecimento isolado. Quatro dias antes, no sábado (7/10), outra criança com síndrome de Down foi obrigada a deixar a brinquedoteca do restaurante.

Walentina Dantas de Lima, 5, chorou ao descobrir que não poderia brincar com os amigos. Flávia Paula Dantas Teixeira, 42, mãe da menina alegou que a filha sofreu discriminação. A justificativa dos monitores foi semelhante: eles “não tinham autorização para tocar nesse tipo de criança”, segundo a lojista.

“Minha mãe falou que a Walentina era tranquila e que a genética dela não a diferenciava. Mesmo assim, ela [a criança] teve de sair da brinquedoteca. O que se espera é que [esses estabelecimentos] tenham pessoas capacitas para ajudá-las. E isso é uma luta não só nossa”, comentou Luana Kathleen, 24, irmã da menina.

Leia o relato de Luana:

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A menina teve deixar brinquedoteca onde outras crianças brincavam
Luana, irmã de Walentina, também desabafou pelas mídias sociais
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Walentina tem 5 anos e sofreu discriminação em brinquedoteca
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Walentina tem 5 anos e sofreu discriminação em brinquedoteca

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A menina teve deixar brinquedoteca onde outras crianças brincavam
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A menina teve deixar brinquedoteca onde outras crianças brincavam

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Luana, irmã de Walentina, também desabafou pelas mídias sociais
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Luana, irmã de Walentina, também desabafou pelas mídias sociais

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Posicionamento

Pelas mídias sociais, o restaurante Mineirinho Chopperia publicou duas notas. Na primeira, divulgada na terça-feira (11/10), o estabelecimento informou que “preza pela igualdade em todos os ambientes, principalmente espaços frequentados por crianças”.

Leia na íntegra:

“O estabelecimento Mineirinho Chopperia vem a público esclarecer o ocorrido do dia 07/10/2022. Queremos esclarecer que o nosso estabelecimento preza pela igualdade em todos os ambientes, principalmente em espaços frequentados por crianças. Prezamos sempre pelo respeito, zelo e tratamento igualitário em nosso ambiente.

Repudiamos veementemente qualquer acusação infundada sobre o ocorrido, principalmente a se tratar de discriminação.

Portanto, a empresa não aprova qualquer tipo de desrespeito ou intolerância a crianças ou adultos com necessidades especiais, e medidas necessárias foram tomadas. Nos colocamos à disposição da família para qualquer tipo de esclarecimento.

Nosso estabelecimento profissional é meio de sustento para centenas de famílias há muitos anos, e estamos sempre treinando e orientando nossos colaboradores para atender a todos os clientes e amigos.”

Na segunda nota, publicada na quinta-feira (13/10), o restaurante destacou que os colaboradores passaram a sofrer diversos ataques decorrentes de “falsas acusações de supostas práticas discriminatórias, feitas de forma irresponsável por algumas pessoas nas redes sociais”.

Leia na íntegra:

“Nos últimos dias, a Mineirinho Chopperia e sua equipe de colaboradores passaram a sofrer diversos ataques decorrentes de falsas acusações de supostas práticas discriminatórias feitas de forma irresponsável por algumas pessoas nas redes sociais.

Antes de mais nada, reiteramos nosso posicionamento contra qualquer tipo de discriminação e nos solidarizamos com todas as pessoas que, de alguma forma, tenham se sentido ofendidas.

Ao contrário do que está sendo veiculado nas mídias digitais e em outros canais, a Mineirinho e seus colaboradores jamais praticaram qualquer tipo de ato discriminatório. Construímos um negócio de sucesso, com boa reputação e com base no respeito ao cliente, [na] honestidade e [em] muito trabalho.

Não temos qualquer compromisso com o erro e repudiamos atitudes preconceituosas. De igual modo, não nos conformamos com injustiças. Por isso, todas as medidas necessárias para estabelecer a verdade, especialmente as judiciais, estão sendo adotadas. Estamos certos [de] que ao final, tudo será esclarecido, e a justiça prevalecerá.”

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